19/09/20
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Precaução

Cerca de 150 pessoas são monitoradas após caso de febre hemorrágica brasileira

O Ministério da Saúde informou nesta terça-feira (21) que entre 100 e 150 pessoas estão sendo monitoradas por terem tido contato com o paciente que morreu por febre hemorrágica brasileira, doença que não era registrada no país desde 1999.

Reprodução/Pixabay
Reprodução/Pixabay


Segundo a pasta, a medida ocorre como precaução. Entre o grupo, estão familiares e profissionais de saúde. Nenhum deles apresentou sintomas até o momento.

A previsão é que esse acompanhamento ocorra até o dia 3 de fevereiro, quando completam 21 dias desde o último contato com o paciente ou material de exames.

Nesse período, são adotadas medidas preventivas, mas sem necessidade de isolamento, o que só ocorrerá em caso de sintomas como febre, dor de cabeça ou muscular, informa o diretor do departamento de vigilância de doenças transmissíveis no ministério, Julio Croda.

O risco é considerado maior para profissionais de saúde que podem ter tido contato com secreções do paciente e material biológico e não tenham usado equipamentos de proteção. Nos demais, o risco é tido como baixo, mas ainda passível de monitoramento.

"Não existe risco para a população geral. O que existe é o alerta para os profissionais de saúde que atenderam o paciente ou manipularam alguma amostra, e que devem ser observados até 3 de fevereiro", diz.

A confirmação de um novo caso de febre hemorrágica brasileira, após mais de 20 anos sem registros, foi divulgada nesta segunda-feira (20). O paciente tinha 50 anos e morava em Sorocaba, no interior de São Paulo, mas passou por diferentes cidades do estado.

No dia 30 de dezembro, ele procurou a rede de saúde em Eldorado, com sintomas como dor de garganta, náuseas e dores musculares. O quadro evoluiu para outros sintomas, como febre alta, confusão mental e hemorragia. Durante o atendimento, o paciente passou por mais dois hospitais, e morreu no dia 11 de janeiro.

Segundo Croda, o quadro chegou a ser analisado inicialmente como suspeito de febre amarela, mas exames descartaram a doença.

Análises feitas em laboratório do Hospital Albert Einstein apontaram para um arenavírus, com cerca de 90% de similaridade com o vírus sabiá, o que aponta para uma variação do vírus que causa a febre hemorrágica brasileira.

A hipótese é que tenha havido uma série de mutações do vírus, daí a diferença em relação ao vírus original, que já havia sido identificado na década de 1990.

O modo de transmissão, porém, é considerado restrito. Em geral, esse tipo de vírus é transmitido após contato com partículas de poeira de urina e fezes de roedores contaminados, ou pelo contato com a secreção de pacientes.

"Nossa hipótese é que foi uma exposição ambiental a urina de roedores", afirma Croda, sobre o que pode ter levado à infecção do paciente.

Segundo o diretor, equipes de vigilância devem visitar os locais por onde passou o paciente em busca de possíveis indícios da contaminação, mas é baixa a probabilidade de que seja possível identificar quais os roedores que possuem o vírus.

A descoberta gerou um alerta na rede de saúde, por se tratar de um doença de alta letalidade e que não era registrada há mais de 20 anos.
Apesar disso, a avaliação do ministério é que se trata de um caso raro, pontual e de transmissão restrita.

Esse é o quarto caso de febre hemorrágica brasileira registrado no país. Outros dois foram registrados em São Paulo, ambos de pacientes que passaram por áreas silvestres, e um no Pará, por um técnico de laboratório que analisou amostras de um dos casos –daí o monitoramento daqueles que tiveram contato o caso agora confirmado.

"Pela frequência de casos, entendemos que é um evento raro. Mais rara ainda é a transmissão de pessoa a pessoa, porque precisaria de contato com a secreção", afirma. "Provavelmente não vamos ter grandes epidemias desse vírus se tivermos esse controle dos contactantes", diz.

De acordo com o diretor, por se tratar de um caso raro, não há um alerta específico à população sobre cuidados específicos que devem ser adotados. A Secretaria de Saúde de São Paulo, porém, tem recomendado de forma geral que as pessoas evitem contato com roedores em áreas silvestres, medida que também ajudaria a evitar a transmissão de outras doenças.
Natália Cancian - Folhapress
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