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Eleições

Moro parabeniza Doria por vitória em prévias do PSDB, e tucano sugere encontro

Marianna Holanda/Folhapress
29 nov 2021 às 10:49
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Ex-juiz da Lava Jato e pré-candidato à Presidência pelo Podemos, Sergio Moro parabenizou na noite de sábado (27) o governador de São Paulo, João Doria, por ter vencido as prévias do PSDB.

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Segundo relatos, a conversa foi breve, por mensagem de telefone, e Doria convidou o ex-ministro para um encontro. Os dois ficaram de acertar uma data mais à frente.

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A proposta ocorre em meio a uma tentativa do tucano de se aproximar dos candidatos da chamada terceira via, que busca votos dos que rejeitam tanto o presidente Jair Bolsonaro (hoje sem partido, mas rumo ao PL) quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Além de Moro, estão no alvo de Doria o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e a senadora Simone Tebet (MDB-MS).


No mês passado, Doria, Mandetta e Moro se reuniram num jantar em São Paulo. Nenhum acerto eleitoral saiu do encontro, apesar de ter sido um importante gesto de aproximação.

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Moro e Mandetta foram ministros de Bolsonaro e saíram do governo brigados com o chefe do Executivo. O primeiro deixou a Justiça alegando tentativa do presidente de interferir na Polícia Federal , o que levou à abertura de inquérito após determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).


Em depoimento à PF no começo do mês, Bolsonaro admitiu ter solicitado a troca no comando da organização ao seu então ministro e disse que Moro teria condicionado a mudança à sua indicação para uma vaga no STF. O ex-ministro nega.


Já Mandetta deixou o governo após uma sucessão de disputas com o Planalto devido a postura negacionista de Bolsonaro frente à pandemia.


Como a Folha de S.Paulo mostrou, uma ala da União Brasil (resultado da fusão do PSL-DEM, que ainda precisa ser validada pela Justiça) defende que o futuro partido apoie o ex-juiz da Lava Jato na disputa pela Presidência da República em 2022.


O pré-candidato do Podemos jantou com deputados do PSL na semana passada. No DEM, a cúpula do partido não descarta um apoio ao ex-juiz, caso ele mostre viabilidade eleitoral.


Doria foi escolhido no último sábado (27) por seus correligionários para se lançar como o nome do partido à Presidência. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ficou em segundo lugar.


O gaúcho também recebeu uma mensagem de Moro, que parabenizou-o pelo "bom combate" e disse ter muito respeito pelos dois tucanos.


O governador de São Paulo ganhou as prévias por 53,99% contra 44,66% de Leite. O terceiro concorrente, ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, obteve 1,35%.


O resultado pôs fim a uma disputa acirrada que rachou o partido, com direito a pane no aplicativo de votação e trocas de acusações.


O partido, que já esteve na Presidência da República e chegou a todos os segundos turnos nas últimas eleições, com exceção de 2018, vem enfrentando crise sem precedentes.


A legenda rachou nos últimos anos e pode passar por uma nova debandada depois de um processo de prévias considerado traumático por tucanos.


Segundo integrantes da terceira via, a primeira missão de Doria será tentar minimizar as fissuras geradas pela disputa interna e reaglutinar forças em torno de seu nome no partido.


Ainda que sejam feitos gestos de aproximação, eles também dizem acreditar que o PSDB atrasou na escolha do seu candidato e chega como coadjuvante na disputa.


As conversas devem acontecer nas próximas semanas e os tucanos participarão, desde que não tentem impor candidatura, dizem interlocutores dos demais candidatos. Em especial, por causa do tamanho eleitoral que o PSDB passou a ter.


Na polarizada disputa de 2018, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, obteve apenas 4,72% dos votos, a despeito de sua experiência na política e da robusta coligação com oito partidos.


Mesmo com a entrada do PSDB na disputa, dirigentes partidários do centrão veem como improvável que uma candidatura de centro decole.


A aposta dessas legendas é que a eleição será definida entre Bolsonaro e Lula, mesmo que os candidatos da terceira via consigam, de alguma forma, se unir em torno de um nome.

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