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'Afonso zelador do tríplex' é candidato a vereador em Santos

Agência Estado
02 set 2016 às 14:59

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Reprodução
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Com um terreno declarado R$ 13,2 mil e filiado a um partido suspeito de desviar R$ 358 milhões da Petrobras, o PP, o ex-zelador José Afonso Pinheiro, demitido em abril do edifício Solaris, no Guarujá (SP), após depor contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lançou sua candidatura a vereador em Santos, também no litoral paulista, neste ano.

No seu registro de candidatura, o nome na urna faz referência ao apartamento que ficou famoso em todo o País com os avanços da investigação da Operação Lava Jato e do Ministério Público de São Paulo: "Afonso zelador do tríplex".

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O hoje ex-zelador depôs no dia 23 de outubro de 2015 ao Ministério Público de São Paulo, que apurava um esquema de desvio de dinheiro nas obras da Bancoop - cooperativa dos bancários de São Paulo responsável pelo empreendimento no Guarujá até 2009.


O zelador disse aos promotores Cássio Conserino, Fernando Henrique Araujo e José Carlos Blat que a ex-primeira-dama Marisa Letícia, mulher de Lula, "chegou a frequentar o espaço comum do edifício indagando sobre o salão de festa, piscina, áreas comuns". Segundo o zelador, "os familiares do ex-Presidente chegavam com um Passat/preto e um carro, prata, inclusive sabe dizer que eles chegavam com um corpo de seguranças, três ou quatro".


José Afonso Pinheiro relatou também que "o funcionário Igor, da OAS, pediu para que não falasse nada, ou seja, de que o apartamento seria do Lula e da esposa, mas, sim, deveria dizer que é pertencente a OAS". "Esse pedido aconteceu depois do carnaval de 2015."


Na ocasião, ele disse ainda que "nenhuma outra pessoa diversa de integrantes da família Lula, ou do próprio casal presidencial" frequenta ou frequentou a unidade 164-A.


O ex-zelador não soube dizer se o tríplex esteve à venda, mas afirmou que a unidade, "diferente de outras, nunca foi visitada por qualquer pessoa acompanhada de corretor ou corretora de imóveis".
A investigação deu origem a uma denúncia da Promotoria contra o ex-presidente e seus familiares, que alegam ter adquirido uma cota do empreendimento e vendido depois, sem nunca terem residido no edifício.


A investigação do caso foi encaminhada, posteriormente, ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, por envolver reformas da empreiteira OAS, envolvida no esquema de corrupção na Petrobras, no apartamento atribuído ao petista.


Agora, o ex-zelador de um dos edifícios mais polêmicos do Brasil passa a disputar um cargo político no litoral paulista pelo partido que, como revelou a Lava Jato, era o responsável por lotear a Diretoria de Serviços da Petrobras cobrando propinas por meio do ex-diretor da estatal e hoje delator Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef.


Segundo a Procuradoria-Geral da República, o partido teria desviado R$ 357,9 milhões dos cofres públicos da estatal, entre 2006 e 2014 - 161 atos de corrupção em 34 contratos, 123 aditivos contratuais e quatro transações extrajudiciais.

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Seu registro de candidatura ainda aguarda para ser aprovado pela Justiça Eleitoral. Na lista de bens declarados por José Afonso consta apenas um terreno no Guarujá no valor de R$ 13,2 mil. Sua coligação é composta por PP, PSC e PEN.


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