Um dos subordinados de Alberto Youssef dentro do mega esquema de lavagem de dinheiro descoberto pela operação Lava Jato reforçou as suspeitas de que alguns políticos do PSDB também mantiveram ligação estreita com o doleiro londrinense. Até então, apenas PT, PMDB e PP haviam sido citados nos interrogatórios de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, e do próprio Youssef, no último dia 8.
Leonardo Meirelles, um dos proprietários da Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia e Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen Ltda - empresas utilizadas pelo esquema criminoso para remeter US$ 444,6 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) ao exterior por meio de importações fictícias - citou, durante seu interrogatório realizado na última segunda-feira (20), na Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, que teria ouvido o nome do senador Sérgio Guerra (ex-presidente nacional do PSDB) durante uma reunião com Youssef na capital paulista.
''Em uma das ocasiões eu estava na sala (de Youssef), e teve um contato telefônico dos vários que ele tinha. E surgiu o nome (Sérgio Guerra) numa conversa que faltava um ajuste, uma situação do passado, algum ajuste financeiro, que havia algo parado. Estava presente na sala e acabei escutando'', disse Meirelles.
Além disso, durante seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, o empresário apontou um suposto envolvimento de Youssef com outro tucano ''padrinho político do passado'' e ''conterrâneo'' do Paraná. O doleiro Youssef é natural de Londrina. O nome deste político não foi citado durante o interrogatório porque o juiz não autoriza a menção a nomes de deputados e senadores por conta do foro privilegiado, que garante a eles o direito de ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante seu interrogatório, Leonardo Meirelles ainda reforçou que no período em que prestou ''serviços'' a Youssef frequentava quase que diariamente o escritório do doleiro, em São Paulo. ''Tenho conhecimento que no escritório dele tinha um fluxo grande de pessoas ligadas ao partido PP. Pelo que sei, e foi relatado pelo próprio Youssef, que na ocasião, tinha uma grande quantia em aberto com ele. Era um saldo de financiamento de campanha de 2010'', disse.
O empresário confirmou também que, durante o processo, colaborou espontaneamente com a Justiça e com a PF, e assumiu que recebia 1% de comissão por cada transferência realizada por meio das empresas para o exterior. A reportagem entrou em contato com o advogado de Meirelles, Haroldo Cesar Nater, mas ele não atendeu às ligações.
Youssef
O advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, informou que o empresário não tem provas de que o doleiro tivesse alguma ligação com o PSDB, e ''repudia'' as declarações feitas por Leonardo durante seu interrogatório.
Defesa
Colega de Sérgio Guerra na CPI da Petrobras de 2009, o senador Alvaro Dias disse ser descabida a insinuação de seu nome como um dos envolvidos no esquema. "Temos que tomar cuidado com possível armação. Querem me colocar na defensiva, já que sempre atuei no ataque nesta questão da corrupção na Petrobras", disse.
O senador negou que a saída da oposição da CPI de 2009 foi um esvaziamento proposital para esfriar as investigações. "Nós apresentamos um relatório paralelo, fizemos 18 representações ao Ministério Público Federal, que deram origem a vários dos inquéritos que pressionaram para que se chegasse à essa operação. A última dessas representações, inclusive, foi sobre a compra da refinaria de Pasadena", disse.
Lembrando que seu nome não foi citado pelo depoente, o senador afirmou que o envolvimento de tucanos neste momento do depoimento é uma tentativa de se inverter os fatos e desqualificar as delações feitas até então.
Questionado sobre seu relacionamento com Youssef, Alvaro disse conhecer o doleiro, "todo mundo que viveu em Londrina conhece ele e sua família", mas disse já não o ver há muitos anos. "E não há qualquer relação minha com ele. Fazer essa ilação é um desrespeito à minha história", concluiu.
(Atualizado às 19h08)