A filósofa, poeta e psicanalista Viviane Mosé encerra a programação do Festival de Dança de Londrina 2026 neste sábado (31), com o espetáculo “Um sim à vida”. A montagem, que já passou pelo Festival do Rio e pelo Festival de Teatro de São Paulo, combina filosofia, poesia, teatro e dança para abordar a existência humana, suas fragilidades e a relação entre o corpo e o pensamento.
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Na peça, Mosé relaciona a história da vida na Terra à trajetória poética de uma pessoa comum. O espetáculo contrapõe a imensidão do universo e a infinitude à dor humana de existir, marcada pela finitude e pela solidão, aproximando o discurso filosófico da narrativa poética e da arte do movimento.
Com duração de uma hora e quarenta minutos, a apresentação tem classificação indicativa de 14 anos. Os ingressos estão à venda pelo Sympla, a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).
O espetáculo tem origem nos estudos de Viviane sobre o filósofo Friedrich Nietzsche e propõe uma crítica à racionalidade. A montagem explora o conceito de “pensamento-corpo”, que envolve os afetos, a presença e a valorização do momento presente.
“Esse trabalho tem duas dimensões: de um lado, eu trago um discurso filosófico que valoriza o corpo, o presente, o agora, o instante, os afetos; mas ao mesmo tempo, eu apresento minha vida pessoal que está em um dos meus livros ‘Meu Braço Esquerdo’, em que eu trago dores muito profundas e o modo como eu pessoalmente posso lidar com essas dores”, explica.
A montagem entrelaça duas obras da autora: “Meu braço esquerdo: um sim à vida” e “A espécie que sabe: do homo sapiens à crise da razão”. A proposta é promover uma reflexão sobre a condição humana, sua fragilidade, lucidez e capacidade de existir, por meio do encontro entre diferentes linguagens artísticas.
“O espetáculo resulta de uma junção entre uma experiência pessoal de vida, que nesse caso, é a minha vida, que poderia ser outra mas que está ali como uma vida comum; e a existência humana na sua amplitude, na sua imensidão. O objetivo maior é fazer com que as pessoas, e também eu que estou no palco, que a gente possa estar juntos numa experiência do pensamento, eu chamo isso de pensamento-corpo que está relacionado a dança, porque é como se o espetáculo inteiro fosse uma ode a dança e a síntese disso é que não podemos controlar a vida, mas podemos seduzi-la, tirá-la pra dançar. Esse é o centro do espetáculo e leva as pessoas a uma percepção diferente, a uma sensação e não só um conceito sobre a vida. Isso é ‘Um Sim à Vida’”, afirma Viviane Mosé.