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Mercado em expansão

Construtoras apostam em condomínios para classe média

Leila Menechino - Especial para Folha
12 mar 2010 às 11:38
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Os anseios do consumidor de classe média impulsionam o crescimento de um segmento específico no mercado da construção civil em Londrina. Na oitava cidade mais verticalizada do mundo, a nova aposta é nos condomínios horizontais e voltados para a classe média. Pipocam em outras regiões da cidade, além da região sul - famosa pelo grande número de condomínios de luxo, outros perfis de empreendimentos. Destinados à chamada classe C, os condomínios se destacam na Zona Leste e na Zona Norte, com terrenos em média de 250 metros quadrados e custo do imóvel em torno de R$ 150 mil, financiáveis em suaves prestações e com taxa de administração mensal mais acessível ao orçamento.

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O empresário Manoel Francisco, de 53 anos, vive a expectativa de mudar para a casa nova, no Condomínio Residencial Bela Vista, no Conjunto Alto da Boa Vista, Zona Norte. O sobrado deve ficar pronto em maio. Porém, orgulhoso, ele já mostra os cômodos em fase de acabamento. ''Aqui é o local ideal para mim'', comenta ao olhar para a vista proporcionada pela localização do imóvel. O sobrado tem 125 metros quadrados de área construída, três quartos (uma suíte e uma demisuíte), sacadas, sala ampla, garagem para dois carros e quintal onde será a churrasqueira. O condomínio, dividido em 41 lotes, vai oferecer piscina e churrasqueira na área comum.

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Além da segurança e da taxa de manutenção acessível (R$ 60,00), dois fatores influenciaram na decisão de Manoel. O primeiro, é que a casa, como diz a expressão ''chave na mão'', é vendida pronta. ''É melhor que construir, não tem dor de cabeça'', comenta. Outro fator foi a preferência pela Zona Norte, onde morou durante 30 anos, no conjunto Vivi Xavier.


A Construtora Curió, responsável pelo condomínio onde vai morar Manoel, é especializada em condomínios fechados residenciais na Zona Norte. Construiu nos últimos anos dez condomínios nas proximidades do Autódromo Ayrton Senna. No Conjunto Alto da Boa Vista já planeja o próximo condomínio. ''Atendemos um público de classe média, com faixa de renda entre dois a três mil reais'', explica o gerente da construtora, Marcelo Ferrano. Segundo ele, a construtora identificou a demanda na região, valorizada. Investir em imóveis ali ''é comprar e esperar seis meses para ganhar dinheiro'', afirma.


Por sua vez, para o imobiliarista Raul Fulgêncio, ''a região leste é uma grande surpresa'', porque é a iniciativa privada que têm investido na expansão de condomínios fechados, atraída por outros empreendimentos de grande porte e pela instalação do campus da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR). As proximidades da Avenida São João e da Avenida dos Pioneiros, além dos arredores do Hospital Universitário, são centros polarizadores desse tipo de investimento. ''A região sul, é claro, tem mais visibilidade, mas a cidade está crescendo para todos os lados'', observa o empreendedor. Ele avalia que essa característica, os chamados pólos de expansão, são típicos de cidades em processo de crescimento urbano.

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Celso Roberto Vignadellle, gerente da CRV Imobiliária, aponta um outro motivo para a tendência no segmento. ''Os incorporadores perceberam que as classes A e B já compraram e as vendas estagnaram, então partem para atender a classe C''. Os destaques, para ele,as regiões mais promissoras são a sul, norte e leste. ''Os condomínios já estão por todos os cantos da cidade e há projeções para novos lançamentos'', assegura.


Segurança e qualidade de vida movem escolha


A sensação de insegurança na cidade é o principal fator identificado por empreendedores e consumidores como decisivo na hora de fechar o negócio. Num segundo plano, aparece a qualidade de vida, representada pelas áreas comuns de lazer construídas dentro dos muros dos condomínios.


O advogado Paulo Rogério Hegeto de Souza está entre os compradores da primeira leva de condomínios fechados horizontais da Zona Leste. Ele mora com a família desde janeiro de 2006 no Golden Park, empreendimento da Teixeira Holzmann. Com a chegada das crianças, precisou trocar o apartamento por uma casa com mais espaço. E não teve dúvidas ao optar pelo condomínio. ''Tenho espaço e conforto de uma casa com a segurança do apartamento, porque as crianças podem brincar na rua, andar de bicicleta sem medo de atropelamento ou assalto'', comenta satisfeito. Ele garante que o custo de morar no condomínio é acessível e que o valor da taxa de manutenção não acrescenta gastos ao orçamento. ''Levando em conta que temos na área comum piscina, por exemplo, o custo com a manutenção, se fosse individual, seria maior que no condomínio'', compara.


O diretor da Teixeira Hozmann, Marcos Hozmann, lembra que o lançamento do empreendimento foi um sucesso. ''O Golden Park vendeu 65% dos lotes no primeiro final de semana'', revela. A empresa, conhecida por apostar no segmento de condomínios de alto padrão, da linha Royal, também vê potencial em condomínios de classe média, que são os produtos da linha Golden. ''Não há distinção entre os espaços de lazer e áreas comuns, mas os terrenos menores atraem o público da classe média'', explica. De acordo com Hozmann, há uma demanda reprimida também na classe média por casas com segurança.

Uma pesquisa de geomarketing realizada pela empresa está em andamento e já identifica que o chamado ''desenvolvimento mental'' da cidade, ou seja, o desejo de investidores e consumidores no mercado da construção civil, apesar de centrado na Zona Sul, também inclui outras regiões. ''O potencial de valorização naquela região foi extraordinário, mas também identificamos no estudo uma demanda na região norte e leste, porque há uma evolução econômica nessas regiões e, ao mesmo tempo, uma forte relação de vínculo com os bairros de origem''.


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