Com Vingadores: Ultimato de volta em exibição nas telonas, vale relembrar como o épico cinematográfico bebeu diretamente na fonte da saga Infinito, lançada nos quadrinhos em 2013 sob o comando do roteirista Jonathan Hickman. A trama serviu como a principal estrutura narrativa para a fase de ouro da Marvel nos cinemas, trazendo de volta a verdadeira essência tática de Steve Rogers enquanto os Vingadores enfrentavam ameaças de escala cósmica sem precedentes.
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Nos bastidores da editora, a história nasceu sob grande pressão política e restrições editoriais antes da Disney comprar os direitos da Fox. Ike Perlmutter ordenou que Mutantes e o Quarteto Fantástico fossem deixados na geladeira, forçando Hickman a destacar os Inumanos e reformular o cenário galáctico da Casa das Ideias para criar os eventos que culminariam nas Guerras Secretas.
Para sustentar esse épico, a história introduziu raças ancestrais e conceitos complexos que reescreveram a física do Multiverso. A chegada dos Construtores colocou a existência de todos os planetas em risco iminente, enquanto o fenômeno das Incursões obrigava o grupo secreto dos Illuminati a tomar atitudes extremas e moralmente questionáveis na Terra.
A divisão da equipe acabou criando duas narrativas paralelas de sobrevivência e guerra tática em escala universal. A ameaça dupla colocava a Terra entre o massacre alienígena e a invasão de Thanos, exigindo que os heróis atuassem simultaneamente na proteção do planeta e na linha de frente do conflito sideral.
A genialidade militar do Capitão América no espaço
Assumindo o comando do Conselho Galáctico, Steve Rogers mostrou por qual motivo é considerado o maior estrategista do Universo Marvel. O Sentinela da Liberdade assumiu a liderança das tropas alienígenas após o desastre inicial, unindo impérios rivais como Krees, Skrulls e Shiars sob a mesma bandeira de resistência após erros cometidos por governantes despreparados.
Sua primeira grande cartada foi arquitetar um plano impecável para resgatar os heróis capturados e desestabilizar as forças inimigas. Rogers usou Thor em uma falsa negociação de rendição que entrou para a história, permitindo que o Deus do Trovão usasse o Mjolnir para abater um Construtor e convocar os exércitos Kree para a batalha.
Em uma ofensiva coordenada, heróis de peso foram liberados estrategicamente para virar o jogo em pontos cruciais do cosmos. Hulk e Estigma atuaram como verdadeiras armas de destruição em massa contra a frota, permitindo que a Capitã Marvel e a Capitã Universo reequilibrassem as forças e quebrassem o avanço inimigo.
A vitória no conflito cósmico alterou permanentemente o status da equipe perante as civilizações mais antigas do universo. Os Vingadores hastearam sua bandeira em cada mundo libertado e declararam jurisdição universal, estabelecendo um marco diplomático em que a Terra passou a ser respeitada e temida por todos os impérios da galáxia.
A dubiedade dos Illuminati e a derrocada da Terra
Enquanto o exército do Capitão combatia no espaço, os Illuminati operavam nas sombras em uma linha tênue entre o heroísmo e a vilania. O grupo secreto tomou a decisão drástica de destruir um planeta inteiro para conter o avanço de uma Incursão, mantendo a prisioneira Cisne Negra sob constantes interrogatórios para entender o fim do Multiverso.
Para tentar conter as ameaças cósmicas, os heróis mais inteligentes do planeta usaram o próprio Rogers como uma ferramenta descartável. Steve Rogers chegou a usar a Manopla do Infinito para conter as Incursões, um ato heroico que acabou destruindo as joias e resultou na manipulação de sua mente pelo próprio grupo para apagar suas memórias.
Essa conduta questionável acabou gerando fraturas irreparáveis na amizade entre as maiores mentes do planeta. A descoberta posterior da manipulação levou o Capitão América a confrontar Tony Stark, expondo que a Terra era o ponto focal para o colapso e eventual reinício de toda a realidade do Multiverso.
Ao mesmo tempo em que lidavam com dilemas morais, eles precisaram enfrentar os avanços de uma guerra armada dentro de casa. Os Illuminati descobriram que o planeta se tornara o centro de destruição das realidades, preparando o terreno para a fase catastrófica que culminaria no fechamento das histórias do Quarteto Fantástico.
A invasão brutal de Thanos e o legado para os cinemas
Para complicar o cenário global, Thanos aproveitou a ausência dos heróis principais para invadir a Terra em busca de seu próprio filho. A Ordem Negra atacou os cantos mais protegidos do planeta em busca das Joias, resultando na derrota temporária de Doutor Estranho pelo Fauce de Ébano e em um confronto devastador entre Namor e Próxima Meia-Noite nas ruínas de Atlântida.
No ápice do conflito em Attilan, o Rei Raio Negro desfechou um golpe mortal que mudou os rumos da comunidade de super-humanos. A explosão da Bomba Terrígena espalhou a névoa pela Terra e revelou novos Inumanos, incluindo Thane, o filho de Thanos que acabou recebendo poderes incontroláveis no meio do caos civil.
O desfecho do combate exigiu a união dos heróis restantes em um confronto direto contra o Titã Louco. Thane acabou aprisionando seu pai em um cubo de âmbar, condenando o vilão à morte em vida de forma consciente, uma clara e célebre homenagem do roteirista às histórias clássicas criadas por Jim Starlin.
O impacto cultural dessa saga ecoa até hoje em todas as produções audiovisuais do Marvel Studios. O confronto visual e conceitual de Infinito construiu a base dos dois maiores filmes da Marvel, ditando desde o visual dos vilões e batedores até os grandes momentos de ação que marcaram a história do cinema pop.