Se você acompanha os bastidores do DCU, sabe que a série Lanternas promete remodelar a hierarquia cósmica da DC ao estruturar um suspense investigativo que deve abordar a conturbada trajetória de Hal Jordan em paralelo à ascensão de John Stewart. O arco clássico de Hal serve como fundação perfeita para a nova produção televisiva. Da loucura total à busca incessante por perdão, essa narrativa é um dos pilares mais fascinantes e dramáticos dos quadrinhos modernos.
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A ruína de Coast City e o surto de Parallax
A tragédia abateu o Lanterna Verde quando o Ciborgue Superman destruiu Coast City por completo, deixando apenas uma cratera fumegante no lugar da terra natal de Hal Jordan. Tomado por uma dor avassaladora e em profunda negação diante da perda de milhões de vidas, Hal tentou usar seu anel para recriar toda a metrópole em forma de construto.
Contudo, os Guardiões de Oa consideraram sua atitude uma grave infração, exigindo a devolução imediata do anel por uso estritamente pessoal. Hal sempre colecionou suspensões por ser indisciplinado e desafiar ordens superiores, mas dessa vez ele pirou na batata de vez.
Cego pelo luto e recusando qualquer punição, o piloto marchou rumo ao planeta Oa e enfrentou a própria tropa policial cósmica, destruindo companheiros de equipe. Ele pilhou o equipamento dos caídos, assassinou Sinestro e absorveu a energia primordial da Bateria Central.
Ao acumular múltiplos anéis, Hal Jordan foi corrompido e renasceu como o vilão Parallax na polêmica saga Crepúsculo Esmeralda. O herói perfeito virou um tirano implacável que tentou reescrever a linha temporal no evento Zero Hora, chocando os leitores nos anos 1990.
Parallax acende o sol e redime Hal Jordan
Mesmo afundado na escuridão de seus atos tiranos, a fagulha heroica no peito do ex-patrulheiro nunca foi totalmente extinta. A oportunidade de redenção surgiu durante os eventos da saga A Noite Final, quando uma entidade cósmica conhecida como Devorador de Sóis consumiu o Sol, ameaçando congelar a Terra.
Com a Liga da Justiça e o resto dos heróis de mãos atadas vendo o planeta congelar, Hal Jordan voltou lá do fundo do espaço pronto para apelar para a ignorância. Disposto a se retratar por todas as bobagens que fez, o ex-campeão resolveu jogar toda aquela energia cavalar de Parallax direto no coração do Sol apagado.
Ele mergulhou direto no coração do Sol para incinerar a ameaça alienígena e reacender o astro-rei. O sacrifício mortal de Hal restaurou a luz da Terra e limpou parte do seu legado de sangue, embora sua alma ainda carregasse as marcas do massacre em Oa.
Esse desfecho emocionante marcou o fim de uma era sombria nos quadrinhos, provando que a força de vontade do personagem continuava viva. A redenção começou na morte, pavimentando o terreno para novas e bizarras fases místicas que viriam a seguir.
A fase cretina como Espectro
Livre do corpo físico, a alma do piloto não encontrou sossego imediato no além-vida. Na minissérie Dia do Julgamento, o espírito de Hal tornou-se o novo hospedeiro do Espectro, a força encarnada da Vingança Divina da DC Comics.
Habituado a contornar regras e questionar a autoridade, Hal buscou subverter a essência punitiva da entidade mística. Ele tentou transformar a ira bíblica em um instrumento de redenção e compaixão, relutando em aplicar a justiça violenta e cega do espírito divino.
Essa dinâmica gerou intensos atritos morais com outros heróis da casa, especialmente com o Batman, que permanecia totalmente cético sobre a sanidade do falecido colega. A travessia como Espectro funcionou como um longo purgatório espiritual em que o ex-patrulheiro expiou a culpa por suas atrocidades passadas.
Mesmo trajando a manta verde do julgador celestial, Jordan sentia que sua ligação com a tropa espacial não havia terminado. Faltava encarar a verdadeira origem da sua insanidade e reescrever a mitologia cósmica da qual ele sempre fez parte.
Geoff Johns, Renascimento e a ascensão de John Stewart
A virada de chave definitiva aconteceu em 2004, quando o roteirista Geoff Johns promoveu um retcon brilhante na minissérie Lanterna Verde: Renascimento. Ficou provado que Parallax era uma entidade parasita feita de puro Medo, que havia infectado a mente de Hal quando a Bateria de Oa foi violada.
Johns amarrou as pontas soltas da mitologia ao explicar inclusive o clássico ponto cego dos anéis de novatos contra a cor amarela: a presença do medo aprisionado na bateria ancestral. Livre da infestação e ressuscitado em seu corpo jovem, Hal Jordan vestiu o anel de novo e ajudou a reconstruir a patrulha cósmica, fundando o Espectro Emocional nas HQs.
Em paralelo ao retorno triunfal do veterano, a história da franquia também consolida a ascensão de John Stewart. O ex-arquiteto e fuzileiro naval assumiu o protagonismo definitivo como um dos maiores líderes da história da Tropa, saindo da sombra de Hal para comandar missões cruciais de proteção ao universo.
A sinergia entre o ímpeto indomável de Hal e a liderança tática de Stewart redefiniu os rumos da editora. O legado dos protetores espaciais brilha mais forte do que nunca, servindo como o molde ideal para o que veremos na televisão.
Lanternas tem oito episódios e o terceiro vai ao ar neste domingo, às 22h, na HBO Max.