A Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional São Paulo (SBD-SP) reforça a recomendação da necessidade de avaliação de um dermatologista antes de se submeter a sessões de bronzeamento artificial. A orientação segue o alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS), que recentemente elevou o nível de risco de câncer de pele por exposição aos raios UVA das câmaras de bronzeamento artificial. O alerta da OMS baseia-se na revisão de 20 estudos científicos realizada por especialistas de nove países, que concluíram que o risco de câncer de pele aumenta em 75% no caso de a exposição à radiação UVA das lâmpadas das cabines ocorrer antes dos 30 anos.
Segundo Flávia Addor, diretora de comunicações da SBD-SP, os estabelecimentos que oferecem este serviço devem manter um dermatologista para avaliar se a pessoa tem ou não condições de realizar as sessões de bronzeamento artificial. "É fundamental que a pessoa tenha acesso a orientações e esclarecimentos de um especialista, que irá fazer a avaliação e informar sobre os riscos de danos à pele, seja o fotoenvelhecimento ou câncer de pele", comenta a dermatologista. A SBD-SP já adota há algum tempo a postura de cautela com relação à técnica de bronzeamento através de lâmpadas de UVA, seguindo as orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo Sérgio Schalka, dermatologista e também diretor da SBD-SP, a técnica proporciona uma exposição repetida aos raios UVA, responsáveis pelo bronzeamento da pele e também pela produção de radicais livres. Seu acúmulo no organismo é a principal causa do fotoenvelhecimento e constitui um fator importante para o aparecimento do melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Ele destaca que as câmaras de bronzeamento artificial surgiram na Europa e Estados Unidos, onde os longos períodos de inverno justificariam o interesse por esse tipo de procedimento, mas num país tropical como o Brasil, com sol quase o ano todo, isso não faz muito sentido.
De acordo com o especialista, para obter o mesmo bronzeado de uma exposição ao sol, quem se submete às sessões de bronzeamento artificial está exposto a uma quantidade de energia muito maior. Além disso, há pouco controle sobre o uso dessas máquinas para fins estéticos, ao contrário dos equipamentos que também utilizam lâmpadas UVA, mas para tratamento de doenças como o vitiligo e psoríase. "Nesse caso, a aplicação é precisamente controlada pelo dermatologista e o tempo de exposição é mínimo, justamente para evitar qualquer tipo de dano para o paciente", diz.
Durante a exposição ao sol, a pele fica exposta a dois tipos de raio: UVA e UVB. Apenas os raios UVB causam as queimaduras, portanto, o fato de a pele não ficar vermelha, não significa que não sofreu a ação danosa da radiação UV. Os raios UVA, emitidos pelas câmaras de bronzeamento, parecem não causar problemas por não causarem queimaduras, mas danificam profundamente a pele.
Sobre a SBD-SP
A Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional do Estado de São Paulo (SBD-SP) é uma entidade médica sem fins lucrativos, organizada com a finalidade de fomentar a pesquisa, o ensino e o aprimoramento científico da dermatologia como especialidade médica.