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Programa Imprensa Jovem

Programa de educação midiática brasileiro é premiado pela Unesco

28 out 2021 às 10:13
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 Uma experiência brasileira foi internacionalmente reconhecida como projeto bem-sucedido de educação midiática. O professor Carlos Alberto Mendes de Lima, gestor do Programa Imprensa Jovem, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, foi o vencedor do prêmio GAPMIL Awards, anunciado nesta semana na Global MIL Week, importante evento mundial de alfabetização midiática e informacional promovido pela Unesco desde 2011.

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No ano em que a Global MIL Week completa dez anos, o tema do evento é "Alfabetização midiática e informacional para o bem público". Para acompanhar as discussões, basta realizar um rápido cadastro no site da Unesco e, depois disso, logar na sala das conferências virtuais.

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Em um momento de complexificação do ecossistema informacional, de excesso de circulação de conteúdos em diferentes plataformas, entre os quais desinformação e fake news, além do acirramento da polarização política em várias partes do mundo, refletir sobre educação midiática como pilar para o pleno exercício da cidadania no mundo conectado é indispensável.

Temas como liberdade de expressão, acesso à informação, combate à desinformação e aos discursos de ódio e a necessidade de desenvolver a criticidade frente às mensagens midiáticas orientam os debates online que integram a programação desse encontro mundial de pesquisadores, formuladores de políticas públicas e representantes de organizações dedicadas à questão.

Apesar deste evento completar uma década em 2021, a relação da sociedade com as mídias e os provedores de informação já eram tema de interesse para a Unesco há muito tempo. Quando ainda nos anos 1960 intelectuais latino-americanos estavam preocupados com os efeitos das mensagens midiáticas sobre crianças e adolescentes -entendimento que, à época, criou barreiras à aproximação entre mídias e educação-, a Unesco procurava estimular outro pensamento a respeito dos meios de comunicação.

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Nos anos 1980, a organização pautou a Nomic (Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação), na América Latina, difundindo o entendimento de que as mídias são condição essencial para o desenvolvimento.


Paulatinamente, desde então, as iniciativas de educação midiática, em vez de enfatizar o caráter denuncista de tendências manipulatórias das mídias na escola, passaram a praticar a conciliação com os meios de comunicação, de modo a utilizá-los como aliados dos processos educativos, seja para problematizar suas abordagens e visões sobre a realidade, seja para incorporar seus conteúdos como parte das estratégias pedagógicas.

Desde então, a educação midiática avança. Na América Latina, sua trajetória se dá no contexto do legado 

da educomunicação e da chamada "comunicação participativa", com o uso de mídias em processos de emancipação de fortalecimento da identidade cultural de grupos sociais excluídos e marginalizados, e mais recentemente com políticas públicas que fomentam o uso de mídias e tecnologias na educação formal.

Para que a educação midiática seja uma práxis cada vez mais cotidiana, arraigada à cultura de redes de ensino, organizações, movimentos sociais e outras instâncias socializadoras, é preciso conhecer suas referências históricas, além das inovações e desafios presentes. A Global MIL Week representa, portanto, uma oportunidade de se inserir e contemplar uma rica rede de experiências e reflexões comprometidas com a justiça social e com a democracia.

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