O estilista ítalo-francês Pierre Cardin morreu aos 98 anos, anunciou nesta terça-feira (29) a família para a agência "AFP". A causa do falecimento não foi informada, apenas que ele estava internado no hospital Neuilly, em Paris.
"É um dia de grande tristeza para toda a nossa família, Pierre Cardin já não está entre nós. O grande costureiro que foi, atravessou o século, deixando para a França e para o mundo um patrimônio artístico único na moda, mas não só isso. Nos orgulhamos da sua ambição tenaz e da ousadia que demonstrou ao longo da vida", diz a nota da família, destacando o "homem moderno de muitos talentos e energia inesgotável".
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Pioneiro da moda mundial em muitos sentidos, Cardin nasceu na Itália em 1922, mas foi morar na França ainda criança. O estilista começou a desenhar já aos 14 anos e, antes de criar uma grife com seu nome, na década de 1950, trabalhou para outras maisons de luxo da França, como a Christian Dior.
Conhecido por usar um estilo futurista e geométrico, redesenhando a moda francesa do pós Segunda Guerra Mundial, a grife está hoje presente em 140 países do mundo e vai muito além das roupas: suas licenças de uso englobam de bicicletas a colchões, de cigarros a cortinas.
Cardin também é considerado o primeiro estilista de alto luxo a desenhar uma coleção "prêt-a-porter", uma linha de roupas "pronta para vestir" para um público não atendido pelas grifes à época. Foi criticado por "popularização", mas seu gesto foi seguido nos anos seguintes por praticamente todas as grandes maisons.
Além disso, foi o primeiro a considerar os mercados asiáticos da China e do Japão, bem como a Rússia, como de alto interesse para a moda de luxo. Em janeiro deste ano, sua vida e trajetória na moda foi alvo de um documentário "House of Cardin", que mostrava o estilista plenamente ativo mesmo quase centenário.
"Não sou do tipo que se contenta com o que já foi feito e aceito. Eu estou feliz com o presente, mas nunca dou meu trabalho como terminado", diz Cardin em uma das passagens do documentário.