Londrina tem 3.725 crianças de até 3 anos aguardando vagas em creches, segundo levantamento do Nudij (Núcleo da Infância e Juventude), da DPE-PR (Defensoria Pública do Paraná). O número, referente a 2025, representa uma redução de cerca de 40% em relação a 2024, quando a fila chegou a 6.194 crianças, mas ainda é superior ao registrado em 2023, quando havia 3.151 crianças na espera. Atualmente, o município conta com capacidade para atender 8.509 crianças na educação infantil, enquanto a fila equivale a 43,78% dessa capacidade. A Secretaria da Educação, entretanto, diz que o número pode ser inferior.
Os dados também mostram que Londrina segue entre os municípios com maior demanda por vagas no Paraná. Em números absolutos, a fila londrinense é menor apenas que a de Curitiba, que registra 6.536 crianças aguardando atendimento. Já Apucarana (Centro-Norte) aparece com um déficit ínfimo, com 76 crianças na fila em 2025, número menor que o de Arapongas (1.388), Rolândia (247) e Cambé (221), municípios da Região Metropolitana de Londrina.
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O levantamento da DPE-PR aponta também que Londrina possui uma população estimada de 23.731 crianças de 0 a 3 anos, segundo dados do Censo 2022. O estudo ainda prevê que o município crie 364 novas vagas de creche em 2026.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Educação por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura de Londrina. Nesta quarta-feira (24), a secretária da pasta, Tathiane Araújo, explicou que os números podem não representar com exatidão a demanda de vagas em Londrina. Segundo ela, atualmente há falta de 722 vagas no CB (berçário), 706 no C1 (crianças de 1 ano), 541 no C2 (crianças de 2 anos) e 409 no C3 (crianças de 3 anos), totalizando déficit de 2.378 crianças.
"A lista de espera, disponível no portal da transparência, tanto nas creches filantrópicas quanto nas municipais, aprenta um número superior a isso porque pode contar duas ou até três vezes a mesma criança. Isso acontece porque, no cadastro, a família pode optar por até três unidades."
A secretária salientou que a Prefeitura de Londrina tem feito trabalhos para atender a demanda crescente e que novas turmas foram abertas ao longo do primeiro semestre.
"De janeiro a junho, foram abertas 20 turmas que estavam fechadas. De 28 salas que estavam fechadas, nós já abrimos 20. A demanda tem crescido constantemente e a gente tem feito muitos encaminhamentos", ressaltou Araújo.
DIAGNÓSTICO
Os números fazem parte de um diagnóstico estadual elaborado pela Defensoria Pública para monitorar o acesso à educação infantil nos 399 municípios paranaenses. Em todo o Paraná, pelo menos 44.322 crianças de até 3 anos aguardavam vagas em creches em 2025, o equivalente a um déficit de 27% no atendimento da política pública.
Apesar do cenário ainda preocupante, a fila estadual apresentou redução de 33% nos últimos três anos. De acordo com o defensor público e coordenador do Nudij, Leonardo Canella, a queda pode ser explicada por dois fatores principais: a adoção de políticas públicas voltadas às famílias que não conseguem vaga na rede pública e a redução do número de nascimentos observada nos últimos anos.
“Observamos a implementação de políticas públicas que permitem maior flexibilidade no atendimento às famílias fora da cobertura da rede pública por meio do pagamento de vagas na rede privada, a exemplo do auxílio-creche recentemente instituído em Curitiba”, afirmou.
Segundo Canella, a diminuição da natalidade também cria uma oportunidade para que os municípios ampliem a oferta de vagas e reduzam o déficit histórico. “O momento é estrategicamente oportuno para que os municípios possam expandir a capacidade de atendimento sem a pressão de fornecimento sobre o sistema que existiu em períodos de alta taxa de natalidade”, destacou.
DIVULGAÇÃO OBRIGATÓRIA
A Defensoria ressalta que, desde 2024, a divulgação da demanda por vagas em creches tornou-se obrigatória por força da Lei Federal nº 14.851/2024, que determina que os municípios mantenham mecanismos de levantamento e transparência sobre as filas da educação infantil.
Mesmo assim, apenas 294 dos 399 municípios paranaenses responderam ao levantamento feito pela instituição neste ano, o equivalente a 73% das cidades do Estado.
O diagnóstico é utilizado pelo Nudij para orientar atuações judiciais e extrajudiciais voltadas à garantia do direito à educação infantil, além de subsidiar cobranças por planejamento e investimentos na ampliação da rede de atendimento.
Atualizado às 13h37 de quinta-feira (25)