A Prefeitura de São Paulo, gestão Ricardo Nunes (MDB), passou a vacinar, nesta segunda-feira (13), com imunizante da Pfizer as pessoas que não conseguiram tomar a segunda dose da vacina AstraZeneca contra a Covid-19.
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a medida, que foi tomada porque há falta da vacina produzida no Brasil pela Fiocruz, é segura e não traz nenhum problema para a população.
"A medida é absolutamente correta do ponto de vista científico. A pessoa no mínimo estará imunizada igual", diz Sérgio Zanetta, médico sanitarista e especialista em Saúde Pública da São Camilo.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.
Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Ainda de acordo com médicos, além de necessária para completar o esquema vacinal, a medida pode até potencializar a resposta imunológica.
"Um estudo recente mostrou que a resposta de anticorpos neutralizantes foi muito maior com a vacinação alternada, o que mostra que a mistura da vacina não só foi positiva como foi melhor", afirma Camila Sacchelli, imunologista e especialista em doenças infecciosas e parasitárias do CCBS (Centro de Ciências Biológicas e da Saúde) da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
"São vias diferentes de apresentar para o sistema imune o mesmo antígeno e existe uma possibilidade de ter uma resposta melhor", ressalta a especialista.
Segundo a prefeitura, para contornar o problema, que atingiu cerca de 340 mil pessoas, 165 mil doses da vacina Pfizer foram distribuídas nesta segunda-feira (13).
A chamada intercambialidade, ou seja, a primeira dose de uma e a segunda, de outra, será válida para aqueles que deveriam se imunizar pela segunda vez com a AstraZeneca entre 1º e 15 de setembro, conforme definiu a Secretaria Estadual da Saúde na noite da última sexta-feira (10).
"Outros países deram a segunda dose diferente da primeira e a eficácia foi muito boa. Não vejo nenhum problema e já tem um embasamento científico bom", ressalta Guilherme Furtado, líder médico do departamento de infectologia do Hcor, de São Paulo.
"Alguns estudos mostraram mais sintomas pós-vacinais como dor no braço, dor de cabeça e no corpo, com a imunização heteróloga, mas sem risco algum", completa o médico.
Em nota à reportagem, o Ministério da Saúde diz que não deve segunda dose de vacina Covid-19 da AstraZeneca ao estado de São Paulo.
Ainda segundo o governo federal, o estado utilizou como primeira dose vacinas destinadas à dose dois. "As alterações nas recomendações do Programa Nacional de Imunizações acarretam na falta de doses para completar o esquema vacinal na população brasileira", diz.
A prefeitura da capital paulista recomenda que as pessoas acompanhem a disponibilidade de segundas doses dos imunizantes por meio da plataforma "De Olho na Fila", serviço criado para mostrar como está a situação dos postos e se há vacinas (e de qual marca) para segunda dose.
A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que tem um acordo com a biofarmacêutica AstraZeneca para produzir o imunizante no Brasil, afirmou, por meio de nota, que as entregas estão previstas para esta semana, de 13 a 17 de setembro, e serão normalizadas.