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Pesquisa da UEM analisa novos tratamentos para toxoplasmose

Redação Bonde com AEN
03 mai 2021 às 15:48

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A UEM (Universidade Estadual de Maringá) está desenvolvendo um estudo inédito sobre novos tratamentos para a toxoplasmose, popularmente conhecida como doença do gato. Não contagiosa, a infecção é adquirida pela ingestão de água ou alimentos contaminados pelo protozoário Toxoplasma gondii. A pesquisa investiga quatro tipos desse parasita, a fim de comparar as cepas isoladas encontradas no Brasil com as linhagens de outros países. Na primeira fase foi investigada a cepa ME-49.


Normalmente os pacientes não apresentam sintomas ou desenvolvem manifestações leves, semelhantes aos de uma gripe, porém a patologia pode causar dores musculares e alterações nas glândulas do sistema linfático. Pessoas com baixa imunidade podem apresentar sintomas mais graves, incluindo febre, dor de cabeça, confusão mental, falta de coordenação motora e até convulsões.

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O projeto faz parte da pesquisa empreendida pela estudante de doutorado Fernanda Ferreira Evangelista, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, vinculado ao Centro de Ciências da Saúde da UEM. Com orientação da professora Ana Lúcia Falavigna Guilherme, o estudo é realizado na área de doenças infecciosas e parasitárias, na linha de pesquisa de zoonoses e outras parasitoses de interesse médico.


A pesquisadora explica que, nessa etapa, o estudo analisou os efeitos do medicamento Rosuvastatina no comprometimento da memória e da ansiedade decorrente da infecção causada pela cepa ME-49. Os procedimentos experimentais foram desenvolvidos em camundongos cronicamente infectados com o protozoário Toxoplasma gondii, seguindo todas as diretrizes e recomendações do Comitê de Ética na Utilização de Animais da UEM.


"A infecção aumenta comportamentos que se assemelham à ansiedade e prejudica a memória de curto e longo prazo, porém o tratamento com a Rosuvastatina reverteu esses dois efeitos”, afirma Fernanda, destacando que o medicamento atenuou os sinais de inflamação cerebral, tais como proliferação microglial, que é uma reação comum a danos no sistema nervoso central, além de infiltração de células inflamatórias e danos aos tecidos.


Antes dessa fase de testes em animais, foram feitos experimentos in vitro. "Os resultados indicam, pela primeira vez, a eficácia desse fármaco no tratamento da toxoplasmose crônica. Ademais, o comprometimento da memória e o efeito ansiogênico causados pela infecção podem ser mediados pela redução da carga do cisto, o que diminui a inflamação e os danos cerebrais”, sinaliza a pesquisadora, que também é enfermeira e mestre em Ciências da Saúde.


Sobre a causa desses cistos, estudos relatam que estão associados à esquizofrenia, dificuldade de aprendizado e memória prejudicada. Em crianças, principalmente recém-nascidos, pode causar microcefalia, cegueira e surdez.


A professora Ana Lúcia, que também coordena o Grupo de Pesquisa em Toxoplasmose da UEM, ressalta a importância desse estudo, considerando que ainda não há cura para a doença. "Apesar de não haver tratamento para a toxoplasmose crônica, há medicamentos já comercializados no mercado com efeitos na fase aguda da enfermidade. Do ponto de vista do tratamento experimental, a pesquisa alcançou resultados promissores na fase crônica, com efeito na carga parasitária no interior de cistos cerebrais”, afirma.


Recentemente, Fernanda publicou artigo sobre a etapa atual da pesquisa na revista científica Plos One, periódico da Public Library of Science, classificado com conceito A1 de excelência internacional, segundo a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). O trabalho científico pode ser lido AQUI.


A iniciativa conta ainda com apoio do Departamento de Fármacos e Medicamentos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Araraquara.


Grupo de estudos – Com mais de 15 anos de atuação, o Grupo de Pesquisa em Toxoplasmose da UEM investiga diferentes genótipos de Toxoplasma gondii, principalmente cepas encontradas no Brasil. O intuito é associar o trabalho desenvolvido pelos pesquisadores a outros estudos clínicos em humanos, vislumbrando um tratamento para a fase crônica da doença.


Em paralelo, o grupo de pesquisa vem apoiando o ambulatório do Hospital Universitário Regional de Maringá na realização de exames complementares para detecção e tratamento de pacientes.


Doença – A toxoplasmose é uma zoonose transmitida pelo parasita Toxoplasma gondii, encontrado nas fezes de gatos, que pode se hospedar em humanos e outros animais. O protozoário pode estar presente em vários lugares, principalmente alimentos, tais como carne crua ou mal passada, verduras mal lavadas (apenas o hipoclorito não mata), frutas, frescais consumidos crus, peixe cru e água não filtrada ou não fervida.


Além disso, o manuseio de terra sem luvas e o contato com os gatos também aumentam os riscos da infecção. O período de incubação ocorre de 10 a 23 dias, caso a fonte causadora seja a ingestão de alimentos.


A OMS (Organização Mundial de Saúde) aponta que doenças como a toxoplasmose são, muitas vezes, negligenciadas pelos países. Nos Estados Unidos, a incidência e prevalência da doença alcança a marca de 40%. No Brasil, a estimativa é que 80% da população já teve contato com o Toxoplasma gondii. Na América do Sul também há muitos casos de comprometimento ocular, incluindo recaídas de pessoas que já se encontram em fase crônica da infecção.

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Os maiores surtos de toxoplasmose ocorreram entre os anos de 2001 e 2002, no município de Santa Izabel do Ivaí, no Noroeste do Paraná, e mais recentemente, em 2018, na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Em ambos os casos, as endemias surgiram a partir de contaminação na rede de abastecimento de água dos municípios, e ultrapassaram a marca de 1.300 pessoas doentes, conforme alertaram as autoridades sanitárias.


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