A série Lanternas chega à reta final da primeira temporada. O sexto episódio estreia neste domingo (20). Boa parte do público e da crítica demonstra forte aprovação geral. A atração apresenta inegável qualidade técnica e um enredo bastante interessante.
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Porém, os roteiristas Damon Lindelof e Tom King e seus assistentes, que, aparentemente, não gostam de quadrinhos e muito menos de Lanterna Verde e Hal Jordan, cometeram erros imperdoáveis. Sob a chancela de James Gunn, eles escrotizaram elementos vitais da mitologia. Características consagradas e muito queridas pelos fãs sofreram mudanças absurdas.
Abaixo, listo sete coisas inseridas ou alteradas na narrativa televisiva. As modificações causam imensa revolta e dão vontade de encher os autores de soco na boca. O resultado final entregou conceitos extremamente encardidos e de qualidade bosta.
1. O anel é fiel à escolha original
O anel energético possui ligação imutável com o dono original. Um simples comando mental recupera o artefato de volta ao portador. Na série, até um trombadinha preguiçoso consegue roubar a arma mais poderosa da DC Comics.
2. Ausência quase total de poderes e construtos
As habilidades características dos heróis sofreram cortes injustificáveis na adaptação. Conceitos enfadonhos substituíram a ação clássica das histórias originais. Os poderes apresentados na tela parecem magia fuleira. Os efeitos especiais até trazem raros construtos legais, mas, em geral, não ajudam a construir a ambientação mínima sobre os Lanternas Verdes.
3. Método lixo de escolha do anel
O critério de seleção do anel energético virou a invenção mais desgraçada possível. O roteiro inventa a escolha inicial do pai. Depois, o herói passa por treinamento precoce para extirpar o medo. A mitologia original aborda exclusivamente o domínio da força de vontade.
4. A completa descaracterização de Hal Jordan
Hal Jordan é o maior Lanterna do universo nas histórias originais. O herói descobriu 3600 setores extras e derrotou Sinestro com maestria. Na série, ele vira um bosta completo, covarde e totalmente desleal. Ele nunca cria construtos decentes e raramente usa seus poderes com precisão.
5. A troca de papéis de John Stewart
John Stewart sofre uma descaracterização criminosa como pau-mandado sem noção. O roteiro retrata o personagem como um desenhista de meia tigela. Nos gibis originais, ele atua como ex-militar e arquiteto de absoluto respeito. O ofício de desenhista pertence originalmente a Kyle Rayner — e daí, como vai ser quando este aparecer? Vão ser dois Lanternas com as mesmas habilidades?
6. Mitologia porca e sem criatividade
Os Guardiões do Universo e os Lanternas Vermelhos viraram uma palhaçada visual patética. A direção artística trata o aspecto sci-fi com preguiça mental extrema. Cada cena exibe um visual estético elaborado por quem detesta ficção científica. Os efeitos especiais até mostram um ou outro construto convincente, mas nem dá pra saber se é uma série de Lanterna Verde.
7. Lógica verossímil inexistente e roteiro imbecil
A locação e o comportamento dos personagens não fazem nenhum sentido lógico. Hal viaja ao centro do universo e retorna como se fosse ao banheiro de casa. Depois, um fumacê de borracha broxa bloqueia a luz mais forte do cosmo. Essa sequência imbecil ofende a inteligência de qualquer espectador.
Assistir às entrevistas do elenco nos extras revela o chorume dos realizadores. Os roteiristas justificam essa bosta com analogias raciais rasas e discurso pseudointelectual. Eles usam a diversidade como muleta narrativa e cagam nos conceitos clássicos. As causas sociais já integram a mitologia original de forma orgânica há 70 anos.
Mas a série não presta, então?
Lanternas até é interessante como uma série de mistério com uma pitada bem econômica de sci-fi e da mitologia vindas das HQs. A caracterização de Hal Jordan por Kyle Chandler e de John Stewart po Aaron Pierre, assim como as tomadas de cena, qualidade de imagens e edição mantém o alto padrão HBO. E até os mistérios envolvendo as motivações dos antagonistas e o conflito velado entre os colegas de equipe são interessantes.
Mas, nossa... nem precisa de muito esforço para fazer isso tudo MUITO MELHOR com o próprio material dos quadrinhos originais. Basta ver a subestimada e espetacular série de animação cancelada Lanterna Verde para ver uma adaptação realmente feita por quem entende muito é é apaixonado pelos quadrinhos dos Gladiadores Esmeralda.
É impossível conhecer gostar tanto do material original e não ficar com vontade e jogar os roteiristas em uma piscina de chorume pela raiva que, ainda não vou passar sozinho. Dá até vergonha de indicar isso para quem quer conhecer o herói dos quadrinhos na versão live-action. Até Top Gun: Maverick se parece mais com Hal Jordan e os temas de enredos da Tropa dos Lanternas Verdes do que todos os episódios juntos até agora.
QUE ÓDIO.