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Diversos motivos

Cada vez mais mulheres de classes altas preferem ter filhos sozinhas

Victória Pacheco - Folhapress
11 dez 2023 às 17:47
- Julia M Cameron/Pexels
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Encontrar um parceiro, casar-se e ter filhos. Por séculos, esse roteiro de vida norteou a existência feminina. Agora, porém, com os graduais avanços da igualdade de gênero no mercado de trabalho e o desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida, algumas mulheres optam por fugir do script clássico.


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"Geralmente, as pacientes que buscam tratamentos para se tornar mães solo estão na faixa dos 35 aos 45 anos de idade, alcançaram destaque na profissão e têm elevado nível de escolaridade", observa Dani Ejzenberg, médico especialista em reprodução assistida.

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Segundo ele, nos últimos anos houve um aumento na procura por métodos como a inseminação artificial e a fertilização in vitro por mulheres com esse perfil. "Elas já representam de 5 a 10% do total de pacientes que atendo", diz.

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Ainda assim, vale pontuar que a maternidade solo, na maioria das vezes, não é uma escolha. "No contexto brasileiro, ser mãe solo por opção é uma realidade de mulheres com uma condição socioeconômica privilegiada", enfatiza Thássia Emídio, professora do Departamento de Psicologia Clínica da Unesp (Universidade Estadual Paulista).


"Enquanto isso, vemos um grande número de famílias chefiadas por mulheres pobres, que foram abandonadas por seus parceiros", acrescenta a especialista. Dados recentes ilustram o cenário: mais de 11 milhões de mães criam os filhos sozinhas no Brasil, segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia, da FGV. Somado a isso, 90% das mulheres que se tornaram mães solo entre 2012 e 2022 são negras.

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Quando o sonho de ser mãe persiste


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É comum que as mulheres que escolhem a maternidade solo tenham filhos mais tarde porque priorizaram os estudos e a carreira. "Outro aspecto importante é que muitas delas não encontraram um parceiro adequado para dividir a criação de um filho, mas sentem um forte desejo de se tornarem mães", afirma a psicóloga Fabíola Luciano.


Esse foi o caso da atriz e apresentadora Mariana Kupfer. Ela conta que sempre teve certeza de que um dia gostaria de ser mãe. No entanto, só passou a cogitar a maternidade solo após a morte do pai.

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"Antes, falava que iria me casar e entrar na sinagoga de braços dados com meu pai. Quando ele faleceu, em decorrência de um câncer, o sonho da sinagoga e do príncipe encantado ruiu, mas o de ter um filho permaneceu", relata.


Foi depois dessa perda que, aos 34 anos, em uma consulta de rotina com um ginecologista, Mariana informou que pretendia engravidar por meio de inseminação artificial. À época, ela optou por realizar uma importação de sêmen dos Estados Unidos.

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"O histórico de saúde foi determinante para a escolha do doador", conta a apresentadora, que também teve acesso a uma extensa lista de informações sobre as características físicas, personalidade, relações familiares e vida acadêmica da pessoa selecionada. Hoje, a filha Victoria tem 13 anos de idade.


O que considerar antes de tomar a decisão

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Alguns aspectos que devem ser levados em conta são o orçamento financeiro e a sobrecarga de criar um filho sozinha. De acordo com a psicanalista Isabel Cristina Gomes, é necessário pensar, ainda, nas questões de identidade da criança. Por exemplo, deve-se planejar como o tema da ausência paterna será abordado.


Ter uma rede de apoio formada por familiares, amigos ou profissionais é outra recomendação. Além disso, o acompanhamento psicológico pode ajudar a mulher a lidar com as emoções e as dificuldades do processo.


É preciso preparar-se, também, para enfrentar preconceitos. Mariana Kupfer conta que já passou por situações com a filha em hotéis e restaurantes, quando perguntavam "onde estava o marido" dela. Entretanto, a apresentadora ressalta que isso não deve ser motivo para desistir do sonho da maternidade.


Inseminação intrauterina e fertilização in vitro: qual é a diferença?


Os tratamentos disponíveis para quem busca a reprodução assistida são a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro. A primeira é uma técnica antiga e de baixa complexidade, em que os espermatozóides são selecionados e transferidos diretamente para o útero da mulher durante a ovulação.


Já na fertilização in vitro, a mulher recebe medicamentos hormonais e, posteriormente, seus óvulos são captados. Em seguida, eles são fertilizados no laboratório, formando embriões, os quais, por sua vez, são selecionados e implantados no útero.


"Antes de qualquer procedimento, fazemos uma avaliação do estado geral da saúde. Muitas vezes, as pacientes têm 40 anos ou mais, então são gestações que demandam um cuidado especial", pondera o médico Dani Ejzenberg.


Retrato da reprodução assistida no Brasil


Dados mais recentes do SisEmbrio (Sistema Nacional de Produção de Embriões), criado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), revelam características da reprodução assistida no Brasil.


Uma estatística importante é que as unidades federativas com o maior número de embriões congelados em centros de reprodução humana assistida (CRHAs) ficam no Sudeste. São Paulo liderou o ranking nos três anos analisados, de 2020 a 2022.


No mesmo período, cresceu o número de ciclos de fertilização in vitro realizados no estado. São Paulo também apresenta o maior número de CRHAs: são 60 ao todo. No Brasil, existem 181 CRHAs espalhados pelas unidades federativas.


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