Paciência, sangue nos olhos e entrega, tanto em campo quanto nas arquibancadas, predominaram na saga do Brasil de Pelotas (RS) à vaga para a Série C de 2015. Ao enumerar os fatores que trouxeram mais um acesso ao clube gaúcho, o técnico Rogério Zimmermann, afirmou que o trabalho realizado desde 2012 no Bento Freitas foi o ponto de partida para os xavantes terem um recomeço nacional:
– Quando chegamos aqui em 2012, o clube estava na Segundona gaúcha (Divisão de Acesso), um lugar no qual o Brasil, por sua tradição, não merecia estar. Nosso primeiro objetivo foi o fortalecimento regional. Subimos a equipe de divisão, mantivemos a base, digna de disputar de igual para igual partidas até mesmo contra a dupla Gre-Nal e, após nos firmarmos na elite do Gauchão, partimos da maneira mais forte possível em busca de uma grande campanha na Série D – revelou, ao LANCE!Net.
Para o treinador, os obstáculos ultrapassados pelo rubro-negro na Série D deram uma emoção ainda maior a este acesso:
– Munidos com esta força regional, encaramos uma Série D intensa logo na primeira fase.
Caímos no mesmo grupo do Ituano, campeão paulista, do Maringá, que foi vice-campeão paranaense, e também pegamos a Cabofriense, semifinalista do Carioca deste ano (N.R.: ainda havia o Guarani-SC no Grupo A7). Depois, ainda enfrentamos o Brasiliense, que já foi da elite nacional e finalista de Copa do Brasil. E passamos, tudo graças ao nosso planejamento e à força do grupo.
Técnico foi até o alambrado do Serejão para celebrar o acesso com a torcida (Foto: Carlos Insaurriaga)Agora com as atenções voltadas para tentar a conquista da competição, Zimmermann reconhece que o clube gaúcho encontrará seu adversário mais difícil até o momento. O técnico, inclusive, define a partida de ida contra o Londrina, que será realizada neste sábado, no Bento Freitas, em Pelotas, às 20h30 (de Brasília), como uma espécie de "prévia da dificuldade a ser encontrada na Série C".
– A credencial do Londrina é ser simplesmente a equipe de melhor campanha e estar invicta há 12 partidas na Série D. Além disto, o clube tem o mesmo treinador há muito tempo (Cláudio Tencati está no Tubarão desde 2011). Mas nós também temos a nossa força, não chegamos aqui por acaso, e vamos estar tão preparados quanto eles.
Para Rogério Zimmermann, a "Maior e Mais Fiel" torcida do interior do Rio Grande do Sul pode fazer a diferença novamente. Segundo o técnico, a relação entre o clube e os torcedores foi fundamental para ajudar a conduzir a equipe dentro do gramado - tanto em Pelotas quanto nas outras cidades:
– Quando se fala em torcida xavante, não dá para não se emocionar. Eles vão a todos os estádios nos quais a gente atua. Havia um grupo de 600 pessoas em Brasília (nas quartas de final), que fazia mais barulho do que os torcedores do Brasiliense.
Os xavantes receberam, inclusive, uma "reverência" bem curiosa do elenco e da comissão técnica na chegada dos ônibus com os torcedores:
– Nós tínhamos sido recebidos em festa, com uma carreata de 10 mil, 15 mil pessoas quando voltamos à cidade depois do jogo com o Brasiliense. E nosso grupo tem jogadores com perfil apaixonado, que dão o sangue e são identificados com a torcida. Por isto, decidimos recepcionar os 40 ônibus com torcedores do Brasil-P quando eles voltassem. Houve uma emoção muito grande.
Porém, os atletas do Xavante sabem que não terão muito tempo para cerimônias. A peregrinação pelo título e por um início de planejamento da Série C logo estarão no horizonte do clube gaúcho.