Saúde

Governo tenta resolver falta de certificado para quem tomou 1ª dose de AstraZeneca e 2ª de Pfizer

05 out 2021 às 10:48

 O Ministério da Saúde informou que busca uma solução para que as pessoas que passaram pela intercambialidade de vacinas consigam emitir o certificado de vacinação no aplicativo Conecte SUS.


Pessoas que tomaram a primeira dose de uma vacina e a segunda de outra reclamam que não estão conseguindo emitir o Certificado Nacional de Vacinação Covid-19. Isso tem acontecido com quem iniciou a imunização com a AstraZeneca e depois recebeu a dose da Pfizer.


Podem ter acesso ao certificado todas as pessoas que completaram a imunização com as duas doses ou com a dose única da vacina da Janssen. O documento, emitido em três idiomas, é aceito em alguns países como comprovante de vacinação.


"O Ministério da Saúde informa que busca uma solução para que seja possível emitir o certificado de vacinação no aplicativo Conecte SUS em situações que ocorram intercambialidade de vacinas", disse a pasta, em nota.


Nota técnica da pasta só recomenda a intercambialidade entre a primeira e segunda dose em casos excepcionais. Entre os exemplos citados estão indivíduos que receberam a primeira dose da vacina em outro país e que estarão no Brasil no momento de receber a segunda dose.


Há exceção também para as mulheres que receberam a primeira dose da vacina AstraZeneca e que estejam gestantes ou no puerpério no momento de receber a segunda dose da vacina. A preferência é que tomem a vacina da Pfizer.


"De maneira geral não se recomenda a intercambialidade de vacinas Covid-19, no entanto, em situações de exceção, onde não for possível administrar a segunda dose da vacina com uma vacina do mesmo fabricante, seja por contraindicações específicas ou por ausência daquele imunizante no país poderá ser administrada uma vacina covid-19 de outro fabricante", disse no documento.


Em setembro, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que é preciso haver critérios para a intercambialidade da segunda dose da vacina contra a Covid-19.


"Se por ventura a AstraZeneca, por contas operacionais, faltar eventualmente, se usa a intercambialidade. Mas o critério não pode ser faltou um dia já troca senão a gente não consegue avançar [no plano de vacinação]."


A declaração havia sido dada após alguns estados optaram pela intercambialidade. A cidade de São Paulo começou a vacinar com imunizante da Pfizer as pessoas que não conseguiram tomar a segunda dose da vacina AstraZeneca contra a Covid-19.


O problema no período é que pessoas não conseguiam completar o esquema de imunização, porque havia falta da vacina produzida no Brasil pela Fiocruz.


Até o momento, os poucos estudos disponíveis sobre o uso de uma vacina contra a Covid diferente da aplicada na primeira dose apontaram que a combinação é segura. Mas esses estudos tratam apenas de mistura de fabricantes na primeira e na segunda dose, não na terceira.


Um desses estudos saiu na prestigiosa revista The Lancet. Outro, um teste em roedores com regimes heterólogos, saiu na revista Nature Communications.


Um outro estudo publicado na revista The Lancet e feito com mais de 600 participantes adultos testou, em pessoas que tomaram a primeira dose da AstraZeneca, a aplicação da vacina da Pfizer como segunda dose. Segundo os pesquisadores, houve resposta imune robusta, confirmando que a aplicação heteróloga pode provocar uma combinação potente de respostas celular e de anticorpos.

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