Pesquisar

Canais

Serviços

Publicidade
Análise

Aumento de mortes por Covid-19 de pessoas com menos de 60 anos

Flávia Faria e Diana Yukari - Folhapress
21 fev 2021 às 16:48
- iStock
siga o Bonde no Google News!
Publicidade
Publicidade

O percentual de pacientes com até 60 anos que morreram por Covid no Brasil registrou em janeiro sua primeira alta em quase um ano de pandemia, e, embora esse aumento seja discreto, ele acende um alerta para os mais jovens –em geral, fora da faixa etária de maior risco para a doença.


Na média, 1 a cada 4 óbitos pela doença no país tem 60 anos ou menos, embora essa proporção tenha oscilado ao longo do tempo e possa estar relacionada à lotação dos hospitais e ao acesso à saúde. No total, o país contabiliza quase 250 mil óbitos.

Cadastre-se em nossa newsletter

Publicidade
Publicidade


Em abril de 2020, quando pouco se sabia sobre possíveis tratamentos e muitos estados tentavam abrir hospitais de campanha e leitos de UTI, os pacientes com até 60 anos eram 32% das mortes (1 a cada 3). Esse percentual foi caindo com o passar dos meses, atingindo 23,1% em novembro e dezembro, segundo dados do Ministério da Saúde.

Leia mais:

Imagem de destaque
Mais de 58 mil casos no PR

Brasil ultrapassa 650 mil casos de dengue; 94 mortes desde o início do ano

Imagem de destaque
Entenda

'Quadro psicótico', diz Vanessa Lopes ao falar sobre o que a fez sair do BBB

Imagem de destaque
Alerta

Idosos e crianças fazem parte dos grupos de risco para dengue grave

Imagem de destaque
Suspeita de dengue

Postos de saúde da zona sul de Londrina tiveram movimento intenso neste sábado


Em janeiro, pela primeira vez, a proporção cresceu, ainda que moderadamente: chegou a 24,9%, na esteira do avanço do número de casos, aumento de mortes e lotação de hospitais país em alguns estados.

Publicidade


O crescimento da mortalidade nessa faixa etária, considerada de menor risco para a doença, não é regra, mas pode ser observada em locais onde houve aumento de casos e da ocupação dos leitos hospitalares, como Amazonas, Maranhão e Sergipe.


"Existem alguns fatores de risco para a letalidade, a idade é um deles. Quando começa a morrer muito jovem, entendemos que é uma parcela que não precisaria estar morrendo. Isso acontece porque as condições ideais de assistência não estavam disponíveis", diz Jaques Sztajnbok, médico intensivista e supervisor da UTI do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, em São Paulo.

Publicidade


O caso mais expressivo é o do Amazonas, onde 40,4% dos óbitos pela doença em janeiro tinham 60 anos ou menos. Para efeito de comparação, em novembro, mês com menor número de óbitos no estado, a faixa etária respondia por 29,5% dos infectados da Covid.


No mês passado, o sistema de saúde amazonense entrou em colapso, com fila de espera para leitos, desabastecimento de oxigênio nos hospitais e explosão de mortes.

Publicidade


"Em Manaus, vimos gente de 20 anos, 30 anos, morrendo. São pessoas cuja chance de sobrevivência na UTI é maior, mas não foram para UTI, morreram por falta de oxigênio", afirma Sztajnbok.


O Brasil tem gargalos na chamada vigilância genômica, feita a partir do sequenciamento de amostras, o que dificulta o entendimento do que levou à nova crise no Amazonas.

Publicidade


A variante amazonense do coronavírus, tida como um dos fatores possivelmente responsáveis pela recente explosão de casos no estado e conhecida como P.1, foi identificada pela primeira vez no Japão, em amostras de turistas que visitaram o Amazonas. Só depois a Fiocruz confirmou a presença no Brasil.


Não há, portanto, dados que permitam avaliar se a nova variante afeta a população mais jovem de maneira mais letal.

Publicidade


O que cientistas supõem, com base na semelhança da mutação amazonense com a britânica e a sul-africana, que a variante tenha maior potencial de contaminação, aumentando o número de casos de maneira mais rápida e levando mais pessoas aos hospitais.


A circulação e o surgimento de novas variantes com alto potencial infeccioso, portanto, podem impulsionar a pandemia e lotar leitos de UTI, agravando a situação do país e possivelmente aumentando a proporção de infectados jovens.

Publicidade


Até o momento, a faixa etária mais afetada pela Covid-19 é a de maiores de 70 anos, que responde por apenas 7,5% da população, mas representa 50,7% dos óbitos pela doença.


Aqueles com 60 ou menos, por sua vez, são 25% dos óbitos pelo coronavírus, embora representem 85% dos brasileiros.


Estados do Norte, que têm menos leitos de UTIs distribuídos regionalmente (no Amazonas, por exemplo, só há UTI em Manaus) e estrutura de saúde em geral mais precária, têm percentuais maiores de mortes com até 60 anos. Em Roraima e Rondônia, são 38% e 37% dos óbitos, respectivamente.

No Sul e Sudeste, por sua vez, onde há mais médicos, leitos e hospitais, há menos óbitos de pessoas nessa faixa etária. Os estados com a menor proporção são Rio Grande do Sul e Minas Gerais, com 20% e 21%, respectivamente.


Publicidade

Últimas notícias

Publicidade