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Quadrilha era liderada por membro da Fifa, diz polícia

Agência Estado
02 jul 2014 às 20:50

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O esquema milionário de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo, desarticulado pela operação "Jules Rimet", era comandado por um integrante da Fifa. Na quadrilha, o membro da Federação está acima do franco-argelino Lamine Fofana, de 57 anos, preso terça-feira no Rio, que rodava pela cidade com carro oficial da Federação e tinha trânsito livre pela entidade. Só no Mundial do Brasil, a quadrilha, que contava com cerca de 30 pessoas, faturava R$ 2 milhões por jogo.

Segundo o delegado Fábio Barucke, da 18ª DP (Praça da Bandeira), responsável pela investigação, o integrante da Fifa é homem e sua voz está nas gravações feitas pela polícia, com autorização da Justiça, nas ligações de Fofana. Preso na quarta-feira, em São Paulo, o braço direito de Fofana no Brasil, José Massih (advogado, já foi empresário do jogador Elano) disse aos policiais que o prenderam que estava disposto a delatar o líder da quadrilha, e que ele era da Fifa.


Massih e outro integrante da quadrilha preso em São Paulo, Alexandre da Silva Borges, seriam transferidos na noite desta quarta para o Rio. Na 18ª DP, os investigadores estavam dispostos a oferecer delação premiada ao advogado, para conseguirem chegar ao chefe do esquema criminoso.


"O Fofana é um cara grande na quadrilha. Pode ser uma tainha, mas não é uma lagosta. Tem gente mais graúda que ele", disse o promotor Marcos Kac, da 9ª Promotoria de Investigação Penal. A operação Jules Rimet foi uma parceria entre polícia civil, Ministério Público e Juizado Especial do Torcedor.


Prova de que Mohamadou Lamine Fofana fazia parte da "família Fifa" foi a reação de cartolas nesta quarta no hall do Copacabana Palace, ao saber da prisão do cambista. Fofana era um velho conhecido deles, inclusive do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. Nesta Copa, ingressos era vendidos à beira da piscina do luxuoso hotel, embaixo da janela do quarto do presidente da Fifa, Joseph Blatter.


"Fofana foi preso?", declarou um vice-presidente da Federação, assustado diante da repercussão da notícia. Outro cartola admitiu à reportagem que Fofana "circulava livremente" entre as salas vips dos cartolas, com celular de vários deles e acesso a todos os camarotes nos jogos. A reportagem obteve informações confidenciais de que três dos onze presos foram identificados operando à beira da piscina do Copacabana Palace, dividindo mesas com cartolas e até tomando sol.


SELEÇÃO BRASILEIRA - Logo no começo da investigação, que teve início há três meses, agentes interceptaram a ligação de um homem que "tinha livre acesso à Granja Comary", disse o delegado Barucke. Ele dizia ter 50 ingressos para o jogo entre Brasil e Camarões, e queria vender cada um deles por 1.000 euros, ou cerca de R$ 3 mil. "Sou amigo daquele jogador que é amigo seu em comum", disse o homem, ainda não identificado, em ligação para Fofana. Na ação, foram apreendidos dez ingressos em nome da CBF.

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Até agora, 11 pessoas foram presas. Outras sete (todos brasileiros) estão sendo investigadas e, segundo o delegado, o grupo envolvia pelo menos 30 integrantes, muitos no exterior, já que a quadrilha agiu nas últimas quatro Copas do Mundo. Dos 50 mil registros de ligações gravadas, metade ainda não foi analisada - o que pode, esperam os investigadores, resultar em novas prisões. Na delegacia, todos os presos se negaram a prestar depoimento. O delegado já pediu prorrogação da prisão temporária, por mais 5 dias.


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