Lidar com alguém em surto psicótico exige manter a calma e priorizar a segurança de todos. A pessoa perde o contato com a realidade e pode ter alucinações ou delírios graves. O caso recente do homem que sofreu um cenário paranóico de ilusório, que o levou a fazer de refém um casal de idosos por mais de 12 horas, acende um alerta para lidarmos com uma pessoa doente — e, pelo menos inicialmente, não criminosa.
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De acordo com sites dedicados ao tema, incluindo o da Organização Mundial da Saúde (OMS), um surto psicótico é um episódio temporário em que ocorre uma quebra no contato com a realidade. O cérebro altera a forma como processa as informações do ambiente, fazendo com que a pessoa perceba fatos ou estressem de maneira completamente distorcida e crie certezas irremovíveis sem base real.
Sintomas principais
Alucinações: Alterações dos sentidos, em que
a pessoa escuta vozes, vê imagens, sente cheiros ou toques que não existem no ambiente real.
Delírios: Crenças falsas e inabaláveis, como o sentimento de estar sendo perseguida, vigiada por câmeras ou de possuir poderes especiais.
Pensamento desorganizado: Fala desconexa, troca rápida de assuntos sem nexo ou perda do fio da meada no meio de uma frase.
Alterações de comportamento: Agitação motora, isolamento repentino, desconfiança extrema ou reações emocionais inadequadas para o contexto.
Principais causas e gatilhos
O surto pode surgir como um episódio isolado ou estar associado a condições médicas e psiquiátricas subjacentes:
Transtornos psiquiátricos: Condições como esquizofrenia, transtorno bipolar ou depressão grave com sintomas psicóticos.
Uso de substâncias: Consumo excessivo ou privação (abstinência) de drogas ilícitas, álcool ou certos medicamentos.
Estresse extremo: Eventos altamente traumáticos, luto profundo ou privação severa de sono podem desencadear o quadro.
Condições médicas: Doenças neurológicas, infecções graves, tumores cerebrais ou desequilíbrios metabólicos.
Veja abaixo algumas recomendações listadas por diversos especialistas nesses tipos de casos:
1. Mantenha a calma e garanta a segurança
Não confronte ou discuta sobre as alucinações da pessoa. Para ela, tudo o que está vivendo é absolutamente real. Mantenha uma distância segura, evite movimentos bruscos e fale em tom baixo e pausado. Remova objetos perigosos do ambiente e evite aglomerações ao redor da pessoa.
2. Acolha sem validar a ilusão
Valide o sentimento, não a alucinação. Você pode dizer algo como: "Entendo que você está assustado, mas estou aqui para garantir que você fique seguro". Não invalide o sofrimento, mas tampouco finge que vê ou ouve as mesmas coisas.
3. Acione ajuda médica especializada
Se houver risco de a pessoa ferir a si mesma ou a terceiros, ligue imediatamente para o SAMU (192) ou para os Bombeiros (193). Informe ao atendente que se trata de uma emergência psiquiátrica para que a equipe adequada seja enviada ao local.
4. Busque apoio contínuo
Após a crise inicial, encaminhe a pessoa para atendimento no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) da sua região ou a um psiquiatra. Para apoio emocional imediato e orientação gratuita, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende pelo telefone 188.