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Corante a base de açaí beneficia a realização de cirurgias intraoculares

17 out 2017 às 15:51

Facilitar os procedimentos cirúrgicos intraoculares, por meio de uma técnica natural, barata e acessível, que permite visualizar os tecidos microfinos do olho de forma eficaz e segura. Foi com esse objetivo que pesquisadores do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) - Campus São Paulo desenvolveram um corante feito à base da antocianina, substância encontrada na fruta brasileira, o açaí.

"O composto, criado a partir de uma matéria-prima da flora brasileira, fica até vinte vezes mais barato do que os convencionais. Além disso, é um antioxidante, possivelmente mais seguro do que os corantes químicos utilizados hoje em dia. Tal resultado, ao ser levado para a saúde pública, é um ganho tanto para os pacientes quanto para os profissionais que dependem das cirurgias vitreorretinianas", comenta Maurício Maia, coordenador do estudo e professor associado do departamento.


O corante é aplicado na parte interna dos olhos para facilitar a visualização das membranas e dos tecidos transparentes que irão passar por alguma intervenção. A técnica é usada principalmente em cirurgias de retina (camada mais interna do globo ocular responsável pela formação da imagem) e do vítreo (conteúdo gelatinoso que preenche quase todo o espaço intraocular). Os procedimentos operatórios citados são necessários para doenças que comprometem o fundo dos olhos, como retinopatia diabética, buraco macular, membrana epirretiniana, síndrome da tração vitreomacular, deslocamento da própria retina ou do vítreo, entre outros. Patologias com potencial, inclusive, de resultar em cegueira total.

Os corantes utilizados atualmente são a idocianina verde - mais tóxica -, triancinolona e o azul brilhante, cujo custo varia entre R$ 200 a R$ 500. Tais substâncias não são capazes de colorir todas as estruturas necessárias para a cirurgia, sendo preciso usufruir mais de uma dose. No entanto, quando aplicadas em excesso, correm o risco de causar atrofias nas camadas da retina. "Nossa busca se concentrou, portanto, em um produto menos tóxico e mais eficiente", pontua.


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