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Leandro Ferreira de Jesus em apresentação inspirada no musical Cats, em 2012 - Arquivo pessoal
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Circo contemporâneo

Dia do Circo: conheça a importância social desta arte milenar

Victória Vischi - Estagiária*
26 mar 2021 às 15:42
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No dia 27 de março é comemorado o Dia do Circo. A data escolhida é uma homenagem ao palhaço brasileiro Piolin, como ficou conhecido o artista Abelardo Pinto. Piolin nasceu neste dia no ano de 1897 e se tornou mundialmente famoso, chegando a ser homenageado na Semana de Arte Moderna em 1922.

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A arte circense é milenar. Existem indícios de que artes desse tipo já fossem praticadas há 4 mil anos por diversas civilizações. Mas o formato de circo que talvez seja mais conhecido é o do circo itinerante e familiar, onde famílias circenses mantém a tradição e levam o espetáculo para diversas cidades.

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O artista circense e professor com pós-graduação em circo e atividades acrobáticas, Leandro Ferreira de Jesus, explica que hoje existe um outro modelo menos conhecido do circo que surgiu com a criação de escolas de circo pelo mundo todo. "Hoje a gente tem muitos artistas de Circo que não nasceram numa família de circo, muitos que nunca nem trabalharam embaixo de uma lona de circo, que estudaram em escolas de circo, aprenderam arte circense e fazem apresentações desta arte em teatros, em eventos, em festividades”, conta.


Essas escolas começaram a ser criadas por profissionais circenses que se aposentavam ou queriam se fixar em algum lugar e enxergaram na criação de escolas de circo uma possibilidade de ganho. Esse formato é conhecido como circo contemporâneo e uma das primeiras escolas de circo existentes no Brasil foi a Academia Piolin - também nomeada em homenagem ao palhaço Piolin – criada em São Paulo em 1978. Depois disso, em 1982, foi fundada a Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro.


Importância do Circo

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Ferreira compartilha que para ele, como pessoa, o circo é fundamental "porque ele é uma arte que permite ao artista uma grande liberdade de expressão, essa é a maneira que eu enxergo o circo". Segundo ele, no circo você mistura o teatro, mistura a dança, mistura a música, você pode misturar capoeira, outras artes marciais, você tem uma liberdade de expressão, de criação artística e corporal, ele é uma arte que lhe permite tudo isso. Ele considera que essa multiculturalidade do circo, também representa uma das importâncias dessa arte para a sociedade. Além disso, ele destaca que o circo "tem uma inclusão artística muito grande, então, eu acho, que pra sociedade isso representa um pouco do circo como arte”.


Arquivo pessoal
Arquivo pessoal - Filipa Mourato de Jesus e Leandro Ferreira de Jesus em apresentação de trapézio
Filipa Mourato de Jesus e Leandro Ferreira de Jesus em apresentação de trapézio


Aulas de Circo


Ferreira estudou em escolas de circo no Brasil, na Itália e na Inglaterra e durante seu tempo na Europa conheceu também escolas de outros países como Portugal e Espanha. Devido seu interesse em ensinar circo, Ferreira retornou ao Brasil para fazer parte da primeira turma de pós-graduação em circo do Brasil, onde desenvolveu um trabalho sobre as abordagens pedagógicas do material da FEDEC (Federação de Escolas de Circo da Europa). Ele fez esse curso com o objetivo de "aprender uma maneira um pouco mais científica de como estudar o circo”.


Ele já tinha tido experiências anteriores como professor, sendo auxiliar de outro professor ou estagiário e depois de concluída a pós-graduação passou a ensinar turmas particulares na cidade de Conchal, no interior de São Paulo. É lá, também, que, desde 2017, ele começou a lecionar circo em um projeto social da prefeitura.


A partir de sua experiência como aluno e professor, ele observa que o circo tem benefícios físicos e psicológicos. Físicos devido a "diferente de alguns esportes onde você acaba desenvolvendo mais uma parte do corpo e menos outra, o circo ele acaba trabalhando com tudo isso na parte física” e psicológicos em questões de autoconfiança, disciplina, dedicação, determinação e "Eu acho que ele traz também, um pouco de autoestima porque a partir do momento que você consegue executar algumas coisas devido a sua determinação você fica com a autoestima um pouco mais segura, um pouco mais confiante”, compartilha.


Associação Londrinense de Circo


A Associação Londrinense de Circo (ALC) também utiliza do circo como uma ferramenta pedagógica para jovens e adultos. "Utilizamos o Circo para resgatar valores humanos que muitas vezes não são trabalhados nas famílias e a romper com a subalternidade de inferioridade que são impostas pela sociedade em relação a essa classe social mais vulnerável, sem esquecer que através da ludicidade ainda trabalhamos o desenvolvimento motor e atividade física”, explica Paulo Líbano, presidente da ALC.


A ALC promove o Festival de Circo de Londrina, mantém a Escola de Circo de Londrina que atende jovens de projetos sociais, oficinas culturais que são promovidas na Proteção Social de Média e Alta Complexidade, em conjunto com a assistência social, e atende adolescentes no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.


Devido às características das atividades circenses, sua prática foi muito atingida pela pandemia. Líbano comenta que transformar as oficinas para o formato virtual foi uma grande dificuldade. Apesar disso a ALC tem disponibilizado materiais virtuais, como explica Líbano "compartilhamos produções artísticas que são resultados dos nossos projetos culturais, conteúdos formativos como cursos através de videoaulas, além de conteúdos reflexíveis, através de lives e vídeos que promovam discussões sobre importantes temas sociais.”


As videoaulas são gratuitas e você pode conferir mais detalhes nesta outra publicação do Bonde!


Paulo Líbano
Paulo Líbano - Karol Queisada (Palhaça Lilíka) e Josi Fernandes (Palhaça Leléka)
Karol Queisada (Palhaça Lilíka) e Josi Fernandes (Palhaça Leléka)


Documentário


Neste sábado, às 16h, a ALC fará o lançamento online do documentário "As Mulheres do Nosso Circo”, onde quatro mulheres artistas circenses da Escola de Circo de Londrina contam um pouco de sua trajetória e desafios, pessoais e como artistas. O documentário conta com apresentações circenses das homenageadas Jerusa Rocha, Karol Queisada, Paula Alfaro, Josi Fernandes e Micaela Alves. As imagens foram feitas por Paulo Líbano e a edição por Mateus Benjamin. O documentário estará disponível no canal no YouTube e na página no Facebook da ALC.

*Sob supervisão de Fernanda Circhia


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