Após participar de ato público com a presidente Dilma Rousseff (PT), o vice-presidente Michle Temer (PMDB) reuniu-se com os correligionários de Curitiba no diretório estadual do partido e disse que após o segundo turno das eleições presidenciais, promoverá uma reforma no PMDB, buscando a "unidade absoluta", em que as decisões nacionais terão de ser seguidas pelos diretórios regionais. "Nós vamos fazer só agora, depois do segundo turno, porque você sabe que não era tradição do PMDB, digamos assim, apenar aqueles que descumpriam as decisões. Não era tradição. Nós vamos fazer, organizar uma tradição, precisamente a partir desta eleição", disse o vice-presidente, destacando que, além das posições nacionais, a nova diretriz do partido exigirá o cumprimento das decisões regionais por todos os filiados. "Quando houver divergências nos Estados, e é claro que ela pode existir sob o foco eleitoral. Você vai lançar um candidato a governador e pode ter três pretendentes, mas depois que decidir-se quem é o candidato, o PMDB tem que se fechar em torno deste nome", disse, em referência ao que aconteceu na eleição no Paraná, onde parte do diretório não apoio a candidatura de Roberto Requião.
Questionado sobre a declaração do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, de que, em caso de vitória de Aécio Neves na corrida presidencial Temer teria de deixar a presidência do partido, o vice-presidente disse que houve exagero. Temer disse ver a situação do Paraná com maus olhos. "com maus olhos. Mas eu compreendo, porque na verdade o que tem acontecido no PMDB é essa, digamos assim, intolerância, ao longo do tempo, com esses movimentos divergentes. Por isso que logo após as eleições eu quero reunir o partido, evidentemente se eu for vitorioso, para unificar o PMDB com decisões nacionais".
Temer diz que só com essa unificação do partido será possível lançar uma candidatura viável à presidência da República em 2018. "Para fazer candidatura em 2018 o PMDB não pdoe fazer o que fez com o Doutor Ulysses Guimarães, o Orestes Quércia, quando deu a ele 4% dos votos, porque não era unificado. Para lançar um candidato em 2018, o PMDB precisa estar unificado, que é o que precisamos fazer", disse. "Quem não concordar com as novas regras, se acharem que devem sair, não terão nenhuma punição partidária", acrescentou.
Já o senador Roberto Requião, ao ser questionado sobre o fato de cinco dos oito deputados eleitos pelo partido terem declarado que apoiarão o segundo mandato de Beto Richa, foi ainda mais enfático. "Os que apoiarem o governador provavelmente serão expulsos do partido. Perdem o mandato. Os suplentes que se preparem".
Com informações da repórter Mariana Franco Ramos (Folha de Londrina)