Política

Ex-contadora de Alberto Youssef diz que Luiz Argôlo recebeu dinheiro do doleiro

13 ago 2014 às 16:15

A ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, disse nesta quarta-feira (13) ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara que o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) recebeu dinheiro do doleiro. O deputado é investigado pelo seu relacionamento com Youssef, que foi preso na operação Lava Jato, da Polícia Federal.

A reunião foi encerrada antes do depoimento de uma testemunha de defesa de Argôlo em virtude da morte do candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos.


Meire, que já havia feito acusações pela revista Veja desta semana, disse que só falaria sobre Argôlo e que, em outra ocasião, trataria de outros nomes.


A contadora disse ao relator do processo contra Argôlo no conselho, deputado Marcos Rogério (PDT-RO), que Youssef "era um banco" e explicou como ele atuava. "Ele pagava contas, dava dinheiro, dava presentes, emprestava. Eu fazia TEDs (transferência eletrônica disponível) e pagamentos que não tenho conhecimento do que se tratava. Às vezes vinha algum pagamento em que ele falava só para eu pagar", afirmou. No entanto, ela declarou que não tem a relação das pessoas para qual o doleiro emprestava dinheiro.


Meire disse que seu escritório prestou serviços para Youssef por quatro anos. Segundo ela, a GFD, uma holding de Youssef, emitia notas para empresas sem que serviços fossem prestados. Com intermediação do deputado Luiz Argôlo, teria sido repassado mais de R$ 1 milhão para duas empresas do Ceará.


Versão do advogado
O advogado de Argôlo, Aluisio Lundgren, perguntou a Meire se ela tinha visto dinheiro vivo sendo entregue ao deputado. Ela respondeu que não, mas que entregou dinheiro a Youssef para ser repassado a Argôlo. O advogado ressaltou que o deputado vendeu um terreno a Youssef, o que foi confirmado por Meire.


Ao final do depoimento, Meire afirmou que os negócios de Argôlo com Youssef eram ilícitos. Mas Aluisio Lundgren rebateu. "Para mim, o depoimento foi bastante consistente. É claro que tem alguns pontos que a própria testemunha não tem conhecimento total. Mesmo para dizer que as relações do deputado com o senhor Youssef seriam ilícitas, eu vi uma certa hesitação inicial da própria testemunha. Eu vou reafirmar: as relações eram lícitas e esses dados, que a testemunha não tem conhecimento, no interrogatório do deputado eu vou esclarecer todos os pontos", destacou.

Meire Poza também afirmou que Youssef disse ter um "bom acesso" a prefeituras do PT. No entanto, ela contestou trecho da reportagem da revista Veja, segundo o qual ela saberia de algum esquema irregular com o partido.


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