Do sertanejo ao rock, Londrina tem uma lista variada das músicas que mais fizeram sucesso nos shows do município. O Portal Bonde levantou, junto ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), o Top 20 das canções mais tocadas em shows de Londrina e do Paraná, de 2020 ao primeiro semestre de 2026. (Confira as listas completas no fim da reportagem)
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Dois clássicos da música sertaneja se revezam no topo dos rankings. Evidências, sucesso nas vozes de Chitãozinho e Xororó, aparece como a preferida em Londrina e na vice-liderança no Paraná. Já Boate Azul, popularizada por Joaquim e Manuel na década de 1980, fica em segundo lugar em Londrina e em primeiro no estado.
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Se a lista do Paraná é dominada pela música sertaneja, com 15 canções do gênero no Top 20, Londrina destoa desse modelo, com influências de canções internacionais - que sequer aparecem no ranking paranaense. Além de oito músicas de rock - duas nacionais e seis internacionais -, a cidade destaca outros quatro gêneros, um deles com influência nordestina, como é o caso de Baby Me Atende, de Matheus Fernandes e Dilsinho, responsáveis por levarem o piseiro ao topo das paradas em 2021.
Para os defensores de que “as músicas antigas são melhores que as atuais”, há um dado que chama atenção. Na lista de Londrina, 14 das 20 músicas foram gravadas antes da virada do milênio. Outras quatro foram lançadas até 2005 e apenas duas foram gravadas a partir de 2020, quando já estava em vigência o recorte de tempo analisado pela reportagem.
No Paraná, o cenário é diferente. Artistas contemporâneos - como Ana Castela, Simone Mendes e Henrique e Juliano - têm mais espaço no ranking, ocupando cinco das 20 posições.
Dados do Ecad
Mas como o Ecad chega a esses rankings? A identificação das canções executadas nos shows ocorre por meio dos repertórios encaminhados pelos próprios responsáveis pelos eventos para o cálculo de direito autoral.
Segundo Eberson Prado, supervisor de Arrecadação do Ecad no Paraná, a entidade entra em contato com os promotores para informar sobre a necessidade do licenciamento e solicitar a documentação necessária.
“Nós enviamos uma solicitação de contatos para os promotores dos eventos informando sobre a obrigatoriedade por lei do licenciamento prévio desses eventos. Por meio desses contatos, passamos as informações necessárias dos documentos que eles têm que nos enviar, entre eles os repertórios para que possamos fazer a distribuição correta desses direitos autorais”, explica.
A forma de cobrança dos direitos autorais varia conforme as características de cada evento. O Ecad considera fatores como a cobrança ou não de ingressos e se a apresentação ocorre em espaço aberto ou fechado.
“O Ecad tem vários critérios e formas de cobrança do direito autoral. A partir do momento que o promotor nos dá as informações, fazemos o cálculo”, afirma.
Prado, por exemplo, é responsável pelos acertos relacionados a shows, incluindo os da ExpoLondrina. Em eventos que têm cobrança de ingressos, a receita obtida com as entradas e a quantidade de pessoas presentes são utilizadas como base para o cálculo.
Já em eventos organizados por prefeituras, em que normalmente não há cobrança de ingresso, o cálculo é feito a partir do custo musical publicado no Portal da Transparência do município. Esse valor considera as despesas relacionadas à colocação do artista no palco, como a contratação do próprio artista, palco e iluminação. Gastos como banheiros químicos e segurança, por exemplo, não entram nesse cálculo.
O regulamento de arrecadação determina que o licenciamento seja feito antes da realização do evento. Para isso, o Ecad e os responsáveis pelas apresentações podem fazer reuniões para definir os procedimentos necessários.
“Normalmente marcamos uma reunião, vamos até o local ou eles vêm até nós para fazermos as tratativas. Nessa conversa verificamos tudo”, relata Prado.
Eventos ‘às escondidas’
Para localizar eventos que eventualmente não tenham procurado a entidade, o Ecad mantém fiscais espalhados pelo Brasil, cada um com uma região de atuação. Em Curitiba, a central possui um setor específico de shows e eventos, responsável por acompanhar as apresentações divulgadas.
“Aqui na nossa central de Curitiba temos o setor de shows e eventos que monitora todos os eventos que são divulgados em redes sociais e encaminha para que ele entre em contato com os promotores para fazer o licenciamento”, afirma.
O trabalho também busca alcançar apresentações feitas em estabelecimentos menores, como bares e lanchonetes. Como são muitos locais, o Ecad atua também na conscientização dos responsáveis sobre a necessidade de regularização.
“Informamos sobre a necessidade de se fazer o licenciamento. O cálculo é um pouco diferente. Qualquer estabelecimento aberto ao público, que tem algum tipo de sonorização, paga uma espécie de taxa mensal”, explica.
Inadimplência
A entidade também acompanha casos de inadimplência. Segundo Prado, o Ecad possui um departamento jurídico responsável por adotar medidas de cobrança, que podem começar com notificações extrajudiciais e chegar à Justiça e à negativação do estabelecimento. A entidade também oferece possibilidades de parcelamento.
“Existe uma inadimplência de rádios, assim como um todo, seja em shows ou outros espaços. Temos um departamento jurídico bastante atento a isso. Assim que começa a inadimplência, eles tomam as providências. Damos chances, fazemos parcelamentos, porque visamos ressaltar a importância de se recolher os direitos autorais.”
Segundo o Ecad, a arrecadação tem como objetivo remunerar também profissionais que não necessariamente estão no palco durante as apresentações.
“Os direitos autorais são importantes porque é por meio deles que nós remuneramos pessoas que não estão em cima do palco. O artista ganha o cachê, mas, muitas vezes, o autor é uma pessoa desconhecida do grande público. Essas pessoas são remuneradas por meio do nosso trabalho”, afirma Prado.
Cálculo e distribuição
Do valor total arrecadado, 85% são destinados aos titulares dos direitos, entre compositores, intérpretes, músicos, editores e gravadoras. Outros 6% correspondem às associações e 9% ficam com o Ecad.
No segmento de shows, a distribuição é feita mensalmente, obedecendo à ordem cronológica de entrada dos roteiros musicais dos eventos quitados na área de distribuição. O procedimento considera as informações presentes nos repertórios encaminhados pelos produtores dos shows.
Apesar de ser mensalmente, são necessários quatro meses até que o valor seja repassado. Ou seja, se a captação do direito autoral em shows foi feita em janeiro, os artistas só receberão em maio e assim por diante. Confira abaixo os rankings de Londrina e do Paraná.
Músicas mais tocadas em shows em Londrina — 2020 a 2026
1. Evidências — José Augusto; Paulo Sérgio Valle (Chitãozinho & Xororó - 1990)
2. Boate Azul — Tomaz; Benedito Seviero (Joaquim & Manuel - 1985)
3. Cheia de Manias — Luiz Carlos (Raça Negra - 1992)
4. Arranhão — Flavinho do Kadet; Edson Garcia; Nudoze; Felipe Kef; Felipe Marins; Kaique Kef (Henrique & Juliano - 2021)
5. Telefone Mudo — Franco; Peão Carreiro (Trio Parada Dura - 1983)
6. Dormi na Praça — Fátima Leão; Elias Muniz (Bruno & Marrone - 2001)
7. Under Pressure — Freddie Mercury; John Deacon; Roger Taylor; Brian May; David Bowie (Queen e David Bowie - 1981)
8. Bohemian Rhapsody — Freddie Mercury (Queen - 1975)
9. We Will Rock You — Brian May (Queen - 1977)
10. Tentei Te Esquecer — Cruz Gago (Matogrosso & Mathias - 2003)
11. Baby Me Atende — Rodrigo Reys; Júnior Angelim; Matheus Fernandes; Igor Costa (Matheus Fernandes e Dilsinho - 2021)
12. Não Quero Dinheiro — Tim Maia (Tim Maia - 1971)
13. Anna Júlia — Marcelo Camelo (Los Hermanos - 1999)
14. À Sua Maneira — Dinho Ouro Preto; Gustavo Cerati; Zeta Bosio (Capital Inicial - 2002)
15. Fix You — Coldplay; A. Martin; William P. Champion (Coldplay - 2005)
16. Rolê — DJ Ivis; Tarcísio do Acordeon (Tarcísio do Acordeon - 2021)
17. Página de Amigos — Rick; Alexandre; Carlos Eduardo (Chitãozinho & Xororó - 1995)
18. I Want to Break Free — John Deacon (Queen - 1984)
19. We Are the Champions — Freddie Mercury (Queen - 1977)
20. The Winner Takes It All — Benny Andersson; ABBA (ABBA - 1980)
Músicas mais tocadas em shows no Paraná — 2020 a 2026
1. Boate Azul — Tomaz; Benedito Seviero (Joaquim & Manuel - 1985)
2. Evidências — José Augusto; Paulo Sérgio Valle (Chitãozinho & Xororó - 1990)
3. Telefone Mudo — Franco; Peão Carreiro (Trio Parada Dura - 1983)
4. Tentei Te Esquecer — Cruz Gago (Matogrosso & Mathias - 2003)
5. Ainda Ontem Chorei de Saudade — Moacyr Franco (João Mineiro & Marciano - 1988)
6. Página de Amigos — Rick; Alexandre; Carlos Eduardo (Chitãozinho & Xororó - 1995)
7. Do Fundo da Grota — Baitaca (Baitaca - 2001)
8. O Grande Amor da Minha Vida — Jeferson Farias; Nino Marcos (Gian & Giovani - 1998)
9. Anna Júlia — Marcelo Camelo (Los Hermanos - 1999)
10. Saudade de Minha Terra — Goiás; Belmonte (Belmonte & Amaraí - 1966)
11. Cheia de Manias — Luiz Carlos (Raça Negra - 1992)
12. 60 Dias Apaixonado — Darci Rossi; Constantino Mendes (Chitãozinho & Xororó - 1979)
13. Erro Gostoso — Flavinho do Kadet; Edson Garcia; Lucas Souza; Grelo; Eliabe Quexin; Felipe Marins (Simone Mendes - 2023)
14. Arranhão — Flavinho do Kadet; Edson Garcia; Nudoze; Felipe Kef; Felipe Marins; Kaique Kef (Henrique & Juliano - 2021)
15. Dormi na Praça — Fátima Leão; Elias Muniz (Bruno & Marrone - 2001)
16. Baby Me Atende — Rodrigo Reys; Júnior Angelim; Matheus Fernandes; Igor Costa (Matheus Fernandes e Dilsinho - 2021)
17. Amor de Primavera — César Augusto; Paulino (Di Paullo & Paulino - 2002)
18. Bombonzinho — Renato Campero; Leo Soares; Matheus Tutz; Robison JF (Israel & Rodolffo e Ana Castela - 2023)
19. Haja Colírio — Mateus Candotti; Lucas Ing; Wendell Mello (Guilherme & Benuto e Hugo & Guilherme - 2022)
20. Mulher de Fases — Digão; Rodox (Raimundos - 1999)
Ouça as músicas que se destacaram: