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Péssimo otimismo

Positividade tóxica: você não precisa estar bem o tempo todo

Redação Bonde com Assessoria de Imprensa
05 abr 2022 às 19:28
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A pandemia despertou nas pessoas a necessidade de cuidar melhor da saúde mental e emocional e de buscar com mais avidez o bem-estar. Pensar positivo e olhar o mundo com olhos mais otimistas são algumas das premissas da onda “good vibes”. No entanto, especialistas alertam para o cuidado em não deixar o otimismo dar lugar à positividade tóxica. 

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A psicóloga cognitivo-comportamental e instrutora de gestão do Senac Goiás (go.senac.br), Cléia Carolina Queiroz de Souza, explica que pode ser contraditório, mas viver situações negativas pode ter um lado positivo. Para explicar esse antagonismo é importante diferenciar, antes de mais nada, o otimismo, que é a capacidade de visualizar pessoas, situações e problemas com uma visão positiva e agradável, do pessimismo, a capacidade de visualizar os mesmos aspectos somente na perspectiva negativa.

A positividade tóxica encontra espaço justamente no excesso de otimismo, quando o indivíduo ignora os problemas, as emoções ruins, os traumas e as reações adversas da vida. “No otimismo nós enxergamos os problemas e os solucionamos, criamos estratégias para resolvê-los. Na positividade tóxica eu ignoro esses sentimentos ruins, lembranças e traumas, os deixando ‘guardados’, como se eles não fossem importantes e pudessem ser apagados”, explica Cléia Queiroz. 

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A profissional explica a aparente contradição de que viver situações negativas é importante e positivo. De acordo com ela, é por meio desse lado visto como “ruim” que o ser humano desenvolve uma série de habilidades socioemocionais.

“O sofrimento humano, ao contrário do que temos visto na sociedade, de pessoas confundindo a tristeza com depressão, é muito importante para que eu me recolha, para que eu entenda os meus valores, para que eu entre em contato com o meu ‘eu’ e assim consiga valorizar os sentimentos bons como a alegria. É um parâmetro para eu seguir. Todas as emoções são importantes em meu corpo”, diz.

Ela afirma ainda que, ao contrário do que muitos pensam, a tão almejada felicidade não é formada por um dia de 24 horas vividas no modo feliz, mas “é formada por todos os sentimentos, de pequenas peças que vamos juntando e assim formando sentimentos bons. Por isso é extremamente importante vivenciarmos sentimentos negativos”. 

Efeito oposto

A psicóloga cognitivo-comportamental explica que não vivenciar as emoções de forma completa pode causar, no indivíduo, transtornos mentais ou doenças fisiológicas, visto que os sentimentos ficam guardados, mas ressurgem de forma potencializada. Os transtornos mentais mais comuns são a depressão e o transtorno de ansiedade generalizada.

Cléia destaca que: "enquanto sociedade, temos várias consequências dessa positividade tóxica, o que tem deixado as pessoas menos empáticas. Nós não validamos mais os sentimentos ruins das pessoas e passamos a exclui-las, não conseguimos ser acolhedores e estamos tendo problemas com a sociabilidade, que é um dos pilares da saúde mental”.

Outro problema, segundo a instrutora do Senac, é que se cria muito mais pressão pela busca por perfeição, o que gera mais ansiedade. 

Como identificar a positividade tóxica?

A positividade tóxica pode ser identificada na comunicação e nas relações. Cléia destaca frases como “Anime-se”, “Seja resiliente”, “Esquece isso”, “Siga em frente”, “Que bobeira sofrer por isso”. De acordo com ela, essas falas fazem com que a pessoa não respeite suas emoções negativas e tente repreendê-las para seguir.

A psicóloga ensina que para ajudar alguém que está em sofrimento é necessário validar o sentimento da pessoa, escutar a dor e acolher, ajudando, se possível, a encontrar uma solução para a situação. “Se não tiver uma solução, somente acolha. Valide esse sentimento”, orienta. 


Para Cléia, é importante lembrar que nós não somos máquinas. “Temos emoções e precisamos validá-las”, finaliza.

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