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EROS - O DEUS DO AMOR

31 dez 1969 às 21:33
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Eros aparece pela primeira vez na Teogonia de Hesíodo. E aí ele é descrito como o mais belo de todos os deuses. Seu ardor seria capaz de subjugar todos os corações de modo a triunfar sobre todo e qualquer bom senso. Assumindo assim, seu reinado do amor e do desejo.

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Primeiramente, ele foi descrito como filho de CAOS, portanto era tido como deus primordial, de força ordenadora e unificadora, pois seu poder unia os elementos para que passassem do caos à organização.


Em tradições posteriores, foi apresentado como sendo filho de Afrodite e de Zeus ou de Hermes ou de Ares, conforme as diversas versões. E como filho de Afrodite, foi também seu amante. Posteriormente, veio a se casar com Psique. E é nessa história que temos a oportunidade de ver um Eros em toda sua pujança como sendo aquele que cria e mantém vínculos. Ao contrário de sua mãe e amante Afrodite, que vem para instigar a união e de modo poético, apresentar as almas que podem ou não vir a se unir após a efêmera apresentação.


Em Platão, Eros é tido como filho de Poros que significa expediente e de Pínia que significa pobreza, daí que na essência do amor existe sempre a falta de algo que incita a uma eterna busca e constante insatisfação.


Em Roma, Eros foi identificado como Cupido. Os grandes artistas da época o representavam como um homem robusto, belíssimo e viril. Com o passar do tempo, foi sendo representado nessas pinturas, cada vez com menos idade até que no Período Helenístico, Eros foi retratado como um menino alado carregando arco e flechas para ferir os corações dos humanos. Essa condição de infante foi mantida no Renascimento e nos chegou dessa forma.

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Hoje ele não passa de um bebê ainda envolto em fraldas, brincando de arco e flechas e fazendo mil e uma traquinagens nos corações humanos.
O Amor está completamente descaracterizado em nossa época. É infantil, inconseqüente e por ser apenas uma criança, é egoísta e autocentrado. O amor, em nossos dias, não encontrou sua maturidade.


Isso apenas sugere que o amor foi através dos tempos se banalizando e que o deus Eros, aquele que o representa, foi cada vez mais sendo retratado de acordo com tal banalização.


Olhando para a história de Eros, é possível constatar que o élan afetivo foi se perdendo através dos tempos até se tornar uma mera e estúpida brincadeirinha.
Com isso temos que as pessoas tornaram-se menos potentes no quesito "afetivo".


Não se acredita em deuses, mas que "ay, ay". Porém, eles não estão nos céus. Desceram pelo fio de Ariadne que após ter sido redimida em sua dor por Dioniso, subiu aos céus e de lá "pariu" todos os deuses cá para a Terra.


Esses deuses são figuras arquetípicas que se impõem em nossa psique sem que tenhamos dado permissão. Afinal, eles são deuses.


Inconscientemente e às vezes até conscientemente, sofremos de Eros Infantil.
O mundo está agora parecendo um Parque Infantil de Crianças Velhas e de Adultos Infantilizados.


O vínculo afetivo próprio dos poderes de Eros, mas daquele Eros viril e homem feito, desapareceu no pequeno Cupido. Este é apenas um brincalhão.


Se antes tínhamos a possibilidade de um relacionamento adulto e de bom senso, hoje nossa possibilidade é de relações efêmeras, sem vínculo afetivo e ou no máximo, relações capengas que estão sempre recaindo em deslizes infantis causando dor e sofrimento através de obsessões, manipulações, disfarces, compulsões, controle e outros padrões neuróticos.


Não é que não encontraríamos esses padrões em relacionamentos maduros. São encontrados, mas também são denunciados como inadequados e impróprios para a continuidade da relação. Já nas relações infantilizadas, esses mesmos padrões são tidos como adequados e por vezes são até exigidos. Num certo sentido, ocorre um orgulhar-se em ser psicologicamente doente.


Os valores estão deturpados. Deixamos de nos orgulhar de um amor viril e pujante para nos ater a um amor criança e cheio de ardis manipuladores.


E para lembrar aqui de um grande psiquiatra de nossa época, o Dr. Gaiarsa dizia:
"Quem não se envolve, não se desenvolve".
Brincar sozinho não faz bem a nenhuma criança.

Perceber os jogos infantis de Cupido, impor os devidos limites e resgatar a força de Eros em nossas relações, parece ser o grande desafio de nossos tempos.


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