22/01/21
PUBLICIDADE
Ex-ministro da Justiça

Moro é contratado por consultoria que representa a Odebrecht, alvo dele na Lava Jato

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência <a href='/tags/brasil/' rel='noreferrer' target='_blank'>Brasil</a>


A empresa de consultoria global de gestão de empresas Alvarez & Marsal, administradora judicial do processo de recuperação do Grupo Odebrecht, anunciou a contratação do ex-ministro da Justiça Sergio Moro como sócio-diretor para atuar na área de disputas e investigações.


O anúncio da contratação foi feito por meio do site da empresa e, segundo a divulgação, "está alinhada com o compromisso estratégico de desenvolver soluções para as complexas questões de disputas e investigações, oferecendo aos clientes da consultoria e seus próprios consultores a expertise de um ex-funcionário do governo brasileiro".

Moro é apresentado pela consultoria como um especialista em liderar investigações anticorrupção complexas, crimes de colarinho branco, lavagem de dinheiro e crime organizado.

A apresentação destaca a atuação do ex-juiz na Operação Lava Jato.

"Tanto como ministro quanto como juiz federal, Moro colaborou com autoridades de países da América Latina, América do Norte e Europa na investigação de casos criminais internacionais relacionados a suborno, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e crime organizado", diz o texto.

Uma das empresas investigadas é a Odebrecht, que assinou um acordo bilionário para cooperar com as investigações a partir de 2016.

Pelo Twitter, nesta segunda-feira (30), Moro destacou a contratação e disse que não há conflitos de interesse na atuação, já que não vai atuar na advocacia. "Ingresso nos quadros da renomada empresa de consultoria internacional Alvarez&Marsal para ajudar as empresas a fazer coisa certa, com políticas de integridade e anticorrupção. Não é advocacia, nem atuarei em casos de potencial conflito de interesses", escreveu.

Via assessoria, a empresa explicou que o papel de administrador judicial, como o que exerce em relação à Odebrecht, não envolve o processo ao qual a empresa foi submetida, mas a fiscalização, acompanhamento de prazo e ações, funcionando como "olho" do juiz para garantir que a recuperação judicial está sendo conduzido de forma correta.

Destacou também que a empresa possui sete diferentes áreas de atuação, entre elas a de administração judicial, mas que Moro atuará especificamente nas disputas societárias e financeiras em diversos segmentos e projetos de empresas que precisam estruturar processos, sistemas e governança de forma a prevenir fraudes.

O ex-ministro fará parte de uma equipe que já conta com vários outros ex-funcionários de governos, como Steve Spiegelhalter (ex-promotor do Departamento de Justiça dos EUA), Bill Waldie (agente especial aposentado do FBI), Anita Alvarez (ex-procuradora do estado de Cook County, Chicago) e Robert DeCicco (ex-funcionário civil da Agência de Segurança Nacional).

"A experiência de Sergio como ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, somado à sua extensa bagagem anticorrupção, crime do colarinho branco e lavagem de dinheiro, contribuirá para solucionar os problemas dos clientes", disse Steve Spiegelhalter, sócio-diretor da consultoria.

Enquanto juiz federal em Curitiba, em junho de 2015, Moro ordenou a prisão do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, em uma das fases da Lava Jato. Em março do ano seguinte, também condenou Marcelo a 19 anos e quatro meses por crimes como corrupção e organização criminosa e outros quatro executivos.
Na sentença, o juiz considerou que Marcelo repassou R$ 109 milhões e U$ 35 milhões em propina a agentes da Petrobras.

"O comportamento adotado pela Odebrecht e por seu Presidente Marcelo Bahia Odebrecht não é consistente com o que seria esperado da empresa e de executivo que de fato não tivessem responsabilidade pelas contas secretas no exterior e com o pagamento através delas de propinas. O comportamento esperado seria o de reconhecer a falta e identificar dentro da corporação os executivos individualmente responsáveis por comprometer o nome e a reputação da companhia", escreveu em um trecho da sentença.

Meses mais tarde, em maio, por falta de provas, o magistrado rejeitou outra denúncia contra Marcelo, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de pagar propina para evitar a convocação na CPI da Petrobras.

Já em dezembro, Odebrecht fechou acordo de colaboração com o Procuradoria-Geral da República. Um ano depois, em dezembro de 2017, após dois anos e meio na prisão, o empresário saiu da cadeia e passou a cumprir a pena de prisão domiciliar. Em setembro do ano passado, ele foi beneficiado com a progressão de regime e, atualmente, não cumpre mais prisão domiciliar.

Procurada, a assessoria da Odebrecht não retornou ao contato da reportagem.
Folhapress
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Continue lendo
Decisão do TRF-4

Agepar consegue suspensão de decisão que possibilitava aumento no pedágio

21 JAN 2021 às 17h51
Acesso à Dez de Dezembro

Semáforos da Charles Lindemberg entram em funcionamento na zona leste

21 JAN 2021 às 17h50
Meu Bolso em Dia

Febraban lança programa de aceleração para startups de educação financeira

21 JAN 2021 às 17h44
Mais conectividade

Projeto Rua Inteligente trará inovação e tecnologia à rua Sergipe

21 JAN 2021 às 17h18
Direitos Humanos na Pandemia

OAB denuncia governo Bolsonaro à OEA por omissão no combate à epidemia da Covid-19

21 JAN 2021 às 16h20
Comer em casa

Pesquisa mostra que 80% estabelecimentos comerciais manterão delivery mesmo após pandemia

21 JAN 2021 às 15h57
Veja mais e a capa do canal
JORNAIS
Folha de Londrina
TELEVISÃO
MultiTV Cidades
OUTRAS EMPRESAS
Grafipress
RSS - Resolução máxima 1024x728 - () - Bonde - Todos os direitos reservados