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Alemão venceu

Após derrota em tênis de mesa, Hugo Calderano se despede dos jogos de Tóquio

Carlos Petrocilo/Folhapress
28 jul 2021 às 11:27

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Comitê Olímpico Brasileiro

Primeiro mesatenista brasileiro a chegar nas quartas de final das Olimpíadas, o carioca Hugo Calderano, 25, não resistiu ao alemão Dimitrij Ovtcharov, 32, e foi eliminado na manhã desta quarta-feira (28).


Calderano perdeu, de virada, por 4 sets a 2 (11/7, 11/5, 8/11, 7/11, 8/11 e 2/11), no Ginásio Metropolitano de Tóquio.
A partida começou bem equilibrada, com o alemão vencendo os dois primeiros pontos e, em momento tenso do jogo, Calderano tirou uma chiquita da cartola para passar à frente, 5 a 4. Na segunda parcial, o brasileiro emplacou dois pontos no saque e liderou a contagem desde o início.

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Com jogo bem agressivo, o carioca chegou a fazer 8 a 4 na terceira parcial, mas tomou uma dolorida virada: 11 a 8 para Ovtcharov. Calderano sentiu o golpe.


Na terceira parcial, ficou três vezes na rede e viu o alemão empatar a partida. No quarto set, o brasileiro chegou a fazer 7 a 1 e sofreu novamente com a reação do alemão, que fechou por 11 a 8.


"Não consegui manter a regularidade, o mesmo nível que comecei. Ele se adaptou ao meu jogo, e eu não consegui achar o nível mais alto. Depois do terceiro set, meu nível baixou. Dói, sim, a derrota dessa forma [de virada]", lamentou Calderano, que voltará a jogar em Tóquio na competição por equipes, no próximo domingo (1º).


Hugo deixou o ginásio visivelmente chateado. Atual número sete do mundo, ele superou a sua própria campanha nas Olimpíadas do Rio-2016 e a de Hugo Hoyama em Atlanta-1996 -ambos caíram nas oitavas de final.


O tênis de mesa entrou para a programação das Olimpíadas desde Seul-1988.


Cabeça de chave número quatro em Tóquio, Hugo Calderano estreou já na terceira rodada, e com vitória de 4 a 1 sobre Bojan Tokic, da Eslovênia, com parciais de 13/11, 11/7, 7/11, 11/9 e 12/10.


Nas oitavas de final, o brasileiro despachou Jang Woo-jin, da Coreia do Sul, por 4 sets a 3, parciais de (11/7, 9/11, 6/11, 11/9, 4/11, 11/5 e 11/6).


A classificação às quartas já havia sido enaltecida como um feito inédito para a modalidade no Brasil. Mas havia grande expectativa sobre o brasileiro contra o alemão, que já chegou ao topo do ranking mundial e, atualmente, é o número 12.


O carioca vive ótima fase e, em entrevista após a partida, afirmou que o sonho pela medalha ainda está vivo.


"Tenho certeza que vou continuar evoluindo e voltar aos Jogos ainda melhor", falou Calderano. "Eu tenho muitos anos pela frente, outras Olimpíadas também, e vou dar o meu máximo sempre."


Antes de pegar gosto pela raquete, Calderano chegou a jogar vôlei, chegou até a seleção carioca de base e também mirou o atletismo -chegou a correr ao lado de Vitor Hugo dos Santos, velocista que representou o Brasil na Rio-2016.


O mesatenista tem a vocação pelo esporte no DNA. É filho de Elisa e Marinho, que se conheceram na faculdade de educação física e se casaram. O avô materno, Antônio, também foi professor da mesma disciplina.


Aliás, seu Antônio, na época com 71 anos, foi um dos voluntários em evento-teste do tênis de mesa para os Jogos do Rio-2016. Quando Hugo, aos 14 anos, recebeu convite do São Caetano e deixou o Rio de Janeiro, Antônio acompanhou o mesatenista em seu processo de adaptação na cidade do ABC.


Apesar da carreira consolidada no tênis de mesa, Calderano entende que navegar por outras modalidades, como o basquete -algo que tem praticado com frequência- o ajuda no seu desempenho.


Faz parte desse processo de evolução exercitar também a mente. Um dos exercícios que faz frequentemente é tirar um dos seus mais de 70 cubos mágicos de diferentes cores e tamanhos da estante para praticar.


"Eu preciso disso, é da minha personalidade. Se eu não jogar o meu basquete, a rotina diária de treinos vai me cansar física e mentalmente", falou Calderano.


Calderano está desde 2004 na Alemanha, onde defendia o Ochsenhause. Depois das Olimpíadas em Tóquio, ele irá se apresentar ao time russo Fakel Gazprom Orenburg, cinco vezes campeão europeu.

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Ao longo do último ciclo olímpico, apesar de todos os problemas por conta da pandemia de Covid-19, o atleta pôde entregar bons resultados, entre eles a segunda medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, em Lima, e um título da Liga Alemã.


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