O ex-ministro do Planejamento e da Previdência Nelson Machado depôs, na manhã desta terça-feira (5), em mais uma audiência da Operação Zelotes. O ex-ministro, que foi secretário executivo do Ministério da Fazenda entre 2007 e 2010, foi arrolado como testemunha pela defesa do lobista Alexandre Paes dos Santos.
Durante o depoimento, Machado foi questionado por um dos advogados de defesa sobre a existência de sigilo para os textos de medidas provisórias (MPs) antes de o ministro assinar a versão final ou de o texto receber um número. "Se é uma matéria sensível, que possa interferir no mercado financeiro, na tomada de decisão, trazer ganho ou perda para setores do mercado, a gente tem que trabalhar com sigilo. Quando não é esse assunto, é normal. Anda pelo ministério, pelas áreas, normalmente", disse Machado, sem se referir a uma MP específica.
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Perguntado se alguma vez recebeu proposta, oferta ou pagamento para aprovação de medidas provisórias ou se sabia que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega ou pessoas ligadas à pasta teriam recebido algo, Machado disse não ter conhecimento. "Não. Nunca tinha ouvido falar disso. Esta é a primeira vez que estou vendo, pelos jornais."
Machado falou também sobre como tramitam as medidas provisórias no Ministério da Fazenda, mas destacou não se recordar especificamente das MPs 471/2009, 512/2010, 627/2013. A Zelotes investiga a manipulação de julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), do Ministério da Fazenda, e se essas três medidas provisórias teriam sido compradas por um esquema de lobby a serviço do setor automotivo.
Nesta quinta-feira (4), em ofício entregue à Justiça, o delegado da Polícia Federal Marlon Cajado, responsável pelas investigações da Zelotes, informou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e quatro ex-ministros de Estado estão sendo investigados no segundo inquérito da operação. No ofício, Cajado diz que Lula e os outros citados são investigados sobre suposta participação no esquema. Segundo o delegado, apura-se também se integrantes da organização criminosa usaram o nome das autoridades indevidamente. O nome de Nelson Machado é um dos que aparecem na listagem.