Futebol

Curitiba se despede da Copa do Mundo

26 jun 2014 às 21:44

Os jogos não foram dos melhores: teve o 0 a 0 de Irã e Nigéria, o pior jogo da Copa até agora; teve o duelo entre Honduras e Equador, que valeu muito mais pela festa das torcidas latino-americanas que pela qualidade do espetáculo; o confronto de eliminados entre Austrália e Espanha, que propiciou, ao menos, uma apresentação digna dos campeões do mundo, com direito a 3 a 0; e o jogo mais importante, nesta quinta-feira (26), que valeu a vaga da Argélia para a segunda fase, mas ficou muito longe de ser um jogo tecnicamente interessante. Mesmo assim, Copa do Mundo em Curitiba já está deixando saudades. Com o empate em 1 a 1 entre Argélia e Rússia, a Arena da Baixada despediu-se da Copa.

O sentimento de fazer parte da Copa do Mundo poderia durar mais tempo para os curitibanos caso a seleção espanhola não decepcionasse sendo eliminada na primeira fase. Com os campeões do mundo hospedados aqui, torcedores, jornalistas, voluntários e organizadores permaneceriam na cidade enquanto durasse a participação da Espanha, mas Casilas, Xavi, Iniesta e companhia já retornaram para a Espanha antes mesmo do jogo de ontem. Agora é acompanhar o restante do mundial pela televisão ou na Fan Fest (o que sobrará da Fifa na cidade) e guardar na memória os dias que a capital do Paraná foi a capital mundial do futebol.


Foram 11 dias de muita festa na cidade, com mais de 150 mil pessoas indo à Arena da Baixada e outras centenas de milhares acompanhando os jogos nos bares, na Fan Fest e curtindo a presença das seleções e de seus torcedores na cidade. Mais de 50 mil estrangeiros passaram por Curitiba: autralianos, equatorianos, hondurenhos, espanhóis, lotaram a cidade e a Arena, para ver suas seleções, mas ingleses, americanos e colombianos também passaram pelo município em busca das emoções do mundial.


Foram dias das mais legítimas manifestações de espírito esportivo e amor ao futebol, com torcidas adversárias convivendo pacificamente nas ruas e no estádio, não só torcedores das seleções que se enfrentavam na Arena, como atleticanos, coxas-brancas e paranistas, com torcedores de seleções eliminadas dando show de animação e mostrando que o futebol é muito mais que ganhar ou perder.


"Já estou com saudades, é uma emoção indescritível. Eu vi uma Copa do Mundo", disse Juliana Ivatiuk."Ficou para a história, foi sensacional, nunca vou esquecer da torcida o equador fazendo festa na cidade", emendou. Para o professor de educação física Igor Antônio Barcelos Prestes, tudo o que ele esperava de uma Copa do Mundo conseguiu viver em nesses dias. "Copa do Mundo é isso, a união dos países, todo mundo junto, tentando se comunicar, confraternizando. A cidade ganhou muito em receber o mundial, apesar de todos os problemas que antecederam a Copa, como os atrasos das obras e os gastos, o saldo é positivo. Fica o gostinho de quero mais. O clima que envolveu a cidade nestes dias, dificilmente se repetirá."


O advogado Vianei Mussi Fausti disse que já chegou para a última partida com uma ponta de tristeza. "Acabou. Infelizmente Curitiba ficou fora das próximas fases. A alegria do pessoal que veio para cá, o envolvimento do curitibano, que é famoso por ser frio e a boa vontade dos voluntários e dos demais trabalhadores envolvidos no espetáculo e, principalmente, a convivência pacífica entre toda as torcidas serão inesquecíveis".


A saudade também já estava estampada no rosto dos voluntários. "Inesquecível. A troca de experiência, o contato com pessoas de diversos lugares do mundo, todo mundo na mesma energia, ficaram para sempre na minha memória", disse uma voluntária, sem se identificar, porque são proibidos pela Fifa de dar entrevistas. "A única reclamação que ouvi aqui foi do trânsito, mas, dentro do estádio, o acesso e o conforto, só ouvi elogios", disse.


E os estrangeiros também foram só elogios para o mundial em Curitiba e no Brasil. "O país é lindo, a cidade é maravilhosa, o pessoal de Curitiba torceu para a Argélia, foi incrível", disse o argelino Nordin Imadouche, que está seguindo sua seleção em todos os jogos no Brasil. "Nós vamos ser campeões. Vamos ganhar da Alemanha, depois da França e do Brasil. Depois do que vimos hoje, tudo é possível", disse, eufórico com a classificação para as oitavas de final.


Mesmo eliminado, o russo Michael Koshcheiv também se disse muito feliz com sua estada na Copa. "!Foi uma Copa muito bonita. Brasil é inacreditável. Fui à Foz do Iguaçu, ao Pantanal e ao Rio de Janeiro e aqui, são lugares incríveis. As pessoas estão sempre sorrindo, sempre dispostas a nos ajudar. O que não ajudou foi a performance da seleção russa", disse, informando que, agora, passará a torcer para a Holanda. Ele reconheceu que será difícil a Rússia, sede da próxima Copa, fazer uma festa parecida com a do Brasil. "É uma outra cultura e o país é muito diferente. Eu moro em Moscou e posso dizer que lá os turistas serão muito bem recebidos, mas nas cidades menores, as pessoas pensam diferente", explicou.


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