Política

Ex-delegado da Receita volta a ser preso pelo Gaeco em Londrina

08 out 2015 às 07:36

Policiais do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) estão nas ruas de Londrina desde às 6h desta quinta-feira (8) cumprindo seis mandados de prisão, 12 de busca e apreensão e sete conduções coercitivas, além de cumprir mandados de sequestro e arresto de bens. Está é a terceira fase da Operação Publicano, que investiga esquema de corrupção na Receita Estadual do Paraná.

Até o momento, três pessoas foram presas em Londrina e uma em Curitiba. Tratam-se do ex-delegado da Receita Estadual em Londrina, José Luiz Favoreto, já preso na fase anterior da Publicano; seu irmão, Antonio Pereira Junior Favoreto, que não é servidor público mas trabalha na área de telefonia; e o advogado André Arruda. Na capital, os policiais prenderam Leila Pereira, cunhada de José Luiz Favoreto. Também há mandados de prisão contra dois empresários. Os nomes deles ainda não foram divulgados.


O ex-delegado da Receita Estadual foi preso em casa, em um condomínio de luxo localizado na zona sul da cidade. Ele chegou à sede do Ministério Público com um capuz para não ser identificado. Antonio Pereira Junior Favoreto mora em Curitiba, mas foi preso em Londrina, na casa de sua mãe. Além da zona sul, as ações foram realizadas um imóvel na esquina das ruas Raposo Tavares e Rio de Janeiro.


Os mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Londrina e Curitiba, e os de condução coercitiva em Londrina, Arapongas e Ibiporã. Foram ordenados sequestro e arresto de embarcações, veículos e motos e equipamentos de uma lotérica, além de imóveis em Londrina e Porecatu e, ainda, valores em dinheiro. Os mandados foram expedidos pelo Juízo da Terceira Vara Criminal de Londrina.


O coordenador do Gaeco, promotor Jorge Barreto da Costa, revelou que o foco principal desta nova fase é a recuperação do dinheiro desviado pela organização criminosa. "Todos os presos têm participação direta no esquema. Eles criaram uma empresa para levar o dinheiro desviado da Receita Estadual", comentou em entrevista coletiva.


Os bens sequestrados estão avaliados em R$ 6 milhões. Ainda conforme o promotor, uma lotérica em Curitiba teria sido adquirida com dinheiro da corrupção. "Pedimos bloqueios das contas e sequestro dos bens que funcionam dentro desse estabelecimento", completou.



Em suma, o esquema funcionava em três etapas. "No primeiro momento, por meio da aquisição de imóveis por valores inferiores ao de mercado ou por registro menor daqueles efetivamente pagos; segundo, através da utilização da empresa, cujos sócios são o José Luiz Favoreto, sua cunhada e seu irmão, para lavagem de dinheiro e, por último, na comercialização de títulos de crédito podres", especificou.


Nas duas primeiras fases da Publicano, o MP denunciou quase 200 pessoas à Justiça por participação no esquema criminoso.

(Atualizada às 11h21).


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