Pesquisar

Canais

Serviços

- Bruno Teixeira/Agência Corinthians
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade
Que fase...

Corinthians dá até TVs como penhora para pagar dívidas

Carlos Petrocilo - Folhapress
14 set 2021 às 19:00
Continua depois da publicidade

Depois de um grande movimento no mercado de contratação de jogadores nas últimas semanas, o Corinthians tenta evitar o bloqueio de suas receitas com patrocinadores e com a Globo. O Tribunal de Justiça de São Paulo enviou ofício aos parceiros do clube, para que os mesmos depositem os valores em uma conta judicial.

Continua depois da publicidade


Continua depois da publicidade

Assim, a emissora de TV fez o depósito de R$ 1.543.658,35 em junho, referente a direitos de transmissão, e a Ambev, uma das patrocinadoras da equipe paulista, pagou R$ 108.215,52 no último dia 27. A quantia ainda é insuficiente para saldar uma dívida de aproximadamente R$ 1,7 milhão.


A empresa B2F Marketing Esportivo foi à Justiça, em junho do ano passado, para receber da diretoria corintiana R$ 1.275.307,00 por sua participação nos direitos econômicos do jogador Maycon de Andrade Barberan.

Continua depois da publicidade


Cria da base alvinegra, o volante sagrou-se campeão paulista e brasileiro (2017) e se transferiu para o Shakhtar Donetsk (UCR) em março de 2018.


Na ação, o juiz Cláudio Pereira França determinou o bloqueio das contas bancárias do Corinthians, mas após varredura em 16 instituições financeiras, encontrou um total de apenas R$ 67 mil entre outubro e novembro do ano passado.


Ele, então, concedeu o pedido da B2F para penhorar 30% do valor total mensal dos créditos com todos os patrocinadores e da venda dos direitos de televisionamento à Globo, além das premiações em dinheiro oriundas da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e da FPF (Federação Paulista de Futebol).


O desenrolar da ação ainda demorou alguns meses. Em maio deste ano, no entanto, houve nova tentativa de bloquear dinheiro nas contas bancárias da equipe, mas desta vez todas estavam zeradas.


O valor da dívida atualizada com os juros e o acréscimo de 10% referente aos honorários advocatícios era de R$ 1.692 milhão em julho deste ano, segundo planilha de débitos do Tribunal de Justiça.


No processo, o time apresentou uma lista de produtos à penhora, que vão desde 40 televisores, utensílios para cozinha, ônibus Mercedes-Benz (ano 2002), aparelhos de ultrassonografia e scanner corporal, entre outros. Os advogados da equipe do Parque São Jorge escrevem ao magistrado que os bens imóveis já estão penhorados ou hipotecados.


"A somatória desses bens atinge a importância de R$ 1.728.004,71, superior ao valor pretendido pelo exequente [B2F]", afirmam os advogados do Corinthians, Diógenes Mello Pimentel Neto e Sérgio Ventura Engelberg.


O juiz recusou a oferta dos produtos porque "não foi trazida a demonstração da titularidade e do estado atual dos bens ofertados".


O clube impetrou com agravo de instrumento (recurso contra decisões intermediárias nos processos) e contou com uma decisão na qual reduz o bloqueio de 30% para no máximo 5% do seu faturamento.


Em sua defesa, o Corinthians alegou que, assim como as demais equipes do Brasil, sofreu impacto nas receitas em razão da pandemia de Covid-19.


Os advogados argumentaram que o time alvinegro se viu obrigado a renegociar salários de atletas e funcionários "fruto da brutal perda de bilheteria, inadimplência de sócio torcedores, congelamento de recursos dos patrocinadores e adiantamento das férias".


Com a decisão que limita a 5% do faturamento mensal, o clube alega que o depósito feito pela Globo (R$ 1.543.658,35), bloqueado pela Justiça, representa 30% do que tem a receber pelos direitos de transmissão (de R$ 5.145.527,83) e pleiteia o embolso de R$ 1.286.381,96.


"O executado [Globo] só poderia ter bloqueada a quantia de R$257.276,39 (correspondente a 5% do valor de R$5.145.527,83)", afirmam os advogados da equipe.


Em nota, a Globo diz que não fará comentários sobre os valores referentes aos contratos com os times. "Estes contratos possuem cláusulas de confidencialidade, mas prestamos todas as informações à Justiça quando somos demandados."


A Ambev, procurada pela Folha, cita apenas que cumpriu às ordens judiciais. A reportagem não conseguiu contato com a B2F.


A empresa, dos proprietários Bruno Misorelli e Fulvio Misorelli, já havia obtido decisão semelhante em outra ação diante do Corinthians, na qual cobrava, desde 2017, o percentual sobre os direitos econômicos pela venda de Matheus Pereira, 23, ao Empoli (ITA), em 2016. Um pagamento da Globo de R$ 490 mil foi destinado para esse fim em março.


Isso depois de a juíza Adriana Cardoso dos Reis, da 37ª Vara Cível de São Paulo, ter determinado o bloqueio de R$ 441 mil das contas bancárias do Corinthians e penhorado dois veículos, um micro-ônibus Ducato e um Fiat Mobi, em setembro do ano passado.


Há uma terceira ação entre a B2F e o Corinthians. Nesta, a empresa cobra uma comissão acertada pela renovação do contrato do volante Maycon em 2017. O valor original do débito é de R$ 92 mil. Também não foi encontrado saldo nas contas do clube para o acerto.


Em sua petição, ao cobrar o seu percentual na venda do volante Maycon, a B2F diz que o Corinthians, apesar de suas dívidas, não tem poupado recursos e permanece oferecendo "salários gigantescos para atletas". Isso ainda antes de o clube apresentar os meias Renato Augusto e Willian e o atacante Roger Guedes, nas últimas semanas.


O Corinthians, por meio da assessoria de imprensa, confirmou a existência das três ações de cobrança e diz que tem feito esforços para reduzir os custos, inclusive no futebol profissional.


"Os reforços não inflaram a folha de pagamento do futebol, que está menor que a de dezembro de 2020, devido às saídas de jogadores no período", afirma em trecho de nota.


"Mesmo enfrentando as circunstâncias dramáticas da pandemia, o clube tem buscado honrar todos os compromissos, incluindo o pagamento de processos judiciais com condenação já transitada em julgado", emenda o clube. "O Corinthians está se valendo de todas as medidas legais para concretizar esses pagamentos de forma a manter o funcionamento do clube e a competitividade das suas equipes, o que é indispensável para obter maiores receitas, mais premiações e saldar compromissos."

Continue lendo