O PMDB chegou a ameaçar deixar a base do governo caso a presidente Dilma Rousseff não demitisse o ministro da Educação, Cid Gomes, depois da participação dele na Comissão Geral da Câmara. "Não há base com a permanência dele. Não existirá base com o governo mantendo um ministro com este tipo de atitude", afirmou o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ). "O PMDB fez a mais formal das afirmações. Afirmou da tribuna da Câmara dos Deputados que deseja e que espera do Poder Executivo uma manifestação a respeito do comportamento do ministro Cid Gomes", disse.
"O ministro atacou não só toda a base do governo, como todo o conjunto da Casa, inclusive a oposição. Aqui não se trata de base ou não base. Trata-se de dar o respeito a esta Casa".
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Questionado sobre a ameaça, após deixar o plenário, Cid Gomes jogou a responsabilidade para Dilma. "Muito bem. A presidenta resolverá o que vai fazer. O lugar é dela, sempre foi dela e eu aceitei para servir porque acredito nela." Pouco depois, o próprio presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou que o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, teria lhe telefonado e informado que Cid Gomes não é mais ministro.
Cid Gomes afirmou no Plenário que existem entre os deputados cerca de "300 ou 400 achacadores". O ministro - que assumiu o cargo há apenas 77 dias - também disse na Câmara que os parlamentares do governo que não votam de acordo com a orientação do Planalto deveriam "largar o osso". Ele também acusou Cunha de ser um dos achacadores e, no momento mais tenso da sessão, teve o microfone cortado pelo presidente quando batia boca com o deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ). Cid foi chamado de "palhaço" por Zveiter e deixou o prédio do Legislativo.
Ele seguiu imediatamente ao Palácio do Planalto, onde se encontrou com Dilma e pediu para deixar o governo. Cunha anunciou a demissão em Plenário e foi aplaudido pelos colegas.