O vazamento de informações sigilosas que prejudicaram as operações da Polícia Federal (PF) conhecidas como Apate e Via Real, levou o delegado da Polícia Federal Fernando Antônio Hereda Byron Filho a ser denunciado por improbidade administrativa. Escutas telefônicas mostraram que o vazamento beneficiou o grupo do empresário ligado ao jogo do bicho, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
A ação foi ajuizada pelo Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) e divulgada nesta segunda-feira, 9. Ele atuava em Anápolis, considerada a principal base do bicheiro.
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"Byron revelou, de modo sistemático, fatos de que teve ciência em razão do seu cargo de delegado de polícia, tendo, assim, exercido a função de participante, dentro das entranhas do Estado, da organização com a função de obter informações sigilosas de interesse do grupo, em especial, de Carlinhos Cachoeira", analisa o procurador da República Raphael Perissé, autor da ação.
O procurador quer que Byron seja obrigado a ressarcir os custos das duas operações policiais, cujo valor deverá ser apurado na liquidação da sentença. A reportagem não conseguiu localizar o delegado para ouvir a versão dele.
No início das atividades de Byron em Anápolis, o delegado fez apreensões de máquinas de jogos na cidade. Com o tempo, entretanto, divulgou o MPF, ele acabou cooptado pela organização, passando a revelar dados sigilosos, obtidos em razão de sua função. Para agravar, teria patrocinado interesses privados na administração pública, recebendo em troca benefícios financeiros da quadrilha de Cachoeira.
Byron já é réu em outra ação. Ele foi denunciado em março do ano passado pelo MPF junto com 80 pessoas acusadas de participar da organização que explorava a jogatina em Goiás havia cerca de dez anos, explorando direitos dos pontos em Goiânia e no Entorno de Brasília, onde as máquinas caça-níqueis estavam clandestinamente instaladas. Na denúncia o MPF sustentava que negócio se mantinha com apoio de policiais Militares, Civis e Federais.