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Cuidado: aquecedores solares ainda apresentam falhas

Folha Casa & Conforto
31 dez 1969 às 21:33

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O mercado brasileiro de aquecimento solar cresceu cerca de 32% no último ano, acima da média mundial, que é de 20%. Mesmo assim, o Brasil ainda ocupa o 22º lugar no ranking dos países que usam aquecedores solares, de acordo com dados da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava). A estimativa é que 730 mil famílias utilizam aquecedores solares, o que corresponde a 1,5% das residências brasileiras.

Embora com crescimento acelerado, o mercado brasileiro ainda está se adaptando ao uso de energia solar para aquecimento de água. E apesar de existir muitos fabricantes capacitados, ainda há vários problemas relacionados a produtos e à instalação, que podem comprometer a eficiência do sistema.

Segundo o professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli-USP, Racine Tadeu Araujo Prado, as questões que mais prejudicam o funcionamento dos sistemas de captação de energia solar no Brasil são as falhas na orientação e na inclinação dos coletores; os problemas com o isolamento térmico dos reservatórios; e os erros no dimensionamento dos componentes, como tubulação com comprimento e curvas inadequados.

Em resumo, são falhas de projeto, de dimensionamento, de instalação e, muitas vezes, de componentes sem a qualidade necessária para fazer o sistema funcionar de maneira adequada. ''Esses problemas ocorrem em função de uma diversidade de fatores, começando pela ausência de um local com área suficiente para a instalação dos coletores, falta de conhecimento dos princípios de funcionamento do sistema e erros grosseiros de instalação'', explica o professor da Poli. A soma desses aspectos negativos acaba não aquecendo a água conforme o esperado, e o consumidor se decepciona com o sistema.

''É comum encontrarmos problemas de isolamento térmico nos coletores solares, tubulações e reservatórios, causados pelo uso de material isolante inadequado ou até por ausência de isolação térmica'', explica Prado. Dessa maneira, a manutenção da temperatura da água aquecida pelo sol fica comprometida. ''Muitas vezes são utilizadas tubulações com curvas em ''U'' invertido, o que impede a água aquecida de subir ao reservatório.

A recomendação do professor é adquirir o sistema de aquecimento solar de empresas idôneas e reconhecidas no mercado, que podem oferecer boas opções de equipamentos, projeto adequado e instalação com mão-de-obra qualificada. ''O problema é que o mercado possui empresas, de cunho mais artesanal, que ainda não estão aptas a fornecer boas opções tanto de sistemas como de instalação'', alerta Prado.

O sistema mais comum utilizado em residências é o passivo, de convecção natural ou termossifonagem, composto pelas placas coletoras, reservatório e tubulações. As placas coletoras absorvem o calor do sol, que é transferido para a água que circula em seu interior, dentro de serpentinas de cobre. Essa água aquecida é direcionada por tubulação para o reservatório térmico (boiler), um cilindro de cobre e de outros materiais, isolado termicamente, que conserva a água aquecida.

A economia de energia elétrica oferecida pelo sistema de aquecimento solar, estimada pelo professor da Poli, é dada pelo seguinte exemplo: se o aquecimento de água representar 30% do consumo de energia elétrica de uma casa popular, e o sistema solar fornecer 80% da energia para aquecer água, então a economia na conta de luz chega a 24%.

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Fonte: Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP ([email protected])

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