O governador Beto Richa (PSDB) negou, em entrevista coletiva em Londrina na manhã desta quinta-feira (14), que sua campanha à reeleição foi "abastecida" por dinheiro desviado pelo esquema de corrupção investigado pela Operação Quadro Negro, do Ministério Público (MP). "Todos me conhecem. Sou intransigente com a corrupção", destacou, garantindo que já fez "nove ou dez" campanhas eleitorais e sempre prestou contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Conforme o tucano, a informação relacionada ao seu nome foi revelada por "pessoas desqualificadas, envolvidas nessas falcatruas". "Quando dizem que foi para campanha eleitoral, minimizam a responsabilidade e tiram o foco", argumentou.
Richa garantiu, ainda, que, assim que soube dos indícios de irregularidades, tomou todas as providências cabíveis para afastar e demitir os envolvidos de seus cargos públicos. "Vamos até a última instância para recuperar todos os prejuízos causados aos cofres públicos", afirmou.
Investigações
A Operação Quadro Negro descobriu que parte do dinheiro que deveria ter sido utilizado na construção de escolas no estado foi desviado pela empresa Valor Construtora e Serviços Ambientais, de Curitiba, até então responsável pelas obras.
As informações envolvendo os nomes de Richa e de parlamentares paranaenses foram reveladas em depoimento pela ex-procuradora jurídica da Valor, Úrsula Andrea Ramos. Ela cita como beneficiários dos recursos, além do governador, o presidente da Assembleia Legislativa (AL) Ademar Traiano (PSDB), o primeiro-secretário da Casa, Plauto Miró (DEM) e Tiago Amaral (PSB), filho do conselheiro do Tribunal de Contas (TC) do Paraná, Durval Amaral.
O MP encaminhou a investigação à Procuradoria-Geral da República (PGR) "por haver citação de pessoas com foro no STJ (Superior Tribunal de Justiça)". Somente o chefe do Executivo estadual tem essa prerrogativa, enquanto que para os parlamentares, a instância suficiente seria o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Agora caberá ao procurador da República, Rodrigo Janot, decidir sobre a continuidade da apuração e o possível desmembramento. (com informações do repórter Edson Ferreira, da Folha de Londrina)