Moda e Beleza

Cresce procura por cirurgia plástica no bumbum

31 dez 1969 às 21:33

Nos últimos dez anos, a cirurgia plástica se tornou mais popular e acessível. O recente ‘boom’ das cirurgias de aumento dos seios com implantes de silicone ajudou a desmistificar os procedimentos para os pacientes e até para os próprios médicos.

Mas, um novo filão da cirurgia plástica está ganhando a simpatia das brasileiras e curitibanas, talvez, inspiradas por um dos novos símbolos sexuais da televisão brasileira: Andressa Soares, a ‘Mulher-Melancia’.


No Centro Médico Athena, em Curitiba, houve um aumento de 1.200% na procura pelo procedimento. ‘Antes, tínhamos duas cirurgias dessas ao ano. Hoje, fazemos duas por mês. É um grande aumento, mas acredito que esse segmento pode crescer ainda mais’, relatou a cirurgiã plástica Ana Zulmira Diniz Badin, organizadora do 8º Curso Internacional de Videoendoscopia em Cirurgia Plástica e Procedimentos Mínimos Invasivos realizado, em Curitiba, no último final de semana.


O aprimoramento da técnica – que agora implanta as próteses por meio de um único corte de três a quatro centímetros na linha interglútea (a linha formada entre as nádegas), próximo ao cóccix – também ajuda a atrair mais interessadas.


Para Ana Zulmira, a procura só não é maior porque os médicos ainda não têm todo o domínio do procedimento. ‘Dos cerca de 200 cirurgiões plásticos em todo o Estado, acredito que apenas uns dez fazem a operação de glúteos’, estimou.


A cirurgiã conta que um dos motivos de existir uma certa relutância da parte dos médicos em realizar o procedimento é o fato de a prótese ser implantada abaixo do músculo, o que envolve o risco de atingir um osso. ‘Por isso, os cirurgiões brasileiros que fazem o procedimento são convidados para atuar em muitos outros países. Os médicos europeus, por exemplo, gostam do resultado, mas, praticamente, nenhum opera’, conta Ana Zulmira.


Cleonice (que preferiu não revelar o sobrenome), 52 anos, colocou próteses de 270 mililitros com a cirurgiã Ana Zulmira, há três anos. Ela achava que, por ser de descendência indígena, tinha pouco glúteo, o que ficava desarmonizado com os seios grandes e as coxas grossas.


‘Minhas filhas foram contra a minha decisão. Mas, depois de pronta, elas aprovaram o resultado. E ficou tão natural que ninguém percebe’. Ela diz que nem mesmo os namorados que teve após a mudança sentiram alguma diferença e tem conseguido manter o segredo até das amigas mais próximas.


‘Aconteceu uma coisa ótima em uma das primeiras vezes que saí na rua depois da cirurgia. Um rapaz gritou – ‘ô bundão’ – nem vi quem era, mas me senti muito bem’, conta Cleonice.


Segundo ela, a cicatriz sumiu, o que a permite, agora, usar até um biquini fio dental. No entanto, o período pós-cirúgico, segundo ela, foi muito dolorido. ‘Mesmo já tendo feito outras cirurgias como plástica no nariz, lifting e retirada do útero, essa foi a que mais sofri’, avaliou.


De acordo com Ana Zulmira, a recuperação da cirurgia é simples. A paciente deve dormir de bruços nos primeiros dias, não praticar exercícios pesados, nem tomar sol por um mês e usar um modelador pelo mesmo período. A pessoa pode sentir um pouco de dor de acordo com o tamanho da prótese – que varia de 270 ml a 330 ml – e rigidez da musculatura.


A cirurgiã plástica Léa Mara Moraes, membro-titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, também realiza a técnica em Curitiba. Ela conta que a maioria das mulheres que a procura para fazer o aumento de bubum é jovem e magra.


‘Seja para por a prótese de silicone ou para fazer uma lipoescultura e corrigir algumas imperfeições da área, o que todas essas mulheres querem é harmonizar o contorno corporal. É vaidade, mas é acima de tudo uma tentativa de aumentar a auto-estima’, pondera.


Cleonice concorda, afirmando que até a sua postura melhorou. ‘Como eu passei a me sentir mais bonita, minha auto-estima melhorou e comecei a andar melhor’, conta.


‘As mais jovens e magras podem fazer somente o implante das próteses. Para quem tem mais idade ou está acima do peso, recomendamos uma associação de técnicas, que pode envolver, também, uma lipoaspiração na cintura e no culote’, explica Ana Zulmira.


Apesar da fama internacional de ter glúteos firmes e avantajados, Ana Zulmira afirma que muitas brasileiras fogem do esteriótipo. ‘Essa característica está ligada, especialmente, a quem tem alguma descendência negra. Eu acho que as mulheres do Rio de Janeiro e da Bahia têm os bumbuns mais bonitos, aquele ideal de Juliana Paes. Mas a origem européia das brasileiras do Sul, com certeza, não favoreceu esse aspecto físico’, descreveu.


Aumento de seios ainda lidera ranking


Apesar do avanço nas cirurgias para aumentar glúteos, a médica Léa Mara Moraes lembra que o número de implantes de próteses de silicone nos seios ainda é dez vezes maior. ''Há dez anos, fazíamos muita cirugia para redução das mamas. Hoje, quase ninguém mais faz isso. A maioria das mulheres quer aumentar os seios, mas busca um resultado natural, para ter mais proporcionalidade com o tórax e com o resto do corpo'', conta.


A técnica, também, evoluiu. Agora, deixa apenas uma pequena cicatriz nas axilas, as próteses estão mais resistentes, garantindo uma vida útil mais longa, e aumentou a segurança através da videoendoscopia (operação com o auxílio de câmera filmadora).


Apesar de mais acessível financeiramente - algumas clínicas parcelam o valor da intervenção em várias vezes - Léa Mara enfatiza que é importante não banalizar a cirurgia plástica.

''A pessoa não pode ir atrás somente de preço. Ela tem que ver se o local do procedimento é apropriado e o se o médico tem credenciamento'', recomendou. O site do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) tem uma lista dos médicos habilitados e ativos como cirurgiões plásticos.


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