O PSD deverá escolher o governador do Paraná, Ratinho Junior, como nome da legenda para disputar a eleição para presidente da República. A informação foi divulgada inicialmente pelo comentarista da GloboNews Merval Pereira, que cravou a escolha, e fontes ligadas à legenda confirmaram à reportagem da FOLHA que a indicação está bem encaminhada e deve ser anunciada ainda em março.
As últimas pesquisas mostram que Ratinho Junior é o nome do PSD que melhor vem pontuando, ficando à frente do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. A Quaest da última quarta-feira (11), por exemplo, trouxe cenários com os três nomes: Ratinho marca 7%; Caiado, 4%; e Leite, 3%.
A pesquisa apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança em todos os cenários com o senador Flávio Bolsonaro (PL) na segunda posição no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, o petista e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados com 41% das intenções de voto.
Essa informação começou a circular logo após o governador do Paraná recusar o convite para ser vice de Flávio Bolsonaro. Ele participou de uma reunião com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, mas não aceitou sair da disputa. Na última quinta-feira (12), em visita a Londrina, Ratinho reforçou o desejo de concorrer à Presidência, mas deixou qualquer confirmação nas mãos do partido.
“Eu estou muito feliz, obviamente, de ter meu nome lembrado, não só dentro do partido, mas também de certa forma aparecendo nas pesquisas”, disse o governador, que, se for concorrer em outubro, precisa deixar o cargo até 4 de abril. “Mas o partido pretende decidir isso antes”, garantiu.
Em nota encaminhada por sua assessoria de imprensa nesta sexta-feira (13), o governador reiterou que o anúncio cabe ao PSD.
“O governador Ratinho Junior continua cumprindo agenda normalmente em cidades do interior do Paraná. E espera com tranquilidade e muito respeito aos demais concorrentes, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, que o partido oficialize no momento oportuno o candidato a presidente da legenda. Em respeito ao compromisso selado entre os três pré-candidatos, Ratinho Junior prefere aguardar a definição oficial da direção do PSD”, diz a nota.
Publicamente, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ressaltou que o candidato ainda não foi escolhido. “O PSD anunciará até o fim deste mês de março quem levará essas propostas como alternativa à polarização que domina e paralisa a política e a administração brasileira com temas que pouco contribuem para a solução das demandas mais urgentes do Brasil”, escreveu Kassab em suas redes sociais.
Nos bastidores, contudo, a sinalização é de que é apenas questão de tempo para o anúncio ser feito.
Cisão com o PL
Com a recusa ao PL e a possível candidatura de Ratinho, a tendência é que o Paraná tenha importantes desdobramentos políticos. Talvez, o mais relevante seja um possível fim da aliança entre PSD e PL no Paraná, que teve repercussões importantes no estado com a eleição do prefeito de Londrina, Tiago Amaral (PSD), e de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), e seus respectivos vices do PL, Junior Santos Rosa e Paulo Martins.
Se confirmada a candidatura de Ratinho, o PL pode se aproximar da candidatura do senador Sergio Moro (União Brasil) ao governo do Estado, visando um palanque para Flávio Bolsonaro, confirmou uma fonte à FOLHA. Moro é o pré-candidato com melhor desempenho nos últimos levantamentos.
Na disputa pelo Palácio Iguaçu, o cenário também é incerto, uma vez que Ratinho ainda não decidiu se apoiará o secretário das Cidades, Guto Silva; o secretário do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca; ou o presidente da Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), Alexandre Curi. A permanência desses nomes no PSD também não é garantida. Curi, por exemplo, tem convite para se filiar ao Republicanos e é cotado como possível vice na chapa do ex-juiz da Lava Jato.
A corrida por uma vaga no Senado Federal também pode sentir reflexos dessas movimentações políticas. O deputado federal Filipe Barros (PL), que teve sua pré-candidatura a senador apoiada por Flávio Bolsonaro, também recebeu apoios públicos de Ratinho Junior nas últimas semanas. Se Moro for ao PL, naturalmente deverá apoiar o nome do partido na disputa.
E a direita?
O analista político Elve Cenci ressalta que, até a data final de confirmação das candidaturas, muita coisa pode acontecer. “Porém, o que é certo é que, em abril, Ratinho já não estará no governo do Estado. Neste momento, o projeto presidencial parece ser a primeira opção. Se falhar, sempre resta a vaga para o Senado. Se Ratinho for de fato candidato à Presidência, haverá uma ruptura no acordo feito com Bolsonaro para apoiar Filipe Barros ao Senado e na aliança que elegeu (Eduardo) Pimentel e Tiago Amaral às prefeituras de Curitiba e Londrina, respectivamente. A família Bolsonaro deixou claro quem será o seu candidato”, avalia.
Para Cenci, uma eventual candidatura a presidente de Ratinho tirará votos de Flávio Bolsonaro na chamada “direita moderada”. “Como consequência, poderá ser duramente atacado pela militância radical da extrema-direita”, acrescenta o analista.