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Prêmio de US$ 1,15 milhão

Nobel de Medicina de 2021 vai para descoberta de receptores de temperatura e sensação de toque na pele

Reinaldo José Lopes - Folhapress
04 out 2021 às 08:47
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 O americano David Julius, 65, e o libanês de origem armênia Ardem Patapoutian, 54, são os ganhadores do Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina de 2021. Trabalhando de forma independente em instituições nos EUA, os dois elucidaram os mecanismos que permitem que o sistema nervoso capte estímulos de temperatura e toque na pele.

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Julius trabalha na Universidade da Califórnia em San Francisco, enquanto Patapoutian, hoje naturalizado americano, trabalha no Scripps Research, também na Califórnia.

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Para chegar às descobertas premiadas agora pelo comitê do Nobel, Julius contou com uma ajuda culinária. Ele começou estudando os efeitos da capsaicina, substância presente na pimenta-malagueta e outros tipos de pimenta muito picantes. A ideia é que a sensação de forte calor trazida pela capsaicina quando consumimos essas pimentas poderia ajudar a entender a sensibilidade das células nervosas à temperatura.

Seguindo esse raciocínio, o pesquisador americano conseguiu identificar o receptor, ou seja, a fechadura química das células onde as moléculas de capsaicina se conectam e produzem o efeito de "calor". Estudos posteriores mostraram que receptores semelhantes são responsáveis pela gradação das sensações de calor.

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Patapoutian usou métodos similares, por um processo de tentativa e erro e "desligamento" de genes, para identificar os receptores das células nervosas ligados à sensação de toque.


Os pesquisadores vão dividir o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (ou cerca de US$ 1,15 milhão).

COMO É ESCOLHIDO O GANHADOR DO NOBEL

A tradicional premiação do Nobel teve início, de certa forma, com a morte de Alfred Nobel, inventor da dinamite. Em 1895, em seu último testamento, Nobel registrou que sua fortuna deveria ser destinada para a construção de um prêmio –o que foi recebido por sua família com constestação. O primeiro prêmio foi dado em 1901.

A escolha do vencedor do principal prêmio da área de fisiologia ou medicina começa por indicações de um grupo de 50 pesquisadores ligados ao Instituto Karolinska, na Suécia. Alfred Nobel, em seu testamento, destinou à instituição a missão de eleger para receber a láurea aquele que tenha feito notáveis contribuições ao futuro da humanidade.

O processo tem início no ano anterior à premiação, mais especificamente em setembro, com o envio de convites para indicar um nome para o prêmio, o que deve ocorrer até o dia 31 de janeiro.

Podem indicar nomes os membros do Comitê do Nobel do Instituto Karolinska; profissionais da área de biologia e medicina ligados à Academia Real Sueca de Ciências; vencedores dos prêmios de fisiologia ou medicina ou de química; professores titulares de medicina de instituições suecas, norueguesas, finlandesas, islandesas ou dinamarquesas; professores em cargos semelhantes em outras faculdades de medicina de universidades de todo o mundo, selecionadas pelo Comitê do Nobel, com o objetivo de assegurar a distribuição adequada da tarefa entre vários países; e acadêmicos e cientistas selecionados pelo Comitê do Nobel.

Já autoindicações não são aceitas.

HISTÓRICO RECENTE DO NOBEL DE MEDICINA

Em 2020, o Nobel de Medicina foi dividido por três pesquisadores pela descoberta do vírus da hepatite C. O americano Harvey Alter, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), o britânico Michael Houghton, da Universidade de Alberta, e também o americano Charles Rice, da Universidade Rockefeller, foram os laureados.

Por causa da pandemia, em 2020, a medalha e o diploma de premiação foram enviados para a casa dos laureados, o que se repetirá neste ano. Há ainda a possibilidade de um presencial Dia do Nobel, em 10 de dezembro, com a premiação do Nobel da Paz –anunciada antes, porém. A decisão será tomada em meados de outubro.

Já em 2019, William G. Kaelin, da Universidade Harvard, Peter J. Ratcliffe, da Universidade de Oxford, e Gregg L. Semenza, da Universidade Johns Hopkins, foram os premiados por pesquisas sobre como as células percebem e alteram o comportamento de acordo com a disponibilidade de oxigênio.

Em 2018, foi a vez de James P. Allison e de Tasuku Honjo serem laureados pelas descobertas ligadas à imunoterapia, ou seja, ao combate do câncer com drogas que potencializam a função do sistema imunológico.

Entre as descobertas premiadas no passado estão as da estrutura do DNA por James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins (1962), a da penicilina por Fleming e outros (1945), a do ciclo do ácido cítrico por Hans Krebs (1953) e a da estrutura do sistema nervoso por Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal (1906).

Outras descobertas notáveis premiadas pelo Nobel de Medicina ou Fisiologia são a da insulina (1932), da 

relação entre HPV e câncer (2008), a da fertilização in vitro (2010), a de que existem grupos sanguíneos (1930) e a de como agem os hormônios (1971).

A única pessoa nascida no Brasil que recebeu um Nobel foi o britânico Peter Medawar, pela descoberta das bases da tolerância imunológica adquirida, ou seja, a capacidade de fazer o sistema imunológico de um organismo não reagir a certos fatores.

"É meu desejo que, ao atribuir os prêmios, nenhuma consideração seja dada à nacionalidade, mas que o prêmio seja concedido à pessoa mais digna, sejam ou não escandinavos", diz o testamento de Alfred Nobel.
Apesar do desejo, a concentração das premiações científicas em países ricos é expressiva. Isso sem contar o pequeno número de mulheres premiadas, somente 12 de 222 laureados –e o Nobel de Medicina, entre os prêmios científicos, ainda é o com maior participação feminina.


Agenda do Nobel

Nobel de Física - terça-feira (5)

Nobel de Química - quarta-feira (6)

Nobel de Literatura - quinta-feira (7)

Nobel da Paz - sexta-feira (8)

Nobel de Economia - segunda-feira (11)

Os anúncios ao vivo dos vencedores podem ser acompanhados no site oficial da premiação 

(https://www.nobelprize.org/) e no perfil do YouTube do Nobel (https://www.youtube.com/channel/UC-V6odR7HzLCuqjYeowPjLA).

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