02/07/20
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Cenário crítico

Cinco estados brasileiros têm mais de 90% dos leitos de UTI ocupados

Enquanto governadores e prefeitos anunciam medidas de reabertura da economia e relaxamento das medidas de distanciamento social para conter os avanços da pandemia do novo coronavírus, cinco estados têm um nível de ocupação acima de 90% dos leitos de terapia intensiva para o tratamento de Covid-19.

Rovena Rosa/Agência Brasil
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Amapá, Pernambuco, Acre, Rio Grande do Norte e Maranhão enfrentam o cenário mais crítico. O Rio de Janeiro, com 86% de ocupação, acumula fila de pacientes aguardando por vagas em UTIs.

Estados no Norte do país com parca estrutura hospitalar estão entre os que registram ocupação mais alta. O Amapá, por exemplo, tem 99% dos leitos de UTI ocupados.

Com a maioria dos leitos para pacientes graves na capital, Macapá, o governo do estado tem adquirido ventiladores pulmonares para instalar leitos de estabilização nas principais cidades do interior.

O estado decretou isolamento social rígido no dia 15 de maio, mas afrouxou as regras na terça (2). Nos próximos dez dias, comércio e escolas permanecem fechados, mas não há restrição para a circulação de pessoas.

No Acre, o cenário é parecido: 45 dos 47 leitos de terapia intensiva da rede estadual estão ocupados. Eles estão divididos apenas entre duas cidades, Rio Branco e Cruzeiro do Sul, sendo que a capital já está cheia. O isolamento social no estado está mantido até o dia 15.

No Nordeste, Maranhão e Rio Grande do Norte têm ocupação ascendente dos leitos para pacientes graves.

No Rio Grande do Norte, a taxa de ocupação aumentou de 86% para 91% em uma semana. Em Natal, não há vagas disponíveis em hospitais públicos e há dificuldades para expandir a rede de atendimento. Ao menos 34 leitos de UTI foram bloqueados por falta de equipamentos e profissionais.

Também houve um aumento na ocupação de leitos no Maranhão, que chegou a taxa de ocupação de 90% das UTIs. O estado, que encerrou o bloqueio total em cidades da Grande São Luís, também iniciou um movimento de reabertura gradual.

Pernambuco, que está com os leitos para pacientes graves lotados, registrou pela segunda semana seguida uma diminuição na fila por uma vaga de UTI para pacientes com síndrome respiratória aguda grave.

Na segunda-feira (1), 78 pessoas, incluindo 6 crianças, esperavam por um leito de unidade de terapia intensiva na rede pública de Pernambuco. Há uma semana, eram 189 pacientes nessa situação e, no início de maio, 256.

O estado, que anunciou a reabertura gradual a partir da próxima segunda-feira (8), é o quinto em número de mortes em decorrência do novo coronavírus. Até esta quarta-feira (3), havia 3.013 óbitos e 36.463 casos confirmados.

Movimento semelhante acontece no Rio de Janeiro, que tem 86% dos leitos de terapia intensiva ocupados, mas viu a fila de pacientes graves cair de 286 para 83 pessoas nos últimos sete dias.

Ao contrário de Pernambuco, porém, onde já começam a entrar em vigor medidas de abertura, o Rio teve as medidas de isolamento social prorrogadas por mais uma semana pelo governador Wilson Witzel (PSC).

A principal dificuldade tem sido ampliar a rede de leitos fora da capital. O estado vive um imbróglio com seis hospitais de campanha que até agora não ficaram prontos e suspeitas de fraudes que atingem até o governador.

Já a capital fluminense zerou a fila, mas ainda possui 84% de suas UTIs públicas ocupadas. Contrariando a decisão estadual, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) iniciou um plano de reabertura nesta segunda (1).

Em estados como Rondônia, Espírito Santo e Ceará, a ocupação das UTIs é mais preocupante nas capitais.

Em Porto Velho (RO), não há mais vagas disponíveis em UTIs públicas. No estado, a taxa de ocupação para pacientes com sintomas da Covid-19 subiu de 61% para 78%.

Em entrevista à imprensa nesta terça-feira (2), o secretário municipal de Saúde, Fernando Máximo, disse que a capital está à beira de um colapso e que a rede privada também está perto do limite.

Em Fortaleza (CE) e Vitória (ES), 89% dos leitos para pacientes graves estão ocupados, cenário preocupante para os gestores de saúde locais.
No estado de São Paulo, as taxas de ocupação dos leitos de UTI mantiveram-se estáveis, com 85,3% na Grande São Paulo e 73,5% no estado –que bateu recorde no número de novas mortes por Covid-19 na última terça-feira.

O estado teve 282 novos óbitos bateu a marca de 8.000 mortes nesta quarta (3), com um total de 8.276. Segundo a Secretaria da Saúde, o estado soma 123.483 infectados.

O secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, afirmou que existe a possibilidade de expansão de leitos, à medida que novos respiradores cheguem.

A Bahia conseguiu reduzir o patamar de ocupação de leitos, mas segue com a rede de atendimento pressionada. Com cerca de 21.420 casos de Covid-19, o estado tem o extremo sul como principal foco de preocupação: houve uma explosão de contaminações em cidades como Porto Seguro e Teixeira de Freitas.

Em Salvador, a ocupação dos leitos de UTI públicos caiu de 85% para 70% nas últimas duas semanas. A folga, contudo, é resultado de uma ampliação da oferta de leitos.

A capital baiana anunciou medidas de flexibilização, como a autorização para abertura de açougues, concessionárias e lojas de decoração. O prefeito ACM Neto (DEM), porém, prevê um cenário sombrio nas próximas semanas.

A estimativa da prefeitura é que Salvador chegue ao dia 16 deste mês com cerca de 30 mil casos de Covid-19 e mais de 1.000 mortes em decorrência do doença. Nesta terça, eram 476 mortes registradas.
Folhapress
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