O prefeito de Rolândia, Ailton Maistro (PL), considera que a suspensão da instalação do pórtico de pedágio na modalidade free flow (cobrança sem cancelas), na região do Distrito Industrial do município, na BR-369, foi a mais acertada, mas ele ainda teme a necessidade de judicialização da discussão por parte da empresa. As declarações foram dadas nesta quarta-feira (4), antes da assinatura da ordem de serviço do Terminal Metropolitano, em Londrina.
As instalações já eram executadas na última semana de janeiro, antes mesmo da assinatura do contrato de concessão, programado para a sexta-feira (6), e provocou reação dos rolandenses. A administração municipal pediu ajuda para o governo estadual e a suspensão da instalação foi anunciada nesta terça (3).
Maistro se disse surpreendido tanto com a execução da estrutura dos pórticos quanto com a velocidade das tratativas que levaram à suspensão. "Ficamos muito surpresos e felizes por ter cancelado, no presente momento, e [torcemos para] levar para a praça de pedágio antiga que tinha ali [em Arapongas]", disse.
Para o prefeito, o local escolhido inicialmente pela concessionária seria prejudicial para os moradores e para a economia de Rolândia. "O ponto onde ia ser instalado levaria a um prejuízo muito grande para quem precisa passar por esse lugar. Além da população, tem grandes indústrias ali. A Cooperativa LAR tem a parte agrícola em um ponto e a fábrica de ração do outro lado [do pórtico]. Ela transita mais ou menos 400 veículos por dia no trecho. Você imagina a despesa que ia carregar para a cooperativa?", questiona.
Porém, devido à concessão ser federal, ele acredita que a localização possa virar motivo de disputa judicial. "Achei muito rápido o cancelamento daquela praça de pedágio, então vamos aguardar agora os desfechos que vêm. Eu, particularmente, acredito que vão acabar entrando na Justiça, porque é uma concessão federal. Mas vamos aguardar", afirmou.
Governador vê vantagens
Em sua passagem por Londrina, o governador Ratinho Junior (PSD) disse que, embora o contrato de concessão permita a disposição dos pontos de cobrança dentro de um determinado raio a ser definido pela concessionária, de acordo com parâmetros técnicos, o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) do Paraná entendeu que "ficaria mais confortável" manter o ponto de pedágio onde já ea cobrado historicamente.
"As pessoas já estavam habituadas, acostumadas. Então, nós tivemos, através do DER, uma conversa com a empresa, que entendeu essa demanda da comunidade e vai se manter, praticamente, ali onde era o mesmo local [da concessão anterior]", afirmou.
O governador também elencou vantagens na adoção do sistema free flow. "Muitas pessoas estavam acostumadas com a praça do pedágio antiga, com pagamento manual para o atendente. A tecnologia free flow que, que já existe em vários países do primeiro mundo e que está chegando no Brasil, evita acidente de carro parado [na fila das cabines]. Também evita o assalto nas praças de pedágio. Então, a tecnologia dá esse conforto, não tem que ficar na fila mais", afirmou.
A FOLHA entrou em contato com a assessoria de imprensa da concessionária, que disse que se manifestaria por meio de nota oficial. Porém, até o fechamento da matéria, não houve retorno.
Em reportagem publicada pela FOLHA em 19 de janeiro, o diretor-presidente do Grupo EPR no Paraná, Marcos Moreira, afirmou que o formato de cobrança em toda a extensão do lote 4 será na modalidade free flow. O trecho de abrangência do lote 4 liga Cornélio Procópio (Norte Pioneiro) a Guaíra (Oeste) e Maringá (Noroeste) a Nova Londrina (Noroeste), abrangendo 33 municípios com economia fortemente agrária e que necessita de escoamento, principalmente por vias rodoviárias.