A PCPR (Polícia Civil do Paraná) instaurou um inquérito policial para investigar mensagens com símbolos nazistas e conteúdo de incitação à violência compartilhadas em um grupo de WhatsApp chamado "Nós da UEL com Flávio Bolsonaro". A investigação apura publicações e ameaças feitas antes do ato político "em defesa da democracia", que aconteceu na noite desta quinta-feira (8), em frente ao RU (Restaurante Universitário) da UEL (Universidade Estadual de Londrina). O Portal Bonde foi o primeiro veículo a publicar sobre o grupo e conversou com um dos administradores.
Segundo a PCPR, as denúncias começaram a chegar ainda na quinta-feira, encaminhadas pela 24ª Promotoria de Justiça da Comarca de Londrina, por gabinetes parlamentares e pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.
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Bonde revelou mensagens antes do ato na UEL
No início da tarde de quinta, o Portal Bonde publicou reportagem sobre o grupo de WhatsApp “Nós da UEL com Flávio Bolsonaro”, que reunia 700 participantes e continha mensagens de ataques a políticos de esquerda, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e estudantes da universidade, além de manifestações xenofóbicas contra nordestinos.
A reportagem também identificou uma mensagem com imagem de conteúdo nazista e outra que fazia referência a um suposto ataque com bombas na UEL. Na ocasião, a PM (Polícia Militar) informou que não havia recebido denúncia sobre a suposta ameaça de bomba. A universidade também foi procurada e emitiu nota garantindo a segurança dos presentes na manifestação.
Após a publicação da reportagem, o MPPR solicitou a presença da Polícia Civil na UEL. Nesta sexta-feira, após a repercussão sobre as mensagens, todos os administradores deixaram o grupo, que também perdeu metade dos integrantes.
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Identificação de autores das mensagens
De acordo com a PCPR, O inquérito pretende verificar a autenticidade e a integridade das mensagens, identificar os autores e individualizar a conduta de cada pessoa envolvida. Até o momento, segundo a nota enviada, não há investigado formalmente identificado.
A reportagem, entretanto, conversou com o jovem que mandou as mensagens de cunho nazista. Segundo ele, "foi apenas uma provocação a esquerdistas". Ele também disse, sem dar mais detalhes, que ainda não havia "terminado a escola", indicando que pode ser menor de idade.
A Polícia Civil informou que a divulgação de símbolos ou propaganda nazista pode configurar crime previsto no artigo 20, parágrafo 1º, da Lei nº 7.716/1989, com pena de dois a cinco anos de reclusão e multa. A incitação pública à prática de crime também será analisada, com base no artigo 286 do Código Penal.
As diligências tramitam sob sigilo. A PCPR informou que não divulgará nomes de eventuais investigados, em respeito à legislação.
Como denunciar
A PCPR orienta que pessoas que tenham recebido as mensagens diretamente ou possuam informações sobre o caso não compartilhem novamente o conteúdo nas redes sociais. As informações podem ser repassadas à 10ª Subdivisão Policial de Londrina, na Rua São Pedro, nº 330, Vila Siam, ou por meio de denúncia anônima pelo telefone 181.