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O JULGAMENTO FEITO POR PARIS

31 dez 1969 às 21:33
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O JULGAMENTO FEITO POR PÁRIS

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Há muito, muito tempo atrás, surgiu no Olimpo uma disputa entre as deusas Hera, Atena e Afrodite. Queriam saber qual delas seria a mais bela.
Éride, a discórdia, se apressou em ofertar uma maça de ouro àquela que fosse eleita. Porém, nem mesmo o deus do Olimpo, Zeus, se atreveu a fazer tal julgamento por temer a ira das perdedoras.


Quando, enfim, lhe perguntaram, Zeus elegeu Páris, o mais belo príncipe troiano, para que fosse o juiz.


Assim, Hermes, o deus mensageiro do Olimpo, foi encarregado de levar as deusas à presença de Páris.
O jovem príncipe descansava no campo quando as deusas chegaram e lhe explicaram do que se tratava o concurso.


É claro que não se tratava apenas de um concurso de beleza, pois as três deusas eram radiantemente belas e Páris teria de julgar também de acordo com os respectivos caracteres. Por outro lado, cada uma das deusas ofereceu ao príncipe um presente caso fosse a eleita.

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Hera lhe ofereceu a Coroa do Mundo e todo o poder por ela emanado. Atena lhe prometeu outorgar-lhe a sabedoria equiparada a de Zeus. Por último, Afrodite lhe prometeu Helena, a mulher mais bela do mundo mortal, esposa de Menelau e rei de Esparta.


Páris sabia estar em apuros diante de tal decisão. Duas delas seriam suas inimigas. Mas, não poderia escapar da grande ira do deus do Olimpo caso não se submetesse ao seu pedido.


Depois de muita contenda consigo mesmo, Páris escolheu Afrodite que se tornou sua protetora para o resto da vida.


Atena e Hera, ressentidas com a escolha, juraram vingança o que, posteriormente, culminou na destruição de Tróia.



A BELEZA DE CADA DEUSA


Na Mitologia grega Hera possui dois aspectos contrastantes: foi solenemente reverenciada como a deusa do casamento e dos compromissos e foi difamada em Homero como víbora vingativa, briguenta e ciumenta.


O poder, ou melhor, a potência de Hera está no sentimento, uma das funções da psique. Como imagem de nosso interior, Hera representa a função sentimental que é uma das maneiras de ver a vida e de julgar os acontecimentos e as pessoas. Um julgamento que se utiliza mais do instinto e da natureza em detrimento da vontade e do intelecto.


Atena, nascida da cabeça de Zeus, é a deusa da sabedoria e das artes. Deusa das estratégias em tempo de guerra e das artes em tempo de paz. As habilidades bélicas e domésticas associadas nessa deusa envolvem planejamento e execução o que requer pensamento intencional. Portanto, Atena é a deusa que representa uma outra função da psique: o julgamento pelo pensamento que valoriza a vontade e o intelecto sobre o instinto e a natureza.


O julgamento feito através da função sentimental, prioriza o parentesco, a amizade, os sentimentos que existe em relação ao fato ou à pessoa em questão.


Exemplo: se caso uma pessoa sentimental possuir na sua empresa um funcionário que falte ao trabalho e que não desempenhe suas funções, mas que é uma pessoa amiga e simpática, esse dono de empresa, provavelmente, não irá despedi-lo mesmo que isso acarrete desmotivação aos demais funcionários.


Já o julgamento feito através da função pensamento como prioriza o objeto e não o sujeito, no mesmo exemplo, irá despedir o funcionário mesmo que este seja a senhora sua tia.


Como se vê, tanto um julgamento quanto o outro pode tornar-se cruel e ou partidário. O sentimento vê o pensamento como frio e o pensamento vê o sentimento como imbecil.


Caso deixemos o mundo se tornar sentimento, este sucumbiria em guerras partidárias onde a imagem de Deus serviria egoisticamente aos desejos de cada grupo ou nação...Ops! Isso já não está acontecendo?


No entanto, caso o mundo se tornasse pensamento, os valores sentimentais desapareceriam e o mundo viraria uma folha de papel que poderíamos amassar e jogar no lixo.


Páris fez a melhor escolha. Pois, é necessária uma outra função psíquica para que o julgamento possa ser descartado a fim de oportunizar a transformação criativa, a qual permanecendo assim é chamada de vida.


Essa outra função chama-se função alquímica, aqui representada pela deusa Afrodite eleita por Páris.


A nossa saúde psíquica depende do entrelaçamento entre o pensamento e o sentimento.


Afrodite é a deusa do amor e da beleza. Representante do ímpeto que assegura a continuação da espécie. Ela é uma tremenda força para a transformação. Em referência a Jean Shinoda Bolem: "através dela fluem atração, união, fertilização, incubação e nascimento de uma nova vida". Essa seqüência apontada por Bolen, acontece tanto na união entre um homem e uma mulher quanto em todos os processos de criatividade.


Ao contrário de Hera e Atena, Afrodite não representa função julgadora. Afrodite é uma deusa alquímica. Representa função transformativa e criadora, a imagem interna do acolhimento às forças e às potências.
A inexistência de julgamento traz em si mesmo a visão do outro e dos acontecimentos livres da moral normativa.


Se é que há julgamento ele é feito pela categoria de força, de potência e não pela categoria moral.


Exemplo disso é a raiva. Em Afrodite, a raiva é vista como uma força natural que tanto pode matar quanto pode ser utilizada para abrir novos caminhos e seguir em frente após os reveses. Ou seja, a raiva em si mesma não é boa nem má, é uma potência que o ego utiliza de modo consciente ou inconsciente.


No primeiro caso, o ego se fortalece e vai a luta aplicando sua potência em ação criativa e regeneradora.


No segundo caso, o ego se enfraquece e provoca lutas e dissabores através de inveja e mesquinharias. Buscando tirar vantagens se torna corrupto e corruptível.


Quanto mais inconscientes essas forças, mais o ego se torna agressivo em circunstâncias gerais do cotidiano. Usa de agressividade até para dar "bom dia"!. Ou seja, a agressividade aparece sempre de modo desproporcional ao fato.


Afrodite Alquímica, percebe a força que reside no outro e arma estratégias que visam trazer para a consciência a força e potência do outro. Antes de fazer qualquer julgamento, explora as forças dos desejos e aponta possibilidades ou traçados novos para fluir de modo a acrescentar para o sujeito e para seu meio.


O JULGAMENTO DOS COLEGAS


De acordo com a ética, os Psicólogos não devem fazer julgamentos.


Teriam de utilizar sua função alquímica para o acolhimento sem qualquer julgamento moral. Mas, hoje os psicólogos formam "tribos", inclusive "tribos" religiosas o que impede, por excelência, qualquer trabalho de transformação criativa dentro dos consultórios.


Em seu lugar existe uma "cartilha" de "boa" e de "má" conduta em que os pacientes deverão se adequar. Quanto mais o paciente segue a cartilha mais ele estará recebendo bons estímulos para seguir adiante na "decoreba" da lição do mal e do bem. O que, aliás, compete aos religiosos e não aos Psicólogos.


Completamente em desacordo com as lições de Freud!
Freud só descobriu que histeria não era uma possessão demoníaca por que antes acolheu, sem julgamento. E tal qual o trabalho alquímico em Afrodite transformou a possessão em uma doença passível de cura.


Será mesmo que os terapeutas desta história estudam? Teriam eles o preparo necessário para a formação clínica?


Os psicólogos que buscam fazer seu trabalho de acordo com a ciência da Psicologia e que, portanto seguir a teoria de há muito concebida por um dos grandes nomes como Freud ou Jung, são tachados, por esses psicólogos agressores e com teorias próprias, de fazerem "terapia de choque". Numa clara intenção de não apenas agredir como desmerecer o trabalho alheio.


De qualquer modo, a "terapia de choque", (nova nomenclatura dada por psicólogos que não pretendem serem honestos e nem tão pouco científicos ou ao menos éticos), foi inventado por ser uma terapia que se baseia em teorias científicas de grandes nomes como Freud, Jung e outros.


Não apenas é eficiente como fornece diagnóstico e prognóstico, o que não acontece em terapias que não possuem forte escopo científico e que apenas se dizem estudiosos de algum dos grandes nomes da Psicologia.


Nessas terapias sem embasamento teórico científico, ocorre uma mistura de complacência e reticências que em três anos o paciente ainda não sabe de seu diagnóstico, nem o psicólogo e depois de três anos, já estão todos tão adaptados à dinâmica que construíram que não vêem mais necessidade nem de diagnóstico e nem de prognóstico. Vão levando!


No entanto, a "terapia de choque" é alquímica!


Nela, o profissional tem formação clínica. Formação clínica não é o mesmo que acadêmica ou empresarial. Na formação acadêmica, o profissional optou por seguir carreira de professor. Mantém também um consultório por que assim ganha mais um pouco.


O psicólogo de empresas optou por trabalhar em Recursos Humanos fazendo recrutamento e seleção e outras coisas mais. Se ele mantém um consultório é por que pretende ganhar mais um pouco.


O psicólogo clínico que sofre assédio moral por parte dos próprios colegas de profissão, que deveriam ter alguma ética, este fez uma formação clássica em Psicologia Clínica, a saber:


1.Cinco anos de terapia pessoal;
2.Três anos de terapia didática;
3. Mais três anos de supervisão depois da Faculdade, ou seja, com um psicólogo formado e de prática extensa naquela teoria que tenha escolhido.
4.E, não pára por aí, por que um Psicólogo Clínico, o qual recebe a agressão de fazer uma "terapia de choque" por parte de alguns outros psicólogos, ainda continua fazendo supervisão e terapia de apoio. Sabe por que? Porque trabalhar com a mente das pessoas é um assunto muito sério e que requer muito preparo. Preparo constante!


Portanto, sugiro aos colegas que estudem mais e que se preparem também para fazerem uma terapia que seja digna de um profissional da área de Psicologia. Ou que ao menos tenham um mínimo de conhecimento para apreciar o profissional que sobrevive, por opção, apenas de clínica e que não apenas se preparou para isso, como mantém seu preparo através de estudos e de supervisões por profissional que também optou e tem sua formação em clínica.

Citação de Jung: "O homem de hoje, que se parece mais ou menos com o ideal coletivo, transformou o seu ‘coração’ num antro de criminosos (como se pode facilmente provar pela análise de seu inconsciente), ainda que não se sinta nada mal com isso. E, enquanto estiver ‘normalmente’ adaptado ao meio, é certo e sabido que nem a maior infâmia praticada pelo seu grupo o perturbará".


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