A Seti (Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) divulgou, nesta semana, que 230 alunos indígenas, pertencentes a cinco etnias (kaingang, guarani, xetá, fulni-ô e terena), estão distribuídos em 28 cursos de graduação nas sete Iees (Instituições Estaduais de Ensino Superior) do Paraná. Na UEL (Universidade Estadual de Londrina), 39 alunos indígenas estão matriculados.
Entre os cursos mais procurados pelos indígenas estão pedagogia, letras, história, educação física, direito e medicina. Na próxima edição do vestibular indígena serão disponibilizadas mais 52 vagas, seis para cada universidade estadual e dez vagas para a UFPR (Universidade Federal do Paraná). O processo seletivo é organizado no sistema de rodízio, entre as sete universidades estaduais e a UFPR.
Os números reforçam o perfil pioneiro do Estado nas políticas de inclusão social, principalmente no que diz respeito ao povo indígena. Segundo Eloá Soares Kastelic, presidente da Cuia (Comissão da Universidade para Índios), o vestibular como política de Estado é referência nacional. "O Paraná é pioneiro nesse tipo de vestibular e isso faz com que estejamos à frente em termos de políticas sociais."
Em 2002, a primeira edição do vestibular indígena contou com 54 candidatos para 15 vagas. Na última edição foram cerca de 700 inscritos para 42 vagas. A UEM (Universidade Estadual de Maringá) é a que mais possui alunos indígenas, somando 48; a UEL tem 39, seguida pela Unicentro (Estadual do Centro-Oeste), com 31, Uenp (Estadual do Norte Paraná), com 26, UEPG (Estadual de Ponta Grossa), com 21, Unioeste (Estadual do Oeste do Paraná), com 19, e Unespar (Estadual do Paraná), com seis alunos.
Para Wagner Amaral, professor do Departamento de Serviço Social do Cesa (Centro de Estudos Sociais Aplicados) e membro da Cuia, o aumento exponencial do número de indígenas que participam do processo seletivo se deve aos profissionais que, depois de formados, atuam nas comunidades que eles pertencem. "Em 2017, depois de 15 anos de implantação da política, tivemos 55 profissionais formados. Os indígenas estão assumindo o protagonismo em diversas áreas, como educação, saúde e gestão. Sendo assim, acabam como espelho para as próximas gerações."
Gilza Ferreira de Souza pertence à etnia kaingang e se formou em 2016 em serviço social pela UEL. Ela deseja seguir a carreira profissional sem esquecer a população indígena. "Pretendo continuar trabalhando com o meu povo. Se conseguir conciliar minha profissão, melhor ainda. Porém, de qualquer maneira quero ajudar no desenvolvimento de novos estudantes que desejam entrar na universidade."
Wagner Amaral coordena o projeto "As trajetórias dos profissionais indígenas e os circuitos de trabalho indígena na educação" e destaca que as universidades podem aprender muito com as experiências dos indígenas. "As instituições têm a oportunidade de se aprofundar no processo de interculturalidade. São trocas de sabedorias que proporcionam interação entre culturas e um enorme ganho de conhecimento."
O vestibular
A cada ano, uma universidade pública do Estado fica responsável pela organização do Vestibular dos Povos Indígenas. Em 2018, a instituição responsável é a UEPG. As provas estão previstas para outubro no município de Faxinal do Céu, no centro sul paranaense.
Inscrição do vestibular na terra indígena Barão de Antonina.
Candidatos indígenas realizam vestibular na UFPR.
O vestibular será dividido em duas etapas. A primeira delas, programada para 21 de outubro, é a prova oral, quando o indígena inscrito é entrevistado por uma banca formada por dois profissionais voltados ao trabalho com a temática indígena e à diversidade étnica.
Em 22 de outubro será a vez da prova de redação e conhecimentos gerais, com questões de língua portuguesa, língua estrangeira, matemática, física, química, biologia, história, geografia e línguas indígenas, sendo elas o guarani e kaingang. As inscrições ocorrerão entre 1º e 31 de agosto.