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Crise do PT

De olho na reeleição, Haddad mira partido de Marina Silva

Agência Estado
24 out 2015 às 10:56

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Reprodução
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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, está sendo pressionado por aliados a deixar o PT e iniciou uma série de consultas a conselheiros da política e do mundo acadêmico sobre a possibilidade de abandonar o partido pelo qual foi eleito.

O entorno de Haddad acha que, pelo PT, ele não tem chances de se reeleger. O prefeito também teme que o desgaste do partido por causa das denúncias possa dificultar sua reeleição. Por enquanto, conforme o Estado apurou, a opção preferencial de Haddad seria integrar a Rede, legenda recém-criada pela sua amiga e ex-colega de Ministério Marina Silva. Em público, o prefeito nega a movimentação.

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Conforme a nova regra eleitoral, fica permitida a troca de partido até seis meses antes das eleições. Será considerada justa causa para a desfiliação "mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário".


Apesar da pouca estrutura da nova legenda, Haddad está empolgado com as recentes declarações de Marina sobre a necessidade de um novo "campo de esquerda" no espectro político brasileiro após a crise do PT. Se for para a Rede, o prefeito de São Paulo seguirá o mesmo caminho de outros ex-petistas que estavam insatisfeitos, como o deputado federal do Rio Alessandro Molon. A possibilidade provoca calafrios na cúpula petista que vê na reeleição de Haddad a chance de o partido se salvar de um "tsunami eleitoral" nas eleições municipais do ano que vem.


O elo entre Haddad e Marina Silva tem sido a educadora Neca Setúbal, com quem o prefeito mantém contato desde o período em que ocupou o Ministério da Educação - na mesma época, Marina era ministra do Meio Ambiente do governo Lula. Algumas semanas atrás ela foi procurada pelo secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita. Isolado no PMDB desde a entrada de Marta Suplicy na sigla, Chalita procura outro partido para se candidatar a vice de Haddad e propôs que a Rede integrasse a chapa do petista.


"O Chalita nos procurou e dissemos a ele que buscamos construir uma identidade para o partido a partir de um núcleo programático e que não é o caso, agora, de buscar um arranjo para a eleição em São Paulo", disse o porta-voz da Rede, Bazileu Margarido.


Ao rejeitar a proposta de Chalita, a Rede teria sinalizado interesse em ter Haddad como candidato em 2016. O prefeito, segundo membros da Rede, autorizou o secretário de Educação a prosseguir nas conversas com Neca.


Além de Neca, as consultas de Haddad incluem um grupo restrito de intelectuais e acadêmicos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O flerte do prefeito com os tucanos não se restringe à relação com FHC. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), teria oferecido ao petista a possibilidade de ingressar no PSB. Haddad tinha excelente relação com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto no ano passado.


Ex-presidente


As dificuldades para a saída do prefeito do PT, no entanto, são muitas. Haddad administra um dos maiores orçamentos do País e é visto por seus colegas e correligionários como a maior esperança de renovação do partido. Outros entraves passam pela relação direta de Haddad com Dilma. O prefeito se queixa da falta de ajuda financeira do governo federal para sua gestão, mas mantém apreço pela presidente, que ele exclui do que chama de "crise ética".

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Conforme um dos assessores de Haddad, o futuro dele no PT também depende do que vai acontecer com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho político e responsável pela candidatura vitoriosa à Prefeitura de São Paulo em 2012. A decisão ainda não está tomada. "Não posso fazer isso com o Lula agora", teria dito. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo


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