O presidente diplomado Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quinta-feira (29) a senadora Simone Tebet (MDB-MS) no comando do Ministério do Planejamento e Orçamento e o senador em fim de mandato Alexandre Silveira (PSD-MG) como futuro ministro de Minas e Energia. Com o anúncio de novos nomes do primeiro escalão do futuro governo, Lula concluiu o desenho da equipe que vai comandar a área econômica em seu terceiro mandato.
Na futura administração, o Planejamento foi subdividido em duas pastas e terá Esther Dweck no Ministério de Gestão. A Economia também foi fatiada em Fazenda, com Fernando Haddad (PT), e Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), encabeçado pelo vice-presidente diplomado Geraldo Alckmin.
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Depois indicou que gostaria de ficar com o Desenvolvimento Social, pasta que controla o Bolsa Família –hoje chamado de Auxílio Brasil, o programa de transferência de renda será rebatizado. Mas Lula anunciou para o cargo o também senador eleito Wellington Dias (PT-PI). O presidente diplomado teria, na sequência, oferecido o Ministério do Meio Ambiente, que Tebet recusou em favor da deputada eleita e referência na área Marina Silva (Rede-SP).
A senadora também não era a primeira opção do futuro governo para o Planejamento. O plano A de Fernando Haddad, futuro ministro da Fazenda, para a pasta era o nome do economista André Lara Resende, que rejeitou o posto.
No Planejamento, Tebet terá entre suas secretarias as áreas de investimentos estratégicos e coordenação de estatais. Com isso, poderá participar da discussão sobre investimentos prioritários do governo federal em conjunto com a Casa Civil, que irá coordenar e monitorar o tema. O PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) deve ter uma gestão compartilhada entre Planejamento, Fazenda e Casa Civil.
A parlamentar queria manter sob sua alçada os bancos públicos, para poder implementar algumas vitrines de gestão e não apenas gerenciar recursos para o restante do governo, mas a ideia foi rechaçada por petistas.
O antigo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão havia sido incorporado ao Ministério da Economia na reforma promovida por Paulo Guedes (atual ministro da Economia) no início da gestão bolsonarista em 2019, ajudando a criar a superpasta que aglutinou poderes e orçamentos.
Terceira colocada nas eleições presidenciais, a emedebista apoiou Lula no segundo turno e participou ativamente da campanha eleitoral. Seu apoio foi considerado fundamental para a vitória do petista.
Tebet, 52, é advogada e professora. Já foi deputada estadual em Mato Grosso do Sul, prefeita de Três Lagoas (MS) por duas vezes e vice-governadora. Após a vitória de Lula, foi anunciada para compor a área de desenvolvimento social do grupo de transição.
Já Silveira é secretário-geral do PSD e se empenhou nas eleições presidenciais para barrar a virada de Jair Bolsonaro (PL) sobre Lula em Minas Gerais, onde a diferença foi de apenas 49,6 mil votos. Além disso, é aliado próximo do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), cuja recondução deve ser apoiada pelo governo Lula.
O parlamentar foi relator no Senado da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Gastança, que amplia o teto de gastos em R$ 145 bilhões no próximo ano e autoriza R$ 23 bilhões em investimentos fora da regra fiscal.
Também nesta quinta, o nome do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, foi confirmado por Lula no Ministério da Previdência. Pouco antes do anúncio, após reunião no hotel onde o presidente eleito está hospedado em Brasília, o pedetista disse que aceitou o convite para compor o primeiro escalão do futuro governo.
O posto inicialmente não era atrativo para o partido, que buscava uma pasta com mais visibilidade. Lupi vinha conversando com o PT para tentar negociar uma pasta que pudesse fortalecer a sigla para as eleições de 2024 e 2026.
Lupi foi ministro do Trabalho e Emprego no primeiro governo Lula e permaneceu no cargo também no governo de Dilma Rousseff (PT), deixando a pasta em dezembro de 2011.
Outro indicado por Lula foi o senador Carlos Fávaro (PSD-MT) para o Ministério da Agricultura –ele foi um dos articuladores da campanha petista junto ao agronegócio.
Como titular do Ministério da Pesca, o escolhido foi o deputado federal André de Paula (PSD-PE) –que entra na cota da sigla da Câmara dos Deputados.
O atual governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), teve o nome indicado para o Ministério da Integração Nacional e Desenvolvimento Regional.
A divulgação dos nomes estratégicos do governo Lula foi feita no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), local escolhido como sede da transição, em Brasília.
Na leva anterior de anúncios, no dia 22 de dezembro, Lula apontou para a equipe econômica de seu governo o vice-presidente diplomado, Geraldo Alckmin (PSB) para o comando do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio). Entre as mulheres, Esther Dweck vai liderar uma pasta criada especificamente para gestão.
Já o ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB) foi escolhido para o Ministério dos Portos e Aeroportos -fatia do atual Ministério da Infraestrutura. O indicado por Lula para comandar o Ministério do Trabalho, por sua vez, foi o deputado federal eleito Luiz Marinho (PT-SP).
Futuro ministro da Fazenda, Haddad havia sido anunciado quando o
presidente diplomado deu largada na definição de nomes de seu primeiro
escalão, no dia 9 de dezembro.
Lista completa
Alexandre Silveira (PSD-MG) - Minas e Energia
Ana Moser - Esportes
André de Paula (PSD-PE) - Pesca
Carlos Fávaro (PSD-MT) - Agricultura
Carlos Lupi (PDT-RJ) - Previdência
Daniela do Waguinho (União Brasil-RJ) - Turismo
General Gonçalves Dias - GSI
Jader Barbalho Filho (MDB-PA) - Cidades
Juscelino Filho (União Brasil-MA) - Comunicações
Marina Silva (Rede-AC) - Meio Ambiente
Paulo Pimenta (PT-RS) - Secretaria de Comunicação
Paulo Teixeira (PT-SP) - Desenvolvimento Agrário
Renan Filho (MDB-AL) - Transportes
Simone Tebet (MDB-MS) - Planejamento
Sônia Guajajara (PSOL-SP) - Povos Indígenas
Waldez Góes (PDT-AP) - Integração Nacional
Fernando Haddad (PT) – Ministério da Fazenda
Flávio Dino (PSB) – Ministério da Justiça
José Múcio Monteiro – Ministério da Defesa
Mauro Vieira – Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty)
Rui Costa (PT) – Casa Civil
Alexandre Padilha (PT) – Secretaria de Relações Institucionais
Márcio Macedo (PT) – Secretaria-Geral da Presidência da República
Jorge Messias – Advocacia-Geral da União (AGU)
Nísia Trindade – Ministério da Saúde
Camilo Santana (PT) – Ministério da Educação
Esther Dweck – Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos
Márcio França (PSB) – Ministério de Portos e Aeroportos
Luciana Santos (PCdoB) – Ministério da Ciência e Tecnologia
Cida Gonçalves – Ministério das Mulheres
Wellington Dias (PT) – Ministério do Desenvolvimento Social
Margareth Menezes – Ministério da Cultura
Luiz Marinho (PT) – Ministério do Trabalho
Anielle Franco – Ministério da Igualdade Racial
Silvio Almeida – Ministério dos Direitos Humanos
Geraldo Alckmin (PSB) – Ministério da Indústria e Comércio
Vinícius Carvalho – Controladoria-Geral da União (CGU)