Política

TSE barra campanha de Deltan Dallagnol na disputa pelo Senado no Paraná

20 set 2026 às 10:35

O cenário político paranaense registra uma decisão sísmica neste final de semana. Em decisão liminar, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) suspendeu a campanha de Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado. O ex-coordenador da Lava Jato está temporariamente impedido de utilizar recursos públicos e realizar propaganda eleitoral.


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A medida atende a uma ação movida pela Federação Brasil da Esperança, composta pelo PT, PCdoB e PV. O ministro relator, Floriano de Azevedo Marques, argumentou que o TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) agiu contra o entendimento já firmado pelo próprio TSE ao liberar a candidatura do ex-procurador.


Com a decisão, que vale até o julgamento do recurso pelo plenário do TSE, Dallagnol está impedido de receber ou utilizar recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha,  veicular propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão e realizar atos de campanha, incluindo a participação em debates e pedidos de votos.


O ministro Floriano de Azevedo Marques justificou a medida afirmando que a manutenção da candidatura poderia causar "efeitos disturbadores do processo eleitoral". Ele ressaltou que, como o Paraná elege dois senadores em 2026, a presença de um candidato inelegível poderia alterar definitivamente o resultado do pleito, induzindo o eleitor a combinações de votos que não faria de outra forma.


Antes da decisão do TSE, Deltan Dallagnol liderava a disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Paraná. De acordo com o levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado na última sexta-feira (18) — apenas dois dias antes da suspensão —, o cenário era o seguinte:


Deltan Dallagnol (Novo): 31,6%

Alexandre Curi (Republicanos): 30,4%

Filipe Barros (PL): 26,3%

Gleisi Hoffmann (PT): 25,9%

- Cristina Graeml (PSD): 14,8%

Dr. Rosinha (PT): 12,5%

Outros candidatos (Marcelo Marcelino, Joaquim do MLB, Karen Guerreiro): entre 1,3% e 0,9% cada


A pesquisa (PR-01022/2026) foi realizada entre 15 e 17 de setembro, tem margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Vale lembrar que em 2026 cada eleitor vota em dois candidatos diferentes para o Senado. Agora, a expectativa fica com relação à atualizações desses números após ocorrido.


O que diz a defesa de Dallagnol


A defesa do candidato do partido Novo informou que irá recorrer da decisão. Em nota veiculada pela Band, Deltan Dallagnol afirmou que a discussão central envolve a previsibilidade e a igualdade das decisões judiciais. Ele também criticou a suspensão, alegando "uma decisão individual" sobre o processo corria sob sigilo.


A inelegibilidade de Dallagnol tem origem no entendimento do TSE de que ele teria cometido fraude contra a Lei da Ficha Limpa ao pedir exoneração do Ministério Público Federal 11 meses antes das eleições, enquanto enfrentava processos internos. A expectativa, segundo o tribunal, era de que esses processos resultassem em demissão ou aposentadoria compulsória.

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