O deputado Requião Filho (PMDB) sugeriu, durante a sessão de segunda-feira (30) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta na Casa para investigar casos de violência contra a mulher apure, também, o esquema de exploração sexual de menores descoberto em Londrina no início do ano, quando o auditor fiscal Luiz Antônio de Souza foi preso em um conhecido motel da cidade na companhia de uma adolescente de 15 anos. "A comissão precisa de um objeto específico para não ter os trabalhos questionados posteriormente", argumentou o deputado.
O esquema investigado pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) tem, como acusados, diversos agentes públicos, entre eles o fotógrafo e ex-assessor do Governo do Estado, Marcelo Caramori, os auditores fiscais Luiz Antônio de Souza e Orlando Aranda, o ex-delegado da Receita Estadual em Londrina, José Luiz Favoretto Pereira, o policial civil Jefferson dos Santos, o empresário Íris Matos Moreira e o ex-vereador Alvair Avelino de Souza, além de aliciadoras e foragidos. Os suspeitos teriam mantido relações sexuais com mais de 35 adolescentes com idades entre 13 e 17 anos. "Vamos trazer as vítimas do esquema para cá e ouvir as suas acusações", destacou Requião Filho.
O deputado também criticou o fato de a bancada do governo na Alep ter proposto a abertura de cinco CPIs no Legislativo para, conforme ele, investigar assuntos que não precisariam ser, necessariamente, apurados por comissões parlamentares de inquérito. Na avaliação do parlamentar, a proposição em massa se trata de uma manobra para impedir investigações defendidas pela oposição, uma delas relacionada à dívida do Estado e a outra referente ao suposto esquema de cobrança de propina executado por fiscais da Receita Estadual, que veio à tona em Londrina após a prisão do auditor Luiz Antônio de Souza.
As CPIs sugeridas na Alep visam apurar a violência contra a mulher, os maus-tratos contra os animais, a ocupação fundiária de Pontal do Paraná (Litoral), os roubos a caixas eletrônicos e as supostas irregularidades decorrentes do abuso econômico praticado na cobrança ilegal das taxas de corretagem, juros abusivos e atrasos injustificados no cronograma de obras da construção civil.